sábado, 14 de abril de 2012

Casamento Civil Igualitário: os mesmos direitos com os mesmos nomes


A união estável homoafetiva foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no dia 05 de maio do ano passado, porém para conquistar esse direito é necessário ir à Justiça. E nem sempre o pleito é deferido em primeira instância.
Os deputados Jean Wyllis (Psol-RJ) e Érika Kokay (PT-DF) criaram uma Proposta de Emenda à Constituição, propondo o casamento civil igualitário, para poder legalizar a situação dos casais homossexuais, que são privados de até 70 direitos.
Na noite da última quinta-feira, foi lançada oficialmente a campanha suprapartidária  pelo Casamento Civil Igualitário, numa boate na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde estiveram presentes,  políticos de diversos partidos e muitas celebridades.
Alguns vídeos foram gravados com nomes conhecidos de vários segmentos da sociedade e já estão sendo veiculados na internet e também serão na Rede Globo, visando conseguir mais 68 assinaturas de deputados federais para que a PEC vá a plenário no Congresso Nacional. Atualmente temos 103 firmas das 171 que são necessárias.
O maior empecilho é a bancada fundamentalista cristã, que recebe a proposta como uma grande ameaça a moral e aos bons costumes. Encerrados em seus preceitos religiosos, boicotam os direitos individuais de uma parte da sociedade. Em um estado laico, isso é inadmissível.
A ideia da campanha é sensibilizar as pessoas para essa causa. Não será subtraído direito de ninguém, o intuito é estendê-lo aos demais cidadãos que cumprem com os mesmos deveres, independente de sua orientação sexual, mas que são privados de igualdade de direitos.
Peço aos que chegaram até aqui, que visitem o site http://casamentociviligualitario.com.br/ e firmem o abaixo-assinado, para pedir ao Poder Legislativo que faça o mesmo que fez o Poder Judiciário.
Seguindo o ritmo da campanha, deixo abaixo a opinião  de meus amigos, também de diversos segmentos sociais, famosos e anônimos, onde expressam o apoio a essa campanha. A todos eles, o meu mais sincero agradecimento.

                                                       
                  Você é a favor do Casamento Civil Igualitário? Por quê? 

 
"Acho que toda a forma de amar é valida se ninguém se machuca...se não se magoa o outro...se numa relação igualitária ambos são donos do que conquistam JUNTOS. E é isso que eu entendo por relacionamento...conquistar JUNTOS seja o que for de material, de espiritual...Sou a favor de que os dispostos se atraem."          
                                            Blota Filho, ator, 51 anos




 "Essa expressão é nova para mim . Casamento igualitário é o casamento gay??? Claro que sou a favor , somos todos iguais em tudo.  Qualquer ser humano tem o direito de viver e fazer o que o deixa feliz, sem que ninguém interfira." 

                             Ana Arcuri, atriz 




 
"Sou totalmente a favor do amor verdadeiro e respeito pelo ser humano, não importa sua orientação sexual e sim o que é como cidadão no mundo. E o casamento igualitário é um direito de todo ser humano"
Digo Maransaldi (Digo e a New Gafieira), músico e designer gráfico, 37 anos





"Sou a favor de qualquer casamento, nâo importa quem se case.
Quem decide casar ou nâo são as duas pessoas, o próprio casal. E não a sociedade, os pais, a família, etc
."
Vanessa Borhagian, cantora, compositora e professora, 39 anos



 

"Eu sou a favor sim, porque assim como os heterossexuais, temos nossos direitos estabelecidos em lei e o casamento é mais uma conquista que prova que a sociedade está atenta as mudanças ainda que das mais antigas e significantes como o casamento que é a mais completa prova de união do casal."

                    Vagner Rossini, jornalista





 
"Sim, sou a favor. Porque acredito que todos os cidadãos pagadores de impostos tenham direitos iguais assegurados pela constituição, independente da orientação sexual. Então se um casal gay vive junto,constrói junto,tem que ter todos os direitos que qualquer outro casal. E nãose fala mais nisso. O que interessa é a lei,e não a forma que alguém sente prazer." 

     Andreia Lamaison, assessora política,41 anos 




"O casamento entre pessoas do mesmo sexo é cada vez mais aceito como consequência natural das escolhas humanas. Para essa aceitação deixar de ser traumática no âmbito da sociedade, é preciso separar ações de estado (que deveriam garantir o bem estar e a qualidade de vida do cidadão) dos dogmas religiosos que impõem regras de convivência baseadas no cerceamento de liberdade. Quanto mais distantes um do outro, estado e igreja (seja ela qual for), mais evoluida é a sociedade. Não é por acaso que casamentos igualitários são mais comuns em nações do primeiro mundo."   
                                             Júnior Ferraz, jornalista, 50 anos




 
"Sou a favor do casamento igualitário. Porque a igualdade civil é um direito básico. E acredito que as pessoas tem o direito de amar, constituir família e estarem resguardadas segundo a lei. Assim como sou a favor da criminalização da homofobia."

                                  Jorge Leite, jornalista, 23 anos






"Sou a favor do casamento igualitário. Não somos capazes de julgar nada, nem ninguém. O fato de tornar uma relação oficial só melhora a questão de vida como cidadão e não interfere em nada a opção de cada um."
  Rosely A. Annetta, micro-empresária, 44 anos






                                                           
"Sou a favor do casamento igualitario, acho que como cidadão, assim como temos os deveres perante a sociedade. Deveriamos ter nossos, direitos reconhecidos".

                                             Gustavo de Almeida,  auditor, 24anos




"Conforme falarei no meu próximo livro, chamado Incompletude, não acho o casamento a melhor opção para ninguém, mas se os heterossexuais possuem este direito de escolha nada mais justo que todos os demais também o tenham. E não estou falando do casamento religioso. Estou falando do casamento civil, garantido pelo estado. Um casamento igualitário."                                                                        Fabrício Viana, escritor e psicólogo, 34 anos




"Bom, eu não concordo com casamento igualitário na igreja, com véu, padre, ou pastor, essas coisas. Mas concordo com união com todas as documentações e direitos que um casamento heterossexual. Eu acho muito estranho duas mulheres vestidas de noiva, fica estranho e dá razões às críticas. Mas concordo com casamento civil, com documentação, deveres e direitos iguais."
                                       Jane Lopes, autônoma, 39 anos




  
"Sim, sou a favor do casamento igualitário, porque estou segura que o amor não escolhe sexo ou cor. O amor acontece simplesmente entre dois seres humanos." 
Marilene Discher, editora da revista inNote, 35 anos




"Completamente a favor. Por uma razão simples: a união de duas pessoas jamais deveria estar considerada ilegal, nem sequer deveria ser assunto de discussão entre outras que não tem nada a ver com a citada união. Quem impede? O governo? A Igreja? Deus? Celebrar uma união é algo belo, o selo de amor e isso jamais deveria ser  proibido em um cartório. Ninguém dita a que hora devo fazer minhas necessidades fisiológicas. Se ninguém vem trabalhar por mim na hora que necessito de dinheiro para comer ou pagar minhas despesas, por que alguém tem que me dizer com quem devo casar ou não?"                                                                                            Alex Amaral, ator e diretor, 43 anos 


"Sim, meu amigo. Eu sou a favor sim,desde que haja amor e respeito. Tenho um casal de amigas que vivem juntas na maior hamonia e eu as admiro muito, sempre saem comigo e minha esposa na boa, frequentam as festas e são dignas e de muito cárater, pessoas íntegras, até porque a condição sexual nada tem a ver com isso... Poxa! Apoio sim e sempre vou apoiar."
José Luiz, agente de apoio socioeducativo, 36 anos










"Casamento é um contrato civil. Não vejo porque não permitir para o universo gay."
 Luis Nassif, jornalista







 "Sim, porque casar é um direito de todos, independente da orientação sexual. Não tem sentindo algum uma pessoa ser impossibilitada de casar com outra por ser do mesmo sexo. Esta é apenas uma evolução natural e necessária dos direitos civis."
Felipe Zilli Accioly, jornalista e dj, 27 anos



  
 "Sou a favor do casamento igualitário, porque se somos iguais perante a lei para os deveres, devemos ser iguais nos benefícios! Se existe o famoso casamento entre heteros, que na realidade na maioria das vezes só é celebrado para regular bens e heranças... o mesmo deve existir entre as pessoas do mesmo sexo. Estou falando de "contratos cívis", não de religião, afetividade, amor eterno, etc."
Maria Lucia Russo, administrativa, 58 anos




"Sou a favor do casamento igualitário sim pois SOU A FAVOR DO AMOR !!
Todo resto é preconceito e devemos lutar contra qualquer forma de preconceito, seja social, racial, sexual, religioso, o que for. Todos temos o direito de ser felizes e termos a liberdade de escolher o q é melhor pra gente. O casamento pode lhes dar garantias e respeito maior da sociedade. E que dê também maior facilidade para adoção de filhos
!"
Alcione Mazzeo, atriz







 "Bom... sou a favor, somo seres que temos o direito na busca da felicidade. Não importa como e quando, mas temos de ser felizes."
Denny Macena, bacharel em turismo, 46 anos 






 " Na verdade não acredito na instituição "casamento" da forma ampla, mas isso pessoalmente.Sou a favor do casamento igualitário, por ser uma forma de regularizar situações juridicamente que surgem no decorrer de uma união homoafetiva."
Carlos Luis Bernardi Russi, advogado, 48 anos





 "Sou a favor porque acho que o casamento deve acontecer quando duas pessoas se amam! E daí se elas são do mesmo sexo? Tem mais: o reconhecimento desse direito não implica na exclusão de nenhum direito que os heterossexuais já possuam. Portanto, se não vai mudar a minha vida- e vai fazer outras pessoas mais felizes,  por que não?
Eunice Bemfica, jornalista e funcionária pública



                               
"Eu sou a favor. Em primeiro lugar, amor é amor e acredito que todos deveriam ter o direito de realizar um casamento. Segundo que, além do amor, também há os direitos adquiridos com um casamento, como em caso de divórcio, por exemplo. Se duas pessoas, de qualquer orientação, resolvem viver juntas num relacionamento amoroso é justo que tenham os mesmos direitos, porque não enxergo os casais como gays ou héteros, só como pessoas, iguais. Eu mesma não veria problema inclusive num casamento religioso porque acho que Deus também vê as pessoas como iguais e amores entre eles como iguais, mas isso é questão de religião e não acho que deva ser discutida, porque é extremamente delicada. Mas em relação a um casamento civil, deveria, sim, ser como um casamento comum, inclusive com direito à adoção de crianças". Nívea Alonso, estudante, 17 anos



 "O casamento é uma prova de amor mútua, e sabemos que sexo e amor são duas coisas distintas. A condiçao sexual ou o mesmo sexo são inferiores ao amor em sí. Se duas pessoas se amam verdadeiramente, nada mais justo e belo que a sociedade saiba adimirar, respeitar, proteger e defender o direito desse amor existir e se manifetar. A sociedade do século 21 deve aprender a amar o amor e ao ser humano. Viva o casamento igualitário no Brasil e no mundo". Reginaldo Lima, radialista, 38 anos


"Sou a favor. Claro. Essa é uma questão muito complexa para responder assim rapidamente mas vou tentar resumir a minha opinião. Se duas pessoas que vivem juntas há anos ou tem algum planejamento para ficarem juntas durante muito tempo ou o resto da vida, por que não oficializar isso legalmente? Não importa se é um casal heterossexual ou homossexual, os direitos tem que ser iguais pra todos. Se um homem e uma mulher, casados legalmente, possuem direitos e deveres garantidos por lei, não há porque negar o mesmo a um casal homossexual! Estamos em 2012 e tá mais do que na hora da sociedade acordar para a realidade!"
Léo Granieri, músico e cantor, 35 anos




"Sou a favor em relação ao casamento igualitário, é um casamento comum, como outro qualquer. Somos todos iguais, com liberdade, de amar e gostar de quem quiser. Não deixará de ter caráter, educação cultura, porque duas pessoas do mesmo sexo, resolveram unir-se. Eu enquanto educadora, penso e passo aos meus alunos, que as pessoas não mudam porque elas gostam do mesmo sexo. Às vezes ambas, têm mais compatibilidade entre si do que um casal de sexos opostos". 
Solange Xavier, educadora física



 "Sou super a favor do casamento igualitário, pois se somos iguais perante a lei, pagamos os mesmo impostos, temos as mesmas obirgações, porque não termos os mesmo direitos? Precisamos lutar para que sejamos iguais e que a sociedade entenda que temos o direito sim de construir uma familia."
Moacir Alves, contador, 29 anos







"Sim, porque seria um grande avanço na arcaica e defasada política social brasileira. Passos como esses são imprescindíveis para avalancar a educação de base e o respeito mútuo entre os brasileiros. Os valores do brasileiro necessitam se reformar urgentemente."
Lucas Ribeiro Gelslöichter, professor e Dj, 25 anos


 



"Sim, pelo simples fato de sermos livres; e vivermos em um país democrático... e temos o direito de ir e vir."
Rodrigo Mendonça, gestor de recursos humanos, 32 anos




 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O truque dos milagres

"Não é possível exagerar sobre o poder da imaginação e da fé cega. Um maravilhoso exemplo disso é o caso de um familiar de Perth (Austrália), que sofria de tuberculose. Os pulmões dele estavam gravemente comprometidos. O filho dele o ajudou a curar-se ele mesmo. Foi a casa de seu pai e lhe disse que recentemente havia conhecido um monge que tinha grandes poderes.
Esse monge acabava de regressar de uma longa estância de um dos santuários onde se realizavam os milagres mais célebres de Europa. Ali ele conseguira um fragmento da verdadeira cruz onde Jesus Cristo havia sido crucificado, encravado em um anel datado da Idade Média. Ao longo dos séculos, incontáveis doentes haviam sido curados depois de tocar este anel.
Quando o filho escutou isso, contou ao monge sobre a doença de seu pai e suplicou para que lhe esprestara o objeto sagrado. O monge aceitou o pedido e o filho lhe fez uma doação voluntária equivalente a 500 dólares.
Quando o filho mostrou o anel ao seu pai, esse praticamente o arrancou de suas mãos. Aproximou-o do peito e rezou em voz baixa e acabou dormindo. No dia seguinte, acordou curado. Posteriormente, fez vários exames e todos deram negativos.
Curações como essa ocorrem com frequência. O mais significativo de tudo isso é que a história contada pelo filho era pura invenção. De fato, havia pegado um pedaço de madeira normal que encontrara na rua e levou a uma joalheria para que a engastasse em um anel de desenho antigo. Depois o levou ao seu pai.
Como vocês devem perceber, não foi o pedaço de madeira que curou esse homem. Foi a imaginação dele, excitada ao máximo, além da confiança na cura total. A imaginação uniu a fé ao sentimento subjetivo, a união produziu a cura, mediante o poder da mente subsconciente. 
O pai nunca chegou a saber do truque, porque talvez se soubesse, poderia ter uma recaída. Ficou completamente curado..."_ esse é um trecho do livro "O Poder da Mente Subconsciente", do dr. Jospeh Murphy (20/05/1898-16/12/1981), irlandês, ministro da Igreja Ciência Divina e um dos escritores mais famosos do Movimento do Novo Pensamento.



                                                  O poder da fé

Desde o começo da humanidade, a religião sempre fez parte de todas as culturas. O homem precisa encontrar no exterior, algo superior que o motive, que o guie, uma referência para a sua fé e algo para garantir que existe um mundo desconhecido além do que conhece. Essa disposição é intríseca ao espírito humano.
 Milagres ocorrem diariamente em todos os lugares do mundo. Quantas pessoas doentes foram curadas ao rezarem ajoelhadas diante a imagem de algum santo católico? Quantos enfermos foram sanados ao serem ungidos pelo óleo do Espírito Santo? Ao longo da história, milhares de pessoas tiveram seus pedidos atendidos, tocando a estátua de Buda. Em todas as religiões do mundo, independente de seus diversos preceitos, há registros de milagres.
Na verdade, o nosso subconsciente tem um poder incrível. O poder da mente é o nosso maior tesouro e poderíamos usá-lo para o nosso próprio benefício sem ser escravo de nenhum Deus que absolve e castiga, porque na verdade o nosso subsconciente desconhece o critério do que é bom ou ruim, ele age de acordo com o que acreditamos. A lei de ação e reação é real, é pura física. Viveremos sempre as consequências de nossos atos, sejam eles bons ou ruins. Cada um é deus de si mesmo e todos formamos uma única corrente.
Quem nos desenhou assim de forma tão perfeita? Eu, particularmente, não tento procurar a definição do que é Deus. Se é impossível definir a essência de uma formiga, por que perder tempo tentando entender como é ou seria o "Ser Superior"?
Acredito em pessoas iluminadas, que estiveram aqui e nos deixaram grandes conhecimentos. Jesus Cristo foi um desses seres que esteve aqui e nos deixou muitos ensinamentos. Quando ele disse:"Rachai uma madeira: eu estou ali. Levantai uma pedra e me achareis.", podemos interpretar que o que ele representa está realmente dentro de nós. Não precisamos buscar em nenhuma igreja.
O amor ao próximo também é um dos princípios cristãos. Se compreendemos isso de forma literal, entenderíamos que todas as guerras realizadas em nome dele, na verdade foram criadas para adquirir poder, através da manipulação. A fé em Jesus e em qualquer outro mentor espiritual é mercantilizada de forma abominável. Quem ama o próximo, não julga. E a maioria das igrejas evangélicas no Brasil, por exemplo, julgam e condenam constantemente. Tentam impor que o que pregam é a verdade absoluta e transformam fiéis em clientes fanáticos, que cerceam o direito do outro sem o menor constrangimento.
Outro dia vi um vídeo de um pastor da Igreja Mundial. Ele estava vendendo o "martelo da justiça" por mil reais, prometendo cura e solução para todos os problemas. Esse objeto é igual ao pedaço de madeira que o filho do homem com tuberculose encontrou na rua e curou seu pai. Não foi o anel e nem será o martelo que irá curar ou obter milagres, é simplesmente a fé, o poder de sugestão da nossa mente. E esse poder todos nós possuimos, cabe a cada indivíduo, procurar aprender a utilizar o maior tesouro que nos foi dado quando ganhamos a vida.
Nenhum cristão irá ao céu e nenhum ateu irá ao inferno pela sua crença. O paraíso e o martírio são estados de espírito, consequência da ação de cada um.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Miss Universo admitirá mulheres transexuais

O concurso de Miss Universo tem previsto aceitar candidatas transexuais. Essa decisão foi tomada depois da polêmica retirada da modelo canadense Jenna Talackova. Ela fora desclassificada da etapa da competição em seu país, por não ter nascido mulher.


Jenna fez a cirurgia de readequação de sexo quando tinha 19 anos, hoje ela tem 23. Desde então, todos seus documentos a identifica como mulher e dessa maneira apresentou-se ao concurso. Depois de ser eliminada da seleção, a polêmica foi formada. Graças a uma batalha judicial e um abaixo-assinado de mais de 28 mil pessoas, solicitando a readmissao da candidata, a organização do concurso, que é de propriedade do magnata estadunidense, Donald Trump, viu-se obrigada a reconsiderar seus critérios para o funcionamento do concurso, para incluir mulheres transexuais. Essa mudança entrará em vigor a partir do ano que vem, em 2013.
A Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação (GLAAD), ONG norte-americana criada em 1985 para monitorar como são tratadas as pessoas LGBT na mídia, interveio de forma eficiente e logrou o acordo com Paula Shugart, presidente da Organização Miss Universo.
No próximo ano, o concurso que elege a mulher mais bonita do mundo, anualmente, cujo evento é assistido por mais de um bilhão de pessoas em 180 países, estará aberto à todas as mulheres, sem discriminações.
 Eu, particularmente, acho esse tipo de concursos, uma tremenda cafonice. Mas sempre é bom saber da ruptura de barreiras consolidadas pelo preconceito. Notícias como essa nos dá certa esperança e fôlego para continuarmos sonhando com um mundo onde não haja discriminação por sexo, sexualidade, gênero, etnia, religião... enfim, tudo que é utilizado para segregar um grupo do outro.

O que faz um deputado federal?

Nas eleições de 2010, o humorista Tiririca, em um dos vídeos de campanha no horário eleitoral, perguntava: "O que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei. Vota em mim, que depois eu conto. Pior do que está não fica". Nas outras aparições, a essência das peças publicitárias eram semelhantes. Engraçadas e nada mais. Nenhuma proposta política.
Talvez 1.348.295 de paulistas estivessem realmente interessados em saber o que um deputado faz e por isso elegeram o palhaço, tornando-o o deputado mais votado do Brasil nas últimas eleições e o segundo da história, perdendo apenas para Enéas Carneiro, que fora eleito também por São Paulo, em 2002, com 1.573.642 de votos.
Depois de alguns meses trabalhando no Congresso, Tiririca disse que já sabia qual era a função de um parlamentar: "É uma pessoa que trabalha muito e produz muito pouco. Um deputado fala e nenhum presta atenção nele. Outro dia mesmo tinha um fazendo um discurso superbacana, sobre edudação. Outro pediu a palavra e reclamou:'Já pedimos para instalarem tomadas novas aqui e não instalaram´. É uma coisa de louco." 


O trabalho de um deputado federal é fundamentalmente legislar e fiscalizar os demais poderes. Além dessas funções, também cabe votar o Orçamento da União, que são os gastos que o governo federal terá com saneamento, infra-estrutura, saúde, educação, segurança pública, etc. 
Nós brasileiros comuns, que elegemos nossos representantes, somos os que devemos fiscalizar o trabalho deles. Como podemos fazer isso?
Entrando no Portal da Câmara dos Deputados (http://www2.camara.gov.br/), podemos acompanhar a atuação de cada um. No Relatório de Presença em Plenário, vemos a frequência por sessão, por dia e também as justificativas por ausência. Temos também a possibilidade de consultar as proposições feitas ou relatadas, presença em comissões e votação em plenário.
Atualmente, a Câmara dos Deputados é formada por 513 membros, que recebem um salário mensal de aproximadamente R$ 16.000,00. A quantidade de deputados é estabelecida no ano anterior às eleições, pois o número de representantes por cada estado é fixado conforme o número de habitantes de cada unidade federativa. Nesse sentido, estados mais populosos elegem mais deputados federais. No entanto, o número máximo de deputados por estado é de 70 e o número mínimo, 8.


Podemos consultar também os gastos do Governo Federal, mantido pela CGU (Controladoria Geral da União), através do site Portal da Transparência (http://www.portaltransparencia.gov.br/). Nele é possível ver as verbas que são transferidas para os municípios e para que são destinadas, por exemplo.
 No Brasil, superamos o número de 81 milhões de internautas e somos líderes mundiais em permanecer mais tempo navegando.  Se adotarmos o hábito de fiscalizar nossos representantes, é mais fácil saber se os mesmos merecem ser reeleitos ou não. Em vez de generalizar a classe política, devemos observar cada político de forma individual, pois assim é como os elegemos. Enquanto não houver uma reforma política, é o que temos.
Não devemos julgar um político somente pelas manchetes de jornais. A internet é uma excelente ferramenta para contrastar notícias, pesquisar, investigar e controlar o trabalho de cada um. Afinal, temos 513 empregados no Congresso e lhes pagamos um excelente salário para que trabalhem na construção de um país melhor.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

O desserviço de gays que estão dentro e fora do armário

A homofobia internalizada é tão prejudicial quanto a que é exteriorizada. A primeira acaba sendo conivente com a segunda e a reforça.
Ditada por regras heteronormativas, a sociedade brasileira ao longo de sua história sempre rejeitou de forma hipócrita qualquer expressão que contrarie a moral e os bons costumes de cara ao público, cujos critérios foram impostos fundamentalmente por questões religiosas.
Muitas vezes, as mãos que usam para esconder o rosto são as mesmas que usam para atirarem pedras, afinal acaba sendo cada um por si e Deus para todos. Deus que é interpretado e utilizado de várias maneiras em um país que é heterogêneo em costumes, mas homogêneo no preconceito e na discriminação.
Permanecer no armário é um direito respeitável, cada um conhece o contexto de seu círculo social e nem sempre é fácil expressar-se de forma sincera. Por medo e covardia, muitos vivem presos, trancados com seus fantasmas. São tão individualistas que não sabem que essa atitude acaba corroborando para sua própria prisão. Mas cada um assume as consequências de suas escolhas. Não conhecem a paz de ser aceito ou rejeitado pelo que realmente é. Para os que assumimos nossa orientação sexual, podemos sofrer preconceitos e discriminações. Mas o mal que recebemos é tão verdadeiro quanto o bem. E para os que se ocultam, o bem que recebem é tão pernicioso quanto o mal do que tentam se defender, pois ele é falso.
Mas o que é realmente inadmissível e indigno de qualquer respeito, são os que permanecem escondidos e se aliam aos que atacam e machucam.


                                       Gays famosos e homofóbicos

Existem homossexuais famosos que estão fora do armário, mas que pela homofobia internalizada e ignorância, justificam-se constantemente, perpetuando o preconceito. Personagens como o falecido Clodovil, Aguinaldo Silva, Agnaldo Timóteo, entre outros, são verdadeiros desserviços para o coletivo LGBT e para a parcela da sociedade que sonha com a justiça de igualdades. Podemos compreender de onde vieram e os valores que lhes foram inculcados, mas ainda assim, são de certo modo, desprezíveis pela passividade e individualismo. Sentem-se aceitos pelo que são, e fingem que realmente é assim. Mas sabem que o classismo no Brasil é outra característica importante e que no fundo são "respeitados" pela fama ou pelo dinheiro que possuem. Essa falsa proteção é "privilégio" para poucos.


Assim como o que compra mercadoria roubada é tão ladrão quanto o que roubou. Os gays homofóbicos que estão fora do armário são cúmplices de todos os crimes cometidos contra os homossexuais. Principalmente os que tem visibilidade e nada fazem. Desprezam a militância e demonstram pavor contra qualquer tipo de bandeira, afinal, para que se preocuparem com os demais? Essa postura é tão repugnante quanto a dos trabalhadores que desejam um aumento de salário, mas que não participam da greve. E logo, beneficiam-se dos resultados positivos,  mas não sofrem com as represálias da luta.
O discurso de que a condição sexual não deve ser mencionada, pois isso não é importante, serve para um país onde ninguém morre por ser gay. Por isso sempre aplaudi quando alguém famoso sai do armário e demonstra preocupação com a realidade. Aos que denunciam, os que mostram para o resto da sociedade que a homossexualidade é algo tão natural quanto qualquer outra orientação sexual. Esse gesto contribui para que as outras pessoas entendam que ser homossexual não é algo menor.
Devemos erradicar a homofobia, extirpar o sofrimento de milhares de adolescentes que sofrem bullying e que muitos  acabam cometendo suicídio. Pois ser homossexual no Brasil ainda é ser uma aberração. E ninguém quer e gosta de ser rejeitado e apedrejado. Não podemos escolher nossa sexualidade, mas podemos escolher em lutar para que ela seja respeitada. Não pedimos aceitação e nem tolerância, apenas respeito. Como sempre digo, o verbo tolerar por si mesmo é sinônimo de desigualdade de patamares. E ninguém é superior ou inferior pela sexualidade.

domingo, 8 de abril de 2012

Madonna, definitivamente hors concours


Ela está longe de ser considerada a melhor cantora do mundo e tampouco uma excelente atriz, mas não há nenhuma outra figura da música pop internacional que chega perto de ser Madonna.
Não é necessário desqualificar qualquer dessas cantoras que surgiram depois dela, para enaltecer as qualidades e conquistas da que é indiscutivelmente considerada a rainha do pop. É covardia tentar comparar qualquer uma delas com Madonna, assim como é rídiculo alguém tentar compará-la com outras. Ela é hors concours. Mas apesar disso, a comparação com outras artistas, sempre esteve presente na carreira da super star. Desde Cindy Lauper (ótima cantora que foi lançada na mesma época) até Lady Gaga (talentosa e talvez teria superado Madonna se tivesse surgido antes de 1982), passando por uma infinidade de outros nomes pops.
Madonna tem identidade camaleônica e essa característica impede que ela seja definida. Como tentar limitar em algum conceito uma artista que criou tendência e estilo há quase 30 anos e que desde então esteve reinventando-se de forma constante?

 
Além de pragmática, é sensata e dona de si mesma. Os que trabalharam e trabalham com a filha ilustre de Bay City, são unânimes em dizer que ela é muito determinada. Mas o que poderiam falar de alguém que chegou a uma grande metrópole com pouco dinheiro no bolso e tornou-se uma grande celebridade mundial?
Gosto do trabalho de Madonna, mas não perco o tempo discutindo com quem a considera uma artista menor. Considero que o que nos faz gostar de algum artista ou qualquer outra coisa é, inicialmente, a simpatia. E para isso não há explicação. Além disso o critério do que é bom ou ruim é bastante subjetivo.
Agora se falamos da figura que representa Madonna, a história muda. Admiro a trajetória dela e reconheço a grande importância que ela teve para a liberação da mulher e do homossexual nos anos oitenta, não somente nos Estados Unidos, mas também no mundo inteiro. Quando refiro-me a ela como grande celebridade mundial, não é uma afirmação exagerada e parcial. É a artista pop mais famosa do mundo e que soube se manter durante todo este tempo.
 Quando ela surgiu e alcançou o sucesso estrondoso, haviam os que diziam que não duraria muito. O aspecto rebelde passava a sensação de que seria "mais uma estrela pervertida e drogada" que cairia no esquecimento por carência de talento musical ou que morreria de overdose. Mas foi uma previsão preconceituosa e equivocada.  Ela nunca foi viciada em estupefacentes e sempre soube administrar muito bem sua carreira. Além de talento e vocação para os palcos, tem perfil nato de executiva. Tornou-se uma marca e representa a revolução dos anos 80 no mundo do pop e que ditou tendência de comportamento naquela época. Toda mulher queria ser como ela, pois encontravam na figura dela, a personficação dos desejos reprimidos por uma sociedade conservadora e machista. Rompeu tabus sexuais e desafiou ditadores religiosos.
 Seu último disco lançado no dia 26 do mês passado, MDNA, não é uma obra-prima, mas é infinitamente superior a muitos que se encontram no mercado. E ademais, é sempre delicioso escutar Madonna e saber que ela continua na ativa.




sexta-feira, 6 de abril de 2012

Esmalte de unha é a nova moda masculina

O termo metrossexual surgiu há mais de vinte anos no Reino Unido e tornou-se conhecido através do jornalista britânico Mark Simpsons, para definir o homem moderno que se preocupa excessivamente com a aparência, dedicando-se em encontrar uma imagem fashion para exibir-se ao público. O homem que gasta tempo e dinheiro com acessórios, cosméticos, roupas pautadas pela moda e novas tendências.
Em 2002, David Beckam virou sinônimo desta expressão e foi no ano seguinte, quando veio jogar no Real Madri, que escutei aqui na televisão esse neologismo. Foi nessa época que apareceram metrossexuais pelo mundo inteiro. A palavra que a princípio tem conotação sexual, não determina uma identidade e sim um comportamento. Mas popularmente as pessoas os entendem como heterossexuais extremamente vaidosos.
Há mais ou menos dois anos, homens famosos do mundo inteiro, de diversas áreas, vem aderindo à uma nova moda: pintar as unhas, sejam as das mãos ou as dos pés. David Beckam, Cristiano Ronaldo, Seal, Príncipe Harry, Zac Efron, Al Pacino são alguns dos que já foram fotografados seguindo essa nova tendência. O que sempre fora exclusividade para as mulheres, vem ganhando mais adeptos entre os homens.


A indústria cosmética nas duas últimas décadas vem ampliando os lucros com produtos exclusivamente para homens. E agora por demanda, põe outro item no mercado.




A empresa americana AlphaNail lançou recentemente no mercado esmalte de unha para homens, ofertando uma variedade de cores, com o slogan: "Desenhado para homens. Usados por guerreiros."

Plante seu pé de maconha

A legalização da maconha permitiria taxar sua venda e com isso o tráfico, maior responsável pela criminalidade no país, cairia consideravelmente. Mesmo com imposto alto, o preço seria mais barato e quebraria o comércio ilegal. Não existem números expressivos de crimes consequentes pelo contrabando de álcool e tabaco, essa prática é quase nula, pois economicamente não vale a pena. No ranking de nocividade à saúde, essas duas drogas legais ocupam o primeiro e o sexto lugar, respectivamente, e a maconha fica em oitavo, de acordo com o Comitê Científico Independente para Drogas do Reino Unido.
A lei seca que proibia o consumo de bebidas alcóolicas nos Estados Unidos, nos anos vinte do século passado, teve como consequência o aumento de poder dos mafiosos, o legendário Al Capone surgiu nessa época. Treze anos depois, em 1933,  essa emenda constitucional foi abolida e a violência nas ruas foi acabando de forma paulatina.
Independente de valores morais, tento enxergar essa questão de forma pragmática. O que o mundo está constatando é que a guerra declarada às drogas não tem funcionado em nenhum lugar. Os verdadeiros traficantes permanecem livres, são milhonários e nunca vão presos. Existe todo um sistema de corrupção que envolve a classe política e o judiciário. Os que superlotam as cadeias e os cemitérios são os mais fracos, conhecidos vulgarmente como "mulas". O número de presidiários por crimes não violentos relacionados às drogas é alto. Cada preso custa uma média mensal de 1.300 reais ao Estado. Cerca de 80%  acaba reincidindo, quando voltam às ruas. Na realidade o sistema carcerário brasileiro é uma verdadeira universidade do crime.


Em alguns países onde os usuários de drogas deixaram de ser criminosos e passaram a ser considerados doentes, a violência também diminuiu e o consumo também. Do ponto de vista econômico e social é mais vantajoso entender a dependência de narcóticos como uma patologia do que como um crime.
A maconha é a droga ilegal mais consumida no Brasil, torná-la legal poderia ser uma via para o Estado garantir impostos e com eles tratar aos dependentes. Abalaria o poder econômico dos traficantes e consequentemente haveriam menos armas em circulação e menos vítimas colaterais.
O governo deveria abandonar a punição aos drogados. Deveria investir mais em prevenção e tratamento. Se o sujeito decide usar droga, que seja respeitado o seu direito individual. Que não dê dinheiro ao traficante, ampliando seu poder de fogo, gerando mais violência nas ruas. A maior causa da violência no Brasil é a droga, não ela em si, mas sim o tráfico dela. Com a legalização, se o sujeito decidir usar drogas, que seja ele que pague as consequências e não os demais.
Pesquisas revelam que o número de fumantes no país vem decrescendo a cada ano. A tendência de queda no consumo de tabagismo é devido, fundamentalmente, à contra-propaganda ao hábito de fumar e também as restrições em vários lugares.
O nosso país é complexo e esse assunto gera muita polêmica. Obter dados de países europeus onde algumas leis vem mudando em relação aos estupefacentes, como referência, seria inútil. A cultura e mentalidade da sociedade europeia são diferentes da brasileira. Tanto o Brasil, como os demais países das Américas, precisam revisar imediatamente se as leis atuais são efetivas no combate às drogas. Essa guerra foi iniciada há décadas, foram gastos trilhões e trilhões de dólares ao longo desses anos, desde a Argentina até os Estados Unidos. Milhões de vidas foram ceifadas por conta da violência que gera o tráfico. É uma guerra perdida.
Não faço apologia a nenhum tipo de droga e tampouco sou usuário de maconha. Apenas observo que a hipocrisia e a dupla moralidade da sociedade são os principais fatores que impedem de encarar esse verdadeiro problema de forma mais objetiva.
Enquanto não houver a legalização, você  que é maconheiro (uso o adjetivo de forma literal sem a intenção pejorativa), plante seu pé de maconha. Utilize sua produção para consumo próprio e deixe de ser cúmplice dos traficantes. Como é um tema difícil até para o próprio governo lidar, faça um boicote ao seu fornecedor. Ele é vítima das circunstâncias e escravo dos grandes senhores.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

"On the Road"


"On The Road" é um clássico da literatura americana contemporânea. Jack Kerouac escreveu esse romance de uma tirada, entre 2 e 22 de abril de 1951, em apenas um parágrafo. O livro só foi publicado em 1957 e ao longo do tempo tornou-se um épico geracional, considerado como um dos mais influentes do século XX, no mundo.
Com forte teor autobiográfico, a história conta sobre as viagens que o autor fez, acompanhado de amigos (Neal Cassady, William Burroughs, Herbert Huncke, John Clellon Holmes e Allen Ginsberg), pelas estradas dos Estados Unidos e México, entre 1947 e 1950.
O rechaço contra o sistema impoluto e conservador da cultura estadunidense fez com que Jack e seu grupo transgredissem as normas, e encontrassem no sexo livre, nas drogas, na poesia e no jazz, uma identidade mais livre. Kerouac é por direito o pai da geração beat, expressão que influiu de forma direta em todos os movimentos posteriores que questionavam os valores tradicionais, como o hippie, por exemplo. A liberação dos pecados, a liberdade de expressar o desejo sem pudores e a espiritualidade desde a perspectiva oriental, contribuiram para catalisar a liberação da mulher, dos negros e dos homossexuais.


                                 A adaptação para o cinema


A história da adaptação para o cinema poderia ser também outro roteiro de filme. Desde o ano da publicação do livro, o próprio autor tentou levar para a tela grande a história de Sal Paradise e seus amigos, entrando em contato com Marlon Brando, envolvendo posteriormente grandes produtoras, mas nunca houve um acordo. Em 1979, Francis Ford Copolla (um dos principais cineastas do mundo) comprou os direitos e contratou vários roteiristas ao longo do tempo, mas por várias circunstâncias não chegou a sair do papel. O livro que é de uma época relativamente distante e narrado em primeira pessoa é complicado adaptá-lo, o próprio Coppola constata isso.
Nas inúmeras tentativas de produção, nomes como Ethan Hawke, Brad Pitt, Billy Crudup e Colin Farrell chegaram a ser cogitados para interpretarem os protagonistas.
Quando Copolla assistiu o filme de estrada "Diários de Motocicleta", ofereceu a Walter Salles a direção do projeto.  O diretor brasileiro aceitou de forma quase imediata. Para familarizar-se com a história, percorreu o trajeto citado no livro e conversou com pessoas que tiveram contato com Keroauc, produzindo assim o documentário "Searching for On the Road" (Em Busca de On the Road).
Uma das exigências de Salles era de que os atores fossem desconhecidos, para garantir a integridade autoral, segundo conta Marcos Strecker no livro "Na Estrada, O Cinema de Walter Salles". Mas com o filme já produzido, vemos que Copolla conseguiu convencê-lo do contrário e chegaram a um acordo equilibrado.


Kristen Stewark, Sam Rilley, Garret Hedlund, Amy Adams, Tom Sturridge, Vigo Mortensen, Terrence Howard, Elisabeth Moss e Alice Braga compõem o elenco, além de outros nomes. O diretor brasileiro contou com José Rivera para a adaptação do roteiro, com quem já havia trabalhado em "Diários de Motocicleta".


Uma produção de 25 milhões de dólares, envolvendo profissionais de vários países, dirigida por um dos melhores diretores do mundo, levará finalmente para o cinema, depois de 45 anos de espera, o livro que revolucionou de forma direta (e indireta) o mundo ocidental como conhecemos hoje.


Estou na expectativa  para assistir esse filme. Walter Salles faz poesia com a câmera, tem uma sensibilidade ímpar e um grande talento para expressá-la em seus trabalhos.
No dia 19 de abril, sairá a lista com os filmes que serão apresentados no Festival de Cannes, que acontecerá este ano entre 16 e 27 de maio. Embora ainda não esteja confirmada oficialmente, a primeira apresentação de "On The Road" acontecerá em território francês.
No Brasil, a estreia está prevista para o dia 15 de junho e ainda não está definido o título em português. Provavelmente será "Pé na Estrada" ou "Na Estrada". Estaremos aguardando. Veja abaixo o trailer do filme.






terça-feira, 3 de abril de 2012

O "jeitinho brasileiro"

Sérgio Buarque de Holanda, no livro "Raízes do Brasil", publicado em 1936, foi um dos primeiros a analisar a formação cultural do brasileiro. "O Estado não é uma ampliação familiar"_ afirma em uma das frases de sua obra."O homem cordial" foi a expressão usada para referir-se à nossa despreocupação com a ética. Embora a cordialidade é vista como algo positivo, ele a definiu como negativa e isso gerou várias discussões, mas o que o autor pretendia era descrever que a cordialidade, literalmente, é um ato cometido pela emoção e que se opõe à razão. Ocorre no círculo familiar e de amizade e se estende a outros âmbitos sociais.
Essa característica que foi incrustada no dna da nossa sociedade e que foi cunhada como "jeitinho brasileiro" é responsável pelo cenário atual do país. Herança de nossos colonizadores, intensificada pela mistura de culturas, a informalidade tornou-se algo comum para nós brasileiros. Somos avessos à disciplina, não respeitamos regras sociais e não acreditamos nas instituições, porque as mesmas são compostas por nós mesmos.


A emoção e a razão caminham por vias paralelas, dificilmente elas se cruzam. O apelo emocional para resolver qualquer tipo de assunto é inerente à nossa cultura. Somos permissivos e condescendentes com os que sabem nos tocar o coração, e não é muito difícil, porque somos ilustramente cordiais. E isso quase sempre viola a razão.
A corrupção é apenas uma consequência desse comportamento. Estamos acostumados a dar um jeitinho em tudo, inclusive isso é altamente cultuado pela gente. O que leva vantagem, o malandro, o esperto, o que burla as leis para benefício próprio é visto com simpatia.
Há muitos alienados defendendo partidos políticos e outros  institutos como se os mesmos não fossem formados por pessoas. Essa paixão é outra manifestação de cordialidade. Não conseguimos ser imparciais o suficiente na hora de defender ou acusar. Normalmente fazemos pela emoção, ignoramos as regras básicas de uma sociedade democrática, porque na verdade nós ainda não as conhecemos.
Toda unanimidade é burra assim como toda generalização. É claro que existe uma parcela da sociedade brasileira que realmente se preocupa com a honestidade e reconhece que o caos perpetuado no país é fruto da conivência com a corrupção. Mas a maior parte desse grupo se limita em expressar apenas com palavras essa indignação. Na verdade, esse descontentamento é tão verdadeiro quanto à forma quadrada do sol. Não nos indignamos o suficiente, na verdade pequenos atos desonestos não são tão terríveis sob a nossa visão. Fomos construídos desta maneira.
O "cafezinho" para o guarda de trânsito não aplicar uma multa. Furar fila. Não devolver o troco demais recebido no caixa do supermercado. O voto no vereador que nos dará um bom emprego. Comprar atestado médico. Consumir produtos roubados. São pequenos gestos que fazem parte do cotidiano do brasileiro comum e que reflete em alta escala, o fisiologismo na classe política. Podemos dizer que no Brasil "a ocasião faz o ladrão" sem medo de ser injustos.
A impunidade pelos crimes cometidos. Afinal os que deveriam punir estão igualmente comprometidos. É só esperar outro "escândalo" aparecer para que o anterior acabe sendo esquecido e assim todo mundo fica em paz. O "jeitinho brasileiro" está presente em tudo. É tudo feito "nas coxas".
Enquanto a nossa mentalidade não mudar, continuaremos driblando dia a dia, as adversidades consequentes dos nossos feitos como forma de sobrevivência, e qualquer passo fora da lei estará sempre justificado no nosso juízo. Afinal, somos inimigos de nós mesmos.
Para mudar o rumo do Brasil é fundamental uma reflexão de autocrítica. O modelo democrático é o ideal para qualquer sociedade, pois garante o direito de igualdade a todos,  sem "jeitinho brasileiro". Para defender esse sistema é imprescindível fortalecer os valores básicos de civismo no cidadão comum. O nosso país tem todos os recursos necessários para ser uma grande nação. Romper com a tradição da malandragem parece utópico. Mas como diz o escritor uruguaio, Eduardo Galeano, "a utopia estará sempre fora do nosso alcance, mas ela serve para a gente continuar caminhando..."
Nós brasileiros, somos extremamentes generosos de coração e primitivos na razão. Devemos procurar um equilíbrio saudável para salvar-nos de nós mesmos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A importância dos livros

Segundo a pesquisa encomendada ao Ibope Inteligência pelo Instituto Pró-Livro, realizada entre os meses de junho e julho do ano passado, o brasileiro lê em média 4 livros por ano, sendo que 2,1 até o fim (os dados são similares aos dos Estados Unidos, que assim como no Brasil, a Bíblia é o livro mais lido). Na França esse número quase triplica, os franceses leem por volta de 11 livros.
As mulheres leem mais do que os homens na maioria dos países. Podemos considerar que apenas um terço da população brasileira tem o hábito de ler. O restante alega que o alto custo dos livros e a falta de tempo são os motivos pelo desinteresse da leitura. Evidentemente, são razões justas, mas percebemos que o hábito de ler não é uma das prioridades do brasileiro.
A internet, televisão, rádio, jornais, revistas e outros veículos de entretenimento e informação são plataformas importantes e imprescindíveis para a sociedade atual. Mas quando não existiam essas ferramentas, os livros eram os que ajudavam na formação intelectual e culta dos cidadãos.


A facilidade de comunicação nos dias atuais permite a chegada de inúmeras e distintas informações diariamente. Existe uma porcentagem exorbitante de pessoas que não chegam ao aprofundamento de nenhuma delas. Navegam na superficialidade das manchetes, formam juízos sem reflexão e não chegam realmente a pensar.
Estamos programados como robôs. O número de responsabilidades pessoais que assumimos e que temos de cumprir nos conduzem ao final da estrada sem ao menos olharmos as paisagens. Estamos tão ocupados com o nosso próprio mundo que não pensamos, vamos correndo no piloto automático.
A leitura é um ótimo hábito para aprender a pensar. Nos permite conhecimento, amplia nossos critérios críticos de análise e é um ótimo  exercício para o cérebro. Uma sociedade que lê é uma sociedade mais culta e menos conivente com as injustiças sociais, porque a capacidade de reflexão nos leva a entender nossos direitos e deveres, princípios básicos para qualquer nação desenvolvida.
Como não existe um fomento real de literatura no Brasil, o brasileiro considera a prática da leitura uma questão menor. O preço caro dos livros também é um fator que impossibilita aos leitores habituais de adquirir mais títulos.
Os livros são alimentos para o desenvolvimento da mente assim como a comida para o corpo.
Parabéns aos que leem, aos que sobrepassam a realidade inóspita à leitura. Ler é destruir o câncer que é a ignorância, mãe de todos os preconceitos.



domingo, 1 de abril de 2012

Encontram Ulysses Guimarães


A polícia investigativa de Sergipe confirmou esta tarde que os restos mortais encontrados no litoral sul do estado,  trata-se realmente do político Ulysses Silveira Guimarães, falecido em um acidente de helicóptero no dia 12 de outubro de 1992, juntamente com sua esposa D.Mora, o senador Severo Gomes e a esposa deste, além do piloto.
Depois de quase vinte anos do acidente, que ocorreu em Angra dos Reis-RJ, as autoridades haviam encerrado o caso há muito tempo.
No final de novembro de 2011, um garoto de cinco anos, P.D.A, brincando na areia da praia do Saco, encontrou acidentalmente um crânio. Seus pais chamaram a polícia, que quando vieram, acabaram encontrando o resto da ossada. O material foi enviado a São Paulo para a pesquisa forense. A polícia acreditava que pertencesse a um turista americano, desaparecido há cinco anos na região.
Os exames dos laboratórios, em todo o mundo desenvolvido, seguem normas rígidas, que procuram preservar a precisão dos resultados e a reprodutibilidade dos testes, que são requisitos fundamentais de qualquer análise científica. Em São Paulo, as normas utilizadas são as mesmas dos laboratórios de Ciências Forenses da Inglaterra, o Forensic Science Service. Com um banco de dna de familiares de pessoas desaparecidas, os responsáveis pelo processo ficaram surpresos com o resultado.
Os parentes do que fora um dos políticos mais importantes do Brasil receberam a notícia com incredulidade. Os exames foram repetidos com nova coletagem de material de dna, fornecido pela filha, Celina Campello.
O caso continua sob investigação policial, mas a equipe jornalística do programa Fantástico conseguiu informações seguras e precisas e promete levantar muitas suspeitas sobre um assunto que já havia caido no esquecimento da população.
Os restos mortais encontrados no litoral sergipano pertencem realmente a Ulysses Guimarães? Qual seria a explicação para encontrá-los a quase 2000 quilômetros de distância do local do acidente que presuntamente o havia matado?


As respostas veremos hoje no Fantástico.

sábado, 31 de março de 2012

Diamante de cinzas humanas

A mente humana é o objeto mais complexo do mundo. Existe uma diversidade infinita de gosto e comportamento. Há poucos dias fiquei sabendo da produção de diamantes feita a partir de cinzas humanas. Isso já vem acontecendo há alguns anos e está se tornando cada vez mais popular. Parece que eu fui um dos últimos a saber. Então fui pesquisar a respeito e deixo aqui uma síntese das informações que obtive, para alguém que ainda não tenha ouvido falar sobre esse assunto.
A natureza demora milhões de anos para transformar o carbono em diamante, que são formados a 80 e 190 kilômetros abaixo da superfície terrestre, pois é nessas profundidades que existe a pressão e temperatura adequadas. As pedras sobem à superfície com a ajuda dos vulcões.


Pois em 2004, na Suiça,  Rinaldo Willy e Weit Brimer patentearam uma técnica (alta pressão e alta temperatura) desenvolvida na Rússia, para fabricar diamantes com as  cinzas resultantes da cremação de corpos, que nada mais é que puro carbono, em apenas seis semanas.
A pioneira Algordanza conserva a coloração própria que adquire cada diamante, a cor varia de acordo com os minerais encontrados nas cinzas do defunto. Mas já existem outras empresas que produzem da cor que o cliente solicita.
 A partir de 300 a 500 gramas das cinzas restantes do corpo humano (que varia em média entre 2 a 3 quilos) já é possível fabricar um diamante artificial nitidamente incolor.
A indústria de diamante humano está se estendendo pelo mundo, com funerárias que prestam esse tipo de serviço em países como Espanha, Rússia, Ucrânia, Estados Unidos, Brasil, etc. Em alguns deles, inclusive, essa opção é oferecida por algumas companhias de seguros.
No Brasil, os preços variam entre 8 a 28 mil reais, dependendo do quilate da joia.
Existem diversas formas das pessoas encontrarem consolo com a perda dos seus, e pelo visto, essa vem sendo uma nova via para muitos.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Como ficar rico no Brasil investindo pouco dinheiro

A Constituição Federal estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção de culto e as suas liturgias. Estabelece também a imunidade tributária.
Para abrir uma igreja no Brasil é necessário uma quantia inferior à 500 reais e em menos de 10 dias úteis, você já tem a licença nas mãos e pode abrir as portas para a prática religiosa.
Se for um bom orador e convencer um número expressivo de fiéis, pode abrir novas filiais. Já quando o negócio gerar lucros e decidir construir templos para atrair uma quantidade maior de clientes, é só manter algumas obras de assistência social, que a isenção de pagamentos de impostos continuará vigente.

                            Templo da IURD em Nova Yorque

O público-alvo é a classe social pobre. Privados de educação de qualidade, a maioria carece de critérios de discernimento e são incapazes de identificar o quanto são utilizados e manipulados. Segundo alguns estudos, a faixa etária destas pessoas é de 41 a 65 anos. O número de jovens entre os 16 e 25 anos também é relevante, este dado se explica pelo fato de terem herdado a crença dos pais.
Edir Macedo é um dos mais bem sucedidos neste ramo. Fundou a Igreja Universal do Reino de Deus há 35 anos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Atualmente tem mais 5 mil templos, 13 milhões de fiéis no Brasil e 8 milhões espalhados em mais de 170 países. Em 1991, catorze anos depois da fundação da primeira igreja, o Bispo comprou a Rede Record, em 1998 a Rede Família e no ano seguinte, a Rede Mulher. Hoje, o grupo Rede Record  tem a segunda maior audiência do Brasil e a Record Internacional está presente em mais de 150 países.

Apesar de ter várias denúncias, processos judiciais, escândalos e polêmicas, o passaporte diplomático do grande empresário foi renovado em novembro do ano passado.

Valdemiro Santiago é outro que construiu supostamente um patrimônio importante devido ao mercado da fé. Fundou em 1997 a Igreja Mundial do Poder de Deus, absorvendo membros da IURD, de onde saiu depois de quase vinte anos, após ter problemas com Edir Macedo. Há quatro anos fez parceria com o Grupo Bandeirantes, ocupando o espaço integral da programação da Rede 21, ganhando assim muitos fiéis da igreja do seu mentor.
Vendo seu rebanho diminuindo e o da concorrência aumentando, o bispo tem usado sua rede de televisão para acusar o autodenominado apóstolo Santiago de usar o dízimo em benefício próprio, que por sua vez replica em seu espaço na tevê. Um circo dantesco.


Além dos dois exemplos citados acima, existem muitos outros mais que encontraram no comércio da esperança, uma forma de ganhar dinheiro de forma "lícita".
Se algum religioso chegou até aqui e se sentiu ofendido com minhas palavras, peço desculpas. A ideia não é ferir a sensibilidade de ninguém, mas é difícil não criticar um crime que é feito deliberadamente de forma explícita. Há muitos pecadores nesta história, cada um a sua medida. Uns pecam por ignorância e outros por inteligência, e essa afirmação está isenta totalmente de qualquer julgamento moral.