sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Aprenda a limpar o cooler de um notebook

Internet é realmente uma ferramenta incrível. Não tinha a menor ideia de como fazer para limpar o meu notebook e comecei a pesquisar na rede e acabei encontrando algumas dicas bem úteis.
O ventilador começou a fazer bastante barulho, sinal de que algo não está funcionando realmente bem. Isso aconteceu com o anterior antes de perdê-lo de vez. Infelizmente todos os produtos tecnológicos estão feitos para durar pouco, afinal de contas, os empresários precisam continuar ganhando milhões, mesmo que isso custe o futuro do planeta.
Encontrei o vídeo abaixo no canal de "tecnodigitall" no youtube e o achei bastante didático.



Medo


Não leve o medo ao recôndito de sua alma, pois ali, o máximo que você pode fazer é adormecê-lo. Cedo ou tarde ele desperta, tinhoso como nada no mundo, sempre no momento mais inoportuno. E não me refiro aos reflexos que temos diante de situ
ações de risco, esse instinto é essencial para a nossa sobrevivência e não há nada de errado nele. Me refiro ao temor que é inculcado na nossa mente que serve para nos manipular e ditar nossa conduta. Não acredito na boa educação que não seja dada em liberdade.
O medo ao desconhecido é a cadeia de milhões de seres humanos frustrados com a própria realidade.
Rompa essa corrente, caminhe... viver preso nas dúvidas é desperdiçar a vida. Se ela não te parece maravilhosa, tenha certeza de que a responsabilidade é integralmente sua.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Michael Jackson forever

Hoje o eterno rei do pop estaria completando 54 anos. O seu falecimento precoce impactou o mundo, pois éramos muitos os que esperávamos o seu regresso aos palcos. Não há e provavelmente não haverá outra celebridade mundial como ele. E esse status ele não conseguiu gratuitamente, o seu talento único foi o seu maior motor.
É natural que uma pessoa de tamanha relevância no mundo da música e do espetáculo, e que tinha algumas excentricidades visíveis aos olhos do público, tenha dado renda a infinitas especulações sobre a sua intimidade. Acusar ou defendê-lo é perder tempo e alimentar o cérebro com algo totalmente inútil, pois não serve exatamente para nada. As pessoas mentem e distorcem a realidade para aparecerem na mídia, mas também estão as que contam a verdade. Mas tudo isso é uma grande bobagem. Discutir a vida pessoal de um artista do calibre de Michael Jackson em contextos tão conturbados é pouco inteligente. O melhor mesmo é colocar-se a escutar suas músicas e assistir os videoclipes desse eterno gigante.




sábado, 25 de agosto de 2012

Jessie Ware estreia com "devoção"


Um novo nome surge com força no cenário musical britânico, Jessie Ware. Talento tem de sobra e dá voz a uma mistura de gêneros de maneira refinada.
Com apenas 26 anos, a cantora inglesa esbanja elegância, algo que não é comum encontrar em mulheres na sua idade. Tornou-se conhecida por ter sido a vocalista no disco de estreia de SBTRKT.
Com o respaldo de grandes produtores, o seu álbum de estreia promete chamar a atenção do público. "Devotion" é uma espécie de simbiose entre vintage e new age. O resultado é muito bom.

                                                             Wildest Moments

                                                                 110%

                                                                                     Devotion

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Aos amigos...


Ultimamente sinto potencializado o amor que sinto pelos meus amigos. Sempre fui consciente desse sentimento, mas existia uma série de fatores e circunstâncias que me empurrava para dentro de mim mesmo. É o egocentrismo nato do ser humano. Estamos tão preocupados com as responsabilidades que assumimos que deixamos a vida passar. Nos preocupamos com tantas coisas e não nos ocupamos em viver.
Outro dia conversando com uma grande amiga, ela disse que as maiores conquistas da vida dela foram as afetivas. As materiais, ela sabe, não tem nenhuma importância. Essas palavras são como as canções de amor. Quando não estamos apaixonados, escutamos música e lemos poemas românticos que nos parecem bonitos, mas não os sentimos de verdade. Isso só é possível quando estamos perdidamente loucos por alguém. Aí tudo faz sentido... são como as palavras da minha amiga, se você não sente, elas são apenas conjuntinhos de letras.
A diferença entre uma paixão (que é uma patologia que pode ser maravilhosa, pois ela pode deixar um grande amor como consequência) e o sentimento de amizade é que o segundo não é efêmero... é algo eterno. É um elo que liga para sempre.
O tempo pode passar. As divergências, as brigas, os desentendimentos, a distância e todos os fatores que contribuem para a nossa evolução como ser humano podem interferir em uma relação de amizade. Quando ela é verdadeira, ela pode sofrer inúmeros arranhões, mas nunca morre. E a verdade sobre essa relação sempre tem a ver com o próprio indivíduo.
A amizade é outra expressão de amor. E nela a carência de pedir perdão ou perdoar, desaparece. O seu filho precisa pedir perdão para ser perdoado? Não. E então você pode me dizer que um filho é mais sagrado que um amigo... não sei. Oxalá pudéssemos experimentar a equiparação de amor por todos. Garanto, ninguém perde com isso.
Por isso sou feliz. Nos ensinam que o perdão é um ato necessário para seguir caminhando. Mas quando amamos, ele perde o sentido. Por isso acho equivocado o que muitas religiões pregam. Se Deus é nosso pai, não há necessidade de lhe pedir perdão.
Somos humanos. Falhamos, cometemos erros e muitas vezes repetimos os mesmos reiteradas vezes. Há gente que aprende na primeira e para outros é necessário novas tentativas. Às vezes é importante a distância para oxigenar a relação. Somos variáveis e é humanamente impossível estar em sintonia com o outro de forma constante.
Não peço perdão aos que por algum motivo se afastam de mim carregados de amarguras. Porque eu os amo. Se por alguma eventualidade eu não pude preencher as expectativas de alguém, não me sinto culpado. Sou tão falho quanto você.
Aprendi a não depositar nos outros o meu desejo de que eles sejam personagens obrigatórios para tornar o meu mundo, que é tão complexo, mais agradável. Estou aprendendo a deixá-lo maravilhoso por minha conta e nele há lugar para todos.
Espero que muitos aprendam a curar suas próprias carências e que troquem as masturbações mentais pelas físicas (afinal nosso corpo está desenhado para nos proporcionar prazer também). Não perder tempo julgando os demais e olhar para si mesmo da maneira mais sincera possível. Tentar corrigir o que faz que você não perceba o amor pelos demais.
Posso estar equivocado nos meus conceitos, muitas vezes eu estou e é por isso que amo viver... pois sinto a liberdade de mudar de ideias. Normalmente elas não atingem princípios que considero essenciais para viver feliz.
Se por qualquer coisa você guarda algum rancor ou ressentimento por alguém, não espere o pedido de perdão. Procurar o caminho em você mesmo para que esses sentimentos desapareçam do seu coração é uma ótima alternativa. Viva e deixe viver.


Octogenária restaura fresco Ecce Homo

Essa notícia ontem foi um furor nas redes sociais aqui em terras espanholas, ela é no mínimo engraçada.
Uma octogenária com a melhor das intenções decidiu 'restaurar' um fresco que está exposto na Igreja do Santuário da Misericórdia em Borja (Aragão), norte da Espanha. A pintura, Ecce Homo, do espanhol Elias Garcia Martínez, foi feita no final do século 19 e está à vista em uma das paredes do templo.


Segundo entrevista concedida ao programa "Queremos Falar" da ABC Punto Rádio (Espanha), o conselheiro de cultura da localidade, Juan Maria OJeda, contou que a senhora decidiu por conta própria e risco restaurar o fresco que estava em mau estado por conta da humidade.
O site da prefeitura de Borja informa que a administração já está em contato com uma prestigiosa equipe de restauradores de arte para avaliar o estrago que foi feito e que fará a restauração da obra.
Ecce Homo em latim significa "Eis o homem" que, segundo o evangelho, Pôncio Pilatos havia dito aos judeus, quando entregou Jesus Cristo. No cristianismo é o nome dado a qualquer representação de Cristo em sofrimento. O hashtag do twitter para referir-se a essa anedota foi #eccemono, substituindo o "homo" por "mono", que em espanhol significa "macaco".
Parece brincadeira, mas não é!

video
                                                 Vídeo da reportagem do telejornal de Antena 3 (Espanha)

sábado, 18 de agosto de 2012

Dedos sujos

Perdido em uma rua suja,
com os olhos quase fechados de solidão.
Enxerga o cheiro dos ratos a distância.
Não há repúdio, nem familiaridade.
A indiferença consente a fealdade
e não há quem saiba como findará.
Revirando dentro o que se vê fora,
estirando os dedos até o infinito.
É apenas mais um, isso é apenas outro igual
A incredulidade destrói o mistério,
a crença cega também.
Nada é como foi até quase agora,
a resiliência é solidária e bandida.
Trai os românticos, impulsa a frieza do dom
A tristeza eclipsa o sol do dia mais quente de verão.
Como é possível trajar ainda tantos abrigos
se o inverno ficou lá no norte?
Não procura e nem quer ser encontrado,
apenas espera a morte.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Joaquim Antônio Candeias Junior

                                                 Lata d'água na cabeça,
                                                 Lá vai Maria. Lá vai Maria:
                                                 Sobe o morro e não se cansa.
                                                 Pela mão leva a criança.
                                                 Lá vai Maria.

                                                 Maria, lava roupa lá no alto
                                                 Lutando pelo pão de cada dia,
                                                 Sonhando com a vida do asfalto
                                                 Que acaba onde o morro principia.



"Lata d'água na cabeça, lá vai Maria...", sendo brasileiro, quem nunca ouviu essa canção? É um dos maiores sucessos de todos os tempos e um grande clássico dos bailes de carnaval. Está no subconsciente coletivo tupiniquim e tem a facilidade de embalar muita gente. É coisa regional, é coisa nossa, é coisa brasileira... é obra de Joaquim Antônio Candeias Junior, um dos maiores compositores do repertório carnavalesco do Brasil. "Sassaricando" também é composição dele, que ao longo de sua carreira adotou pseudônimos para viver na tranquilidade do anonimato.
Falecido há três anos no Rio de Janeiro, aos 85 anos, Jota Jr apesar de ter nascido em Belém (PA), soube traduzir bem o espírito carioca em suas obras. O lema que ele adotou para sua vida foi "A vida gosta de quem gosta dela...".
É uma delícia mergulhar no passado e poder conhecer um pouco mais sobre os nossos artistas. Desde o começo do século XX, sempre tivemos músicos excepcionais. Muitos deles acabaram ficando presos ao seu próprio tempo, enquanto outros puderam transcender o calendário e se tornarem eternos. Não por isso significa que os que foram esquecidos sejam ruins, há muita coisa boa no nosso baú.

                                Marlene, A Maior, cantando Lata d'água no filme Tudo Azul (1952)

                               Virgínia Lane, A Vedete do Brasil, cantando Sassaricando no filme Tudo Azul (1952)

                                   Marlene cantando outro sucesso de Jota Júnior, Twist no Carnaval, em 1963 

                                                    Marlene cantando Sapato de Pobre, gravada em 1950


                                                            Confete, gravada em 1951 por Francisco Alves

                         Favela Amarela, gravada por Araci Costa em 1958, carregada de ironia e crítica política

Candeias Júnior trabalhou em parceria com vários compositores de sua época: Braguinha, Alcyr Pires Vermelho, David Nasser, Luiz Bandeira, Humberto Teixeira, Jackson do Pandeiro, Luis Antônio, etc.
Francisco Alves, Orlando Silva, Marlene, Emilinha Borba, Gilberto Alves, Jackson do Pandeiro, Jorge Goulart, Dalva de Oliveira, Aracy de Almeida, "Os Cariocas", Carlos José, Aracy Costa, Miltinho, Helena de Lima, Ângela Maria, Virgínia Lane, Orlando Correia, Linda e Dircinha Batista, Jorge Veiga, Elizeth Cardoso, Ademilde Fonseca, Jair Rodrigues, Nelson Gonçalves, Tânia Maria, Francisco Carlos, Joel de Almeida e muitos outros foram os que gravaram composições deste grande artista.



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A carta de Dora (Central do Brasil)

"Josué
Faz muito tempo que eu não mando uma carta pra alguém. Agora eu to mandando essa carta pra você.
Você tem razão. Seu pai ainda vai aparecer e, com certeza, ele é tudo aquilo que você diz que ele é.
Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira.
Quando você estiver cruzando as estradas no seu caminhão enorme, espero que você lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão no volante.
Também vai ser melhor pra você ficar aí com seus irmãos. você merece muito muito mais do que eu tenho pra te dar.
No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto.
Eu digo isso porque tenho medo que um dia você também me esqueça.
Tenho saudade do meu pai, tenho saudade de tudo.
Dora
"
                                           Música de Antonio Pinto e Jaques Morelenbaun

Não consigo saber exatamente quantas vezes assisti "Central do Brasil", mas posso afirmar que sempre quando Dora começa a ler a carta escrita a Josué, acabo me emocionando muitíssimo. É simplesmente belo.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Adele: quando o talento fala por si mesmo

É muito, mas muito agradável escutar Adele. Há um ano e quatro meses eu pude ouví-la por primeira vez e foi "amor a primeira ouvida". Como não costumo escutar rádio, não desconhecia se a cantora era nova no mercado ou não. Mas lembro que disse: "Ela é muito boa, vai fazer muito sucesso". Mas ela já estava fazendo.
Fiz uma pesquisa exaustiva sobre ela na internet, queria saber quem era aquela garota que estava conquistando o mundo. De repente, comecei a escutá-la em todos os lugares. Bares, discotecas, no semáforo fechado e também quando começou o verão, época em que os vizinhos abrem as janelas e revelam os seus gostos musicais.
E eu a achei linda desde a primeira vez que a vi. Linda no sentido exato da palavra. Ela não dançava e a sua forma física era totalmente atípica para os padrões de cantoras de sucesso, que usam o corpo e o baile como conjunto para alcançar um público maior. Opa, eis que surgia uma cantora jovem que não estava preocupada exatamente em ter ou não curvas. E o melhor de tudo, vencendo pelo talento a ditadura dos padrões predeterminados. Uma gordinha na Billboard. E não foram três ou quatro semanas, foram infinitas. Tampouco uma ou duas canções, foram várias.
Como sempre digo e reitero: a internet é uma ferramenta maravilhosa. Para os que criticam a existência dela, eu sempre digo: "... é como a faca, muitos usamos para cortar alimentos e poucos para tirar vidas." E que alimento maravilhoso para os nossos ouvidos ávidos por vozes que nos estremeçam foi dado no perfil daquela menina londrina no falecido MySpace.
"19" e "21"... queremos 24, 25, 26, 27, 28 e assim sucessivamente até acabar o mundo. Embora entendemos que ela é uma artista e necessita tempo para criar. Acho bonito esse respeito que ela tem pelo próprio trabalho e também aos fãs. Pode haver toda uma maquinária capitalista e vários assessores por trás dela, mas ela demonstra uma independência incrível. Seja verdadeira ou falsa, não importa. Nem importa se ela a partir de agora emagreça (depois da gravidez, obviamente) e dance coreografias chatas ou contagiantes. Já não importa o gênero musical e tampouco a letra de suas canções... o que ela cantar, será especial como a voz que tem.
Explico o meu entusiasmo e a certeza de que Adele é realmente suprema. Passou-se um ano do último verão europeu... eu e os vizinhos continuamos escutando as mesmas canções com a mesma gana. Muitos sucessos são efêmeros, principalmente quando são apenas pegadiços e carecem de qualidade musical. Duram uma estação e logo desaparecem. O que ganha simpatia inicialmente se esgota pelo excesso e surte o efeito oposto. Muita gente começa um verão  adorando uma canção e logo acaba sentindo aversão da mesma no final da temporada. Mas Adele é diferente, é essa cantora super talentosa que surgiu, tornou-se extremamente popular e é capaz de agradar a ocidentais e orientais. Nem o exagero de sua popularidade põe em dúvida para os mais elitistas o talento que ela tem.
Enquanto ela espera o bebê, já deu início aos trabalhos de seu terceiro álbum.


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domingo, 12 de agosto de 2012

A vigorexia

Atualmente qualquer pessoa que dedique parte do seu tempo a praticar esporte e apresente um resultado físico que muita gente deseja é considerada vigoréxica . Os extremos estão sempre distantes do equilíbrio ideal para uma vida saudável. Por isso não devemos frivolizar um assunto tão sério.
A vigorexia é um transtorno disfórmico corporal como a anorexia, que está no extremo oposto da mesma corda. Assim como o anoréxicos não conseguem sentir que estão suficientemente magros, os vigoréxicos nunca estão satisfeitos com o volume de sua massa muscular.
São muitos os esportistas que conheço que criticam esse rótulo, dizem que os médicos diagnosticam essa patologia de maneira irresponsável. Na verdade, assim como para um alcoólatra é difícil reconhecer o seu problema, para os vigoréxicos, a situação é exatamente igual. Por isso se exige muito tato e delicadeza na hora de abordar o assunto com alguém que sofre esse desequilíbrio.
Para sanar qualquer transtorno, o passo mais importante é reconhecê-lo. É difícil renunciar o que se deseja e o que se sente se não consideramos realmente um problema para as nossas vidas.
Esse distúrbio está relacionado com a autoestima. Ao longo da vida ela oscila de acordo com as circunstâncias e isso é humanamente natural, mas quando buscamos vias para aumentá-la de maneira errônea, isso acaba supondo um grave problema.
Relacionar a autoestima exclusivamente com o físico, tal como é ensinado e propagado a quatro ventos é a forma mais equivocada que existe para encontrar o bem estar.
Existem muitos padrões estabelecidos e que aceitamos sem questioná-los. Ninguém quer ficar gordo porque isso supõe um grande risco para a saúde, pois se assim fosse, não seriam vendidas tantas drogas e dietas agressivas para perder peso. É porque atualmente é esteticamente incorreto estar com quilos sobrando. Existe um modelo oficial de peso e medidas para homens e mulheres. Não importa o caminho, mas o importante é se encaixar nele.
A forma mais adequada de manter a autoestima não é exercitar os músculos e se encher de anabolizantes e esteróides  para lograr o "corpo perfeito". O ideal é cuidar da mente e adquirir inteligência emocional. O casamento do corpo com a mente é a união perfeita onde ambos se protegem mutuamente de qualquer tipo de violência. Existe algo mais agressivo que encher o corpo de produtos, obrigando nossos órgãos vitais a trabalhar muito mais do que a sua capacidade permite? Achar que não está forte o suficiente, mesmo quando a balança e as roupas digam o contrário não é violento para a própria mente? É outra forma de escravidão.
A percepção da autoimagem nunca é satisfatória para os vigoréxicos, mesmos quando tenham ultrapassado as medidas consideradas normais para a sua idade e altura. Por isso acabam vivendo exclusivamente para o corpo, passando horas nas academias, levantando pesos cada vez maiores, ingerindo até produtos ilegais para aumentar a massa muscular. Sempre acham que estão fracos e pequenos. E como a prática de esportes é realmente recomendada para uma vida mais saudável, a dependência pelo exercício físico está totalmente justificada e não conseguem enxergar que o exagero é prejudicial.
Frequento academias de musculação desde os 18 anos. Sempre gostei de praticar esse esporte e reconheço que houve épocas em que eu estava realmente preocupado em ganhar mais massa muscular e alcançar uma aparência que considerava ideal. Felizmente o exercício para fortalecer e tonificar os músculos nunca chegou a ser realmente um problema, pelo contrário, sempre foi muito positivo. Nunca renunciei nenhuma atividade para estar em uma academia treinando. A prática adequada de qualquer esporte aumenta a produção de endorfina e assim, a sensação de bem estar é garantida. Mas no caso dos vigoréxicos, eles acabam se tornando dependentes disso também. Um dia sem ir à academia representa fracasso, tristeza, culpa e decepção consigo mesmo. Uma semana sem levantar ferro, na sua cabeça, determina o castigo imposto por ele mesmo de não participar nas atividades em seus grupos sociais, que normalmente são escolhidos de acordo com a sua patologia narcisista.
É triste quando alguém deixa ser ser pessoa para se transformar em apenas um corpo. Acaba limitando-se de forma vil assim como qualquer que o faz por outro vício ou doença. Por isso, é importante estarmos atentos aos que estão a nossa volta e, quando encontrarmos pessoas que possam estar sendo vítimas de si mesmas, devemos lhes plantear a situação deles com o maior carinho do mundo. Sem julgamentos ou críticas, pois ninguém se aproxima de outra com ataques. É um assunto sério, esse outro tipo de transtorno mórfico prejudica seriamente a saúde de quem o padece.

Existe um debate onde os fisiculturistas criticam de forma veemente que o que eles fazem seja considerada uma patologia. O certo é que o desejo que aumentar a massa muscular acaba sendo um grande problema para muitos, pois podemos crescer nossos músculos, mas não podemos fazer com que a nossa estrutura mecância o faça também. 
A tara por um corpo perfeito faz com que muitos vigoréxicos acabem apelando para o uso de anabolizantes, e isso traz sérios problemas para a saúde. 
Há dois meses, o ator pornográfico Erik Rhodes faleceu aos 30 anos, vítima de um ataque cardíaco. Dias prévios ao seu falecimento, o ator publicara em seu blog a seguinte mensagem:



Meu ciclo agora … 3000 mg de Teste enanthate por semana, 2500 mg de Nandrolona Decaonate e 300mg de Acetato de Trembolona. Estou esperando o figado parar.
                      
O coração parou antes. E infelizmente o caso de Erik não foi uma fatalidade, e sim, a crônica de uma morte anunciada.
                                                                         A vida é curta demais para buscarmos tantas limitações. 
                              

sábado, 11 de agosto de 2012

Lady Gaga outra vez na Vogue


Ilustrando a capa do 120º aniversário da Vogue, Lady Gaga está mais Lady Gaga do que nunca.
Há quase um ano e meio ela posou pela primeira vez para a revista, que acabou sendo o segundo número mais vendido de 2011.
Na comemoração especial de seu aniversário, a famosa e conceituada revista estadunidense de moda optou por alguém que tivesse a mesma transcedência internacional e que também fosse do mesmo berço.
Lady Gaga é uma grande artista. Jovens e excêntricos aparecem diairiamente no circuito comercial tentando seu lugar ao sol, mas são poucos que possuem o dom que ela tem. Ela é o casamento perfeito de talento com as circunstâncias e apesar de ser criticada, principalmente pelos fãs de outras "divas" que são consideradas suas rivais, a cantora e compositora de grandes sucessos continua no topo e tudo o que faz, vira notícia.
No interior da revista, ela também aparece nua apenas com um chapéu violeta na cabeça como único acessório. Segundo algumas informações vazadas da entrevista, ela declara que às vezes é um pouco irresponsável e age como se tivesse 19 anos. Apesar da fama, ela diz que pode dançar em topless em um bar ou fazer amor na praia sem que ninguém a reconheça.
Ela mesma vazou algumas fotos para a legião de fãs e seguidores que tem no mundo inteiro, através do twitter.



Qual foi o heroísmo de Ayrton Senna?

Herói é um adjetivo que pode ser dado a uma pessoa em diversas situações. Normalmente é outorgado a alguém associado a algum ato de heroísmo ou de coragem.
Não podemos dizer que Ayrton Senna tenha sido um herói , porque ele nunca lutou por outra coisa que não fosse pelo exercício da profissão que amava, assim como fazem milhões em diversas áreas. Ele era tão digno quanto o padeiro que faz o pão com amor para os seus fregueses.
Não foi um ser dotado de super poderes e menos de alguma divindade especial. Não prestou nenhum serviço importante à humanidade. Arriscou e perdeu a vida por um dever escolhido por ele, mas nunca esteve em nenhuma situação onde tivesse que fazê-lo pelo próximo. A sua nobreza era ordinária e nunca fora algo que o caracterizara de forma especial.
Senna é considerado herói pelo brasileiro porque foi exatamente assim que ele foi vendido. Era talentoso, extremamente talentoso, disso não cabiam dúvidas. As vitórias conquistadas por ele enchiam os corações da massa de um país que enfrentava problemas gravíssimos consequentes da tremenda desigualdade social. Era a maneira de um rapaz de família opulenta contribuir de forma conveniente com os pobres. As suas vitórias pessoais alcançaram o status de conquista de um país, como é normal em qualquer tipo de competição internacional. O povo brasileiro na verdade é generoso quando o considera  um homem santo. Embora a generosidade da nossa gente se confunda muitas vezes com  ignorância.
O nosso eterno tri campeão da Fórmula 1 foi herói por ter se sobressaído no que fazia e com a o apoio de uma estrutura capitalista de interesses mútuos conseguiu chamar a atenção para si. Era lindo escutar a "musiquinha da vitória", ver a bandeira verde e amarela na reta de chegada. Ainda não era tão desagradável escutar o chato Galvão Bueno.
Vendo o resultado da competição entre Ayrton Senna e o Lula no programa jornalístico "O maior brasileiro de todos os tempos", no SBT,  não fiquei surpreso com a vitória do piloto na escolha popular. Considero a figura de Lula mais relevante que a de Senna, apesar dela não ser tão imaculada. O ex-presidente teve de tomar decisões bem mais importantes.
Não tenho absolutamente nada contra Ayrton Senna, gostava muito dele e assim como milhões de brasileiros, não perdia uma única corrida. O que é um pouco irritante é a idolatria exacerbada por ele. Se fosse pela maioria, o rapaz seria canonizado pelo Vaticano sem ter cometido outro milagre que não tenha sido o de produzir simpatia pública mesmo sendo tão tímido.



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Whitney Houston completaria 49 anos hoje

Hoje Whitney Houston estaria completando 49 anos. Amanhã faz um semestre que uma das maiores divas da história da música universal foi encontrada morta na banheira do quarto do hotel que estava hospedada, em Los Angeles.
Depois do falecimento de Michael Jackson, foi a morte que causou maior impacto no mundo. Ambos foram vítimas de si mesmos.
Muitos artistas acabaram perdendo a vida pelo uso abusivo de drogas. Eles são apenas os representantes conhecidos de um número assustador de óbitos que ocorrem por complicações consequentes da dependência química.
Assim como Whitney, muitas pessoas que entram para o caminho das drogas acabam morrendo dia trás dia. O desfecho é quase sempre esperado, embora nunca desejado. Ainda quando estão vivos, fica a esperança de que possam superar essa difícil doença. Whitney foi outra das milhões de pessoas que não logrou se livrar dela.
Quase todos começam acreditando que possuem pleno controle sobre elas. É uma triste forma de recreação. Não conheço ninguém que começou usar drogas achando que se tornaria usuário. E infelizmente perdi muitos amigos jovens. Alguns ainda continuam respirando e caminhando pelo mundo, mas nem eles mesmos são capazes de saber onde estão...




O arqueiro e a lua



"Um arqueiro quis caçar a lua.
Noite trás noite, sem descansar, lançou suas flechas ao astro. 
Os vizinhos zombavam dele.
Imutável, seguiu lançando as suas flechas.
Nunca caçou a lua, mas se tornou o melhor arqueiro do mundo." 
(Alejandro Jodorowsky)



Quando desejamos algo, não devemos nos preocupar com as críticas destrutivas, principalmente de pessoas ainda pobres de espírito. Há muitas coisas que são impossíveis conseguir, mas o caminho até elas nos permite continuar vivendo. Então qual o sentido da vida? Depende de cada um. Não há uma cartilha que nos ensina a viver, pois se cada ser somos únicos, nem sempre o que é bom para um é obrigatoriamente para o outro.
Se conseguíssemos destruir metade do nosso ego, provavelmente seríamos mais felizes. Não trataríamos nossos sentimentos como se fossem mercadorias. O amor, por exemplo, não pode ser moeda de troca. Se eu te amo porque você me ama e deixo de te amar, porque você não me ama mais, esse sentimento pode ser qualquer coisa, menos amor. O amor é o sentimento que quanto mais doamos, mais recebemos. Nem sempre vem de onde desejamos... e aí está a questão: não podemos esperá-lo. Mas é importante sermos gratos a tudo que recebemos. Mas a gratidão não é algo que se ensina... apenas se sente, assim como o amor real. Por isso é bom abrir bem o coração.

         Não importa o que você faça, mas seja o melhor


Quando ainda era adolescente, escutava uma frase repetida por muitas pessoas, orgulhosas de si mesmas, convencidas de que o que diziam era o correto. Para mim é um manual de instrução odioso e que é seguido por muita gente. "Não importa o que você faça, mas seja o melhor!"
Esse pensamento no meu ponto de vista é bastante equivocado. Não considero um estímulo positivo. Gera competição, inveja...
Trabalhei durante anos em lojas no Brasil. Era vendedor e o meu salário dependia muito das vendas que eu fazia. Lembro que no último emprego a comissão era de 4% do que se vendia no mês. Mas existia um incentivo. O vendedor que ficasse em primeiro lugar, ganhava 7%. Os que ficavam entre o 2º e 6º lugar, ganhavam 6%; do 11º ao 7º, 5% e aos demais, quatro por cento. Era uma loucura. Uma guerra. Éramos tantos e os conflitos e desentendimentos entre os meus colegas era constante. Não éramos pessoas. Nos tratávamos mutuamente por números. Nos víamos como concorrentes e não como colegas. Para muitos não era difícil tentar enganar os clientes.
Via nos meus companheiros de trabalho o sofrimento que sentiam... os olhos arregalados nas grandes vendas dos demais. Quando algum cliente fazia uma super compra e o pagamento era feito através de crediário, assistia a triste torcida dos outros vendedores para que o crédito não fosse aprovado.
Felizmente eu nunca fui para casa preocupado com a venda dos demais. Não considero que por isso eu fosse melhor pessoa que os outros e tampouco um péssimo profissional por não me preocupar com a minha colocação na lista. Apenas me sentia livre. Saia da loja e vivia  a minha juventude. Desfrutava das coisas simples que a vida oferecia naqueles anos. Muitos não dormiam direito.
O mundo é realmente uma selva. Muita gente diz isso. Mas não são capazes de perceberem o quanto são selvagens. Dificilmente conseguimos enxergar em nós o que consideramos defeitos nos outros.
Nunca me preocupei em ser o melhor e nem tenho essa pretensão. E por isso tenho muito mais liberdade que você que está preocupado em ser o melhor no que faz. Tenho certeza de que todos que habitamos esse planeta somos bons em muitas coisas. Cada um tem alguma habilidade especial. A vida é tão curta para perdemos um segundo em tentar ser melhor que alguém. Faça realmente o que você gosta e com certeza será muito feliz. Encontre prazer no seu ofício e provavelmente será especialmente bom nisso. Não importa o que os outros pensem ou esperem de você. O arqueiro não alcançou a lua, mas conseguiu ser muito bom em lançar flechas... e não competia com ninguém!

 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Cerro de los Angeles, epicentro geográfico da Península Ibérica

"Cerro de los Angeles" em espanhol significa "Colina dos Anjos", está em Getafe, município a uns dez quilômetros a sul de Madri.
 É o epicentro da Península Ibérica (território formado por Espanha, Portugal, Andorra, Gibraltar e também por uma pequena parte do sul da França), onde foi construída no alto de sua planície, no século XIV, a Ermita de Nuestra Señora de los Angeles.
Em 1919, o rei espanhol Afonso XIII mandou construir um monumento de 28 metros em homenagem ao Sagrado Coração de Jesus, onde haviam dois grupos de esculturas nas laterais e no alto, uma imagem de nove metros de altura de Jesus Cristo com os braços abertos.
Durante a guerra civil espanhola, os republicanos assassinaram cinco homens que defendiam o Santuário de possíveis ataques que já vinham sofrendo os templos religiosos. Isso ocorreu no dia 23 de junho de 1936, cinco dias depois, o monumento foi destruido por um grupo de milicianos do bando republicano. Primeiramente com as próprias mãos, logo fusilaram a imagem de Jesus e também colocaram dinamites. A esplanada passou a se chamar "Cerro Rojo" (Colina Vermelha) até o final da guerra, em 1939, quando foi recuperado o nome original e em 1944 começou a construção de um novo monumento, uma réplica maior do anterior e que foi inaugurado em 1965.

O monumento atual conta com quatro grupos escultóricos, cujo os dois que estão situados na frente são repetições dos antigos, embora de diferente estilo e ordem das figuras. Representam a Igreja militante e a Igreja triunfante. Os dois que ficam na parte posterior representam a Espanha defensora da fé e a Espanha missioneira.








terça-feira, 7 de agosto de 2012

I love Caetano ("ou não")

Hoje um dos artistas brasileiros mais admirados mundo a fora completa 70 anos. A relação imaginária de fã e ídolo terminou há muito tempo, atualmente a visão que tenho sobre ele é madura. Adorei e destei Caetano dentro da puerilidade que nasce e se perde na vida. Meus sentimentos por ele não eram baseados apenas em sua arte, porque se assim fosse, eu continuaria embasbacado por ele. Caetano ganha e perde quando fala, depende da sintonia do universo de cada um. Sem dúvida é um ser mutante e isso o enriquece ainda mais. Aprendi com ele a separar o que um artista fala e faz. Que as opiniões pessoais quando divergem não importam quando o talento é gigante. Que o egocentrismo e a prepotência estavam realmente dentro de mim e não provinham exatamente dele. Esperava realmente que cumprisse as minhas expectativas e pretendia que ele fosse exatamente igual ao primeiro momento que o escutei: maravilhoso. E ele é. Na verdade todo mundo tem algo espetacular dentro de si.
Controverso, diverso e difícil de compreendê-lo. Olha, eu presto atenção nele e não consigo entendê-lo muitas vezes. Quero dizer, nunca sei o que ele irá falar. Será que é a imprevisibilidade que o torna tão interessante? Não sei.
Admiramos alguém principalmente quando encontramos nessa pessoa algo que nos identifica e julgamos ser o correto. Coragem é uma virtude que conquista todo mundo. A questão é que nem sempre ela pode ser vista de forma objetiva. Às vezes ela até se confunde com covardia, depende da perspectiva de cada um. Posso aqui dizer uma série de coisas que não me agrada na figura de Caetano Veloso, mas para que "fuçar os defeitos" de uma pessoa que possui uma sensibilidade tão singular?
Tive a oportunidade de assistir vários shows dele em Santos, São Paulo e aqui em Madri. Lembro de cada espetáculo, pois poderia dividir as etapas da minha vida de acordo com o sentimento que tinha quando o via. Ele foi o motivo do início de uma grande amizade que tenho até hoje.
"Foreign Sound" curiosamente foi o que mais me impactou. Estive nessa inesquecível apresentação no Palácio de Congressos, aclamada pela crítica espanhola, em 2004. E até hoje quando escuto o disco, vem na minha memória a emoção de vê-lo na minha frente a menos de cinco metros de distância. Na época eu estava a mais de três anos sem ir ao Brasil. Carregava comigo o sentimento nostálgico da terra e dos meus. A sensibilidade estava realmente a flor da pele e até ganhei dois beijos. Mas independente do meu estado emocional, foi um belissímo espetáculo de música e interpretação. Caetano demonstrou ali, ao vivo, o motivo de ter uma casa de espetáculos lotada na capital da Espanha. Muitos artistas quando fazem sua "turnê internacional" é, na verdade, para se apresentar para o público tupiniquim emigrante. Caetano é um dos poucos brasileiros que enche locais com a platéia formada por pessoas nativas do lugar. O cara é merecidamente respeitado e reconhecido no mundo inteiro.
Desejo a esse homem tão especial muita vida e saúde. Que continue desfrutando da produção do pão para famintos como eu.

Gosto de tudo na voz de Caetano Veloso. Mas as versões de canções de Peninha e Bob Dylan são as que me apaixonam com mais facilidade.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Adiós volcán, adiós Chavela

Durante veinte años la busqué en sus escenarios habituales y desde que la encontré en el diminuto backstage de la madrileña Sala Caracol llevo otros veinte años despidiéndome de ella, hasta esta larguísima despedida, bajo el sol abrasivo del agosto madrileño.
Chavela Vargas hizo del abandono y la desolación una catedral en la que cabíamos todos y de la que se salía reconciliado con los propios errores, y dispuesto a seguir cometiéndolos, a intentarlo de nuevo.
El gran escritor Carlos Monsiváis dijo "Chavela Vargas ha sabido expresar la desolación de las rancheras con la radical desnudez del blues". Según el mismo escritor, al prescindir del mariachi Chavela eliminó el carácter festivo de las rancheras, mostrando en toda su desnudez el dolor y la derrota de sus letras. En el caso de 'Piensa en mí', (eso lo digo yo) una especie de danzón de Agustín Lara, Chavela cambió hasta tal punto el compás original que de una canción pizpireta y bailable se convirtió en un fado o una nana dolorida. Ningún ser vivo cantó con el debido desgarro al genial José Alfredo Jiménez como lo hizo Chavela. "Y si quieren saber de mi pasado, es preciso decir otra mentira. Les diré que llegué de un mundo raro, que no sé del dolor, que triunfé en el amor y que nunca (YO NUNCA, cantaba ella) he llorado". Chavela creó con el énfasis de los finales de sus canciones un nuevo género que debería llevar su nombre. Las canciones de José Alfredo nacen en los márgenes de la sociedad y hablan de derrotas y abandonos, Chavela añadía una amargura irónica que se sobreponía a la hipocresía del mundo que le había tocado vivir y al que le cantó siempre desafiante. Se regodeaba en los finales, convertía el lamento en himno, te escupía el final a la cara. Como espectador era una experiencia que me desbordaba, uno no está acostrumbrado a que te pongan un espejo tan cerca de los ojos, el desgarro con tirón final, literalmente me desgarraba. No exagero. Supongo que habrá alguien por ahí que le pasara lo mismo que a mí.
En su segunda vida, cuando ya tenía más de setenta años, el tiempo y Chavela caminaron de la mano, en España encontró una complicidad que Méjico le negó. Y en el seno de esta complicidad Chavela alcanzó una plenitud serena, sus canciones ganaron en dulzura, y desarrolló todo el amor que también anidaba en su repertorio. "Oye, quiero la estrella de eterno fulgor, quiero la copa más fina de cristal para brindar la noche de mi amor. Quiero la alegría de un barco volviendo, y mil campanas de gloria tañendo para brindar la noche de mi amor." A lo largo de los años noventa y parte de este siglo, Chavela vivió esta noche de amor, eterna y feliz con nuestro país, y como cada espectador, siento que esa noche de amor la vivió exclusivamente conmigo. Chavela te cantaba solo a tí, al oído, y cuando el torrente de su voz fue menos potente, (no hablo de declive, ella no lo conoció, hizo y cantó lo que quiso y como quiso) Chavela se volvió más íntima. Las mejores versiones de 'La llorona' las interpretó en sus últimos conciertos. Abordaba la canción con un murmullo, y en ese tono continuaba, recitando palabra por palabra, hasta llegar al épico final. Cantar lo que se dice cantar solo cantaba la última estrofa, de un modo ascendente hasta gritar su última y breve palabra. "Si como te quiero quieres llorona, quieres que te quiera más. Si ya te he dado la vida, llorona, qué más quieres. ¡Quieres MÁS!" Estremecía escuchar la palabra "más" gritada por Chavela.
La presenté en decenas de ciudades, recuerdo cada una de ellas, los minutos previos al concierto en los camerinos, ella había dejado el alcohol y yo el tabaco y en esos instantes éramos como dos síndromes de abstinencia juntos, ella me comentaba lo bien que le vendría una copita de tequila, para calentar la voz, y yo le decía que me comería un paquete de cigarrillos para combatir la ansiedad, y acabábamos riéndonos, cogidos de la mano, besándonos. Nos hemos besado mucho, conozco muy bien su piel.
Los años de apoteosis española hicieron posible que Chavela debutara en el Olympia de París, una gesta que solo había conseguido la gran Lola Beltrán antes que ella. En el patio de butacas tenía a mi lado a Jeanne Moreau, a veces le traducía alguna estrofa de la canción hasta que Moreau me murmuró "no hace falta, Pedro, la entiendo perfectamente" y no porque supiera español.
Y con su deslumbrante actuación en el Olympia parisino consiguió, por fin, abrir las puertas que más férreamente se le habían cerrado, las del Teatro Bellas Artes de Méjico DF, otro de sus sueños. Antes de la presentación en París un periodista mejicano me agradeció mi generosidad con Chavela. Yo le respondí que lo mío no era generosidad, sino egoísmo, recibía mucho más que daba. También le dije que aunque no creía en la generosidad sí creía en la mezquindad, y me refería justamente al país de cuya cultura Chavela era la embajadora más ardiente. Es cierto que desde que empezara a cantar en los años cincuenta en pequeños antros (¡lo que hubiera dado por conocer El Alacrán, donde debutó con la bailarina exótica Tongolele!) Chavela Vargas fue una diosa, pero una diosa marginal. Me contó que nunca se le permitió cantar en televisión o en un teatro. Después del Olympia su situación cambió radicalmente. Aquella noche, la del Bellas Artes del D.F., también tuve el privilegio de presentarla, Chavela había alcanzado otro de sus sueños y fuimos a celebrarlo y a compartirlo con la persona que más lo merecía, José Alfredo Jiménez, en el bar Tenampa de la Plaza de Garibaldi. Sentados debajo de uno de los murales dedicados al inconmensurable José Alfredo bebimos y cantamos hasta el amanecer (ella no, solo bebió agua aunque al día siguiente los diarios locales titulaban en su portada 'Chavela vuelve al trago'). Cantamos hasta el delirio todos los que tuvimos la suerte de acompañarla esa noche, pero sobre todo cantó Chavela, con uno de los mariachis que alquilamos para la ocasión. Era la primera vez que la escuchábamos acompañada por la formación original y típica de las rancheras. Y fue un milagro, de los tantos que he vivido a su lado.
En su última visita a Madrid, en una comida íntima con Elena Benarroch, Mariana Gyalui y Fernando Iglesias, tres días antes de su presentación en la Residencia de Estudiantes, Elena le preguntó si nunca olvidaba las letras de sus canciones. Chavela le respondió: "a veces, pero siempre acabo donde debo". Me tatuaría esa frase en su honor. ¡Cuántas veces la he visto terminar donde debe! Aquella noche en el indescriptible bar Tenampa, Chavela terminó la noche donde debía, bajo la efigie de su querido compañero de farras José Alfredo, y acompañada de un mariachi. Las canciones que ella desagarró en el pasado, acompañada por dos guitarras, volvieron a sonar lúdicas y festivas, donde y como debía ser. 'El último trago' fue aquella noche un delicioso himno a la alegría de haberse bebido todo, de haber amado sin freno y de seguir viva para cantarlo. El abandono se convertía en fiesta.
Hace cuatro años fui a conocer el lugar de Tepoztlán donde vivía, frente a un cerro de nombre impronunciable, el cerro de Chalchitépetl. En esos valles y cerros se rodó 'Los siete magníficos', que a su vez era la versión americana de 'Los siete samuráis' de Kurosawa. Chavela me cuenta que la leyenda dice que el cerro abrirá sus puertas cuando llegue el próximo Apocalipsis y solo se salvarán los que acierten a entrar en su seno. Me señaló el lugar concreto de la ladera del cerro donde parecían estar dibujadas dichas puertas.
Circulan muchas leyendas, orgánicas, espirituales, vegetales, siderales, en esta zona de Morelos. Además de los cerros, con más roca que tierra, Chavela también convive con un volcán de nombre rotundo, Popocatépetl. Un volcán vivo, con un pasado de amante humano, rendido ante el cuerpo sin vida de su amada. Tomo nota de los nombres en el mismo momento en que salen de los labios de Chavela y le confieso mis dificultades para la pronunciación de las "ptl" finales. Me comenta que durante una época las mujeres tenían prohibido pronunciar estas letras. ¿Por qué? Por el mero hecho de ser mujeres, me responde. Una de las formas más irracionales (todas lo son) de machismo, en un país que no se avergüenza de ello.
En aquella visita también me dijo "estoy tranquila", y me lo volvió a repetir en Madrid, en sus labios la palabra tranquila cobra todo su significado, está serena, sin miedo, sin angustias, sin expectativas (o con todas, pero eso no se puede explicar), tranquila. También me dijo "una noche me detendré", y la palabra "detendré" cayó con peso y a la vez ligera, definitiva y a la vez casual. "Poco a poco", continuó, "sola, y lo disfrutaré". Eso dijo.
Adiós Chavela, adiós volcán.
Tu esposo, en este mundo, como te gustaba llamarme,
Pedro Almodóvar
 Texto publicado en el perfil de la productora El Deseo, en la red social facebook.

Chavela Vargas, a personificação da dignidade humana

Ontem partiu uma grande mulher, cuja história pessoal chamava tanto a atenção como o próprio talento. A intérprete que dramatizava cada verso cantado, tinha o dom de expressar a beleza exata que possui a tristeza e a melancolia.
A mulher que atuou onde somente podiam os homens. A mulher que amou outras mulheres e se orgulhava de nunca ter deitado com alguém do sexo oposto.
Uma pessoa que superou uma doença muito difícil: o alcoolismo. Quando se pensava que podia estar próxima do fim, ressurgia com tanta vitalidade e frescor que se não fosse pela alegria de saber que prosseguia, ficaríamos espantados.
O seu último disco foi gravado recentemente aos 93 anos de idade, em homenagem a Federico Garcia Lorca. Esteve aqui em Madri no mês passado, onde se apresentou pela última vez. Quando lhe perguntaram se havia se arrependido de ter feito essa viagem, ela respondeu:
"Eu sabia perfeitamente quais eram os riscos e é claro que valeu a pena. Disse adeus a Federico, aos meus amigos e a Espanha. E agora venho morrer no meu país."
 Apesar de ter nascido na Costa Rica, Chavela morou no México a maior parte de sua vida, mais de sete décadas. É indubitavelmente um dos maiores símbolos deste país e foi em Cuernavaca onde faleceu, cidade a 85 km da capital mexicana.
Chavela teve uma infância muito difícil, mas quando cresceu, fez o que quis da própria vida. Essa foi outra característica sua. É bonito viver da forma que se é e até a o seu falecimento foi um grande exemplo. Viveu e morreu com muita, mas muita dignidade.



domingo, 5 de agosto de 2012

O melhor tiramisù de Roma

Tiramisù em italiano signifca "puxa-me para cima", provavelmente pelo valor energético que tem alguns dos ingredientes usados para a sua preparação. É uma das sobremesas italianas mais apreciadas no mundo e a sua origem é ainda discutida. Alguns indicam que foi inventado pela legendária família Médici entre os séculos XVI e XVII, em Florença. Outros afirmam que foi criado depois da segunda guerra mundial, em Treviso, região de Vêneto.
O certo que pode até haver dúvidas sobre a procedência e a história desse doce maravilhoso, mas quando perguntamos qual é o melhor tiramisù de Roma, a resposta é quase unânime: Pompi, Il Regno del Tiramisù. A casa foi aberta nos anos sessenta e com o tempo passou a ser considerada a "pasticceria" mais famosa da Itália.
Uma grande amiga que mora em Roma foi quem me convidou ao Pompi, acho que na primeira ou segunda vez que estive na cidade. E desde então, quase sempre que retorno, acabo me deliciando com esse manjar. Realmente o tiramisù da Pompi é incrivelmente delicioso. Além do tradicional, existem outros sabores: morango, banana e pistache.
Para quem pensa visitar a Itália e passar pela capital, não deixem de visitar esse lugar famoso pela qualidade dos seus doces. Eles oferecem além de sobremesas, outras iguarias e os preços são razoáveis. Entre aqui para obter mais informações. O endereço é próximo da estação de metrô "Re di Roma", relativamente perto da Igreja San Giovanni in Laterano (considerada a mãe de todas as igrejas do mundo), a poucas estações do centro. É um passeio extra que vale muito a pena.

O Clube dos 36

O Clube dos 27 é o nome dado ao grupo formado por músicos do rock ou blues que faleceram aos vinte e sete anos de idade. Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt Cobain e Amy Winehouse são os mais conhecidos.
Embora pessoas morram em todas as faixas etárias diariamente, existem algumas idades onde esse número é consideravelmente maior e como não há nenhuma explicação lógica e científica, ficamos com as especulações mórbidas que são inerentes a nossa condição humana.
Na numerologia, os ciclos da alma duram nove anos. Com o fim de cada um, começa outro com outras perspectivas e atitudes diferentes do anterior. É a renovação da vida. 9, 18, 27, 36...
Como hoje é o 50º aniversário da morte de Marilyn Monroe, um dos maiores mitos da época moderna, fiz uma pequena lista de outras celebridades que faleceram aos 36 anos de idade.

Marlilyn Monroe é o maior ícone de popularidade dos nossos tempos. Faleceu exatamente há 50 anos, segundo a versão oficial, por overdose de barbitúricos. Fica a dúvida se fora um acidente, suicídio ou até mesmo homicídio, visto que a estrela de Hollywood estava envolvida sentimentalmente com o presidente americano John Kennedy.

Bob Marley, considerado a figura mundial que representa o reggae, faleceu no dia 11 de maio de 1981, quatro anos depois de descobrir o câncer de pele que se estendeu para o estômago, pulmão e cérebro. O dia de seu aniversário, 06 de fevereiro, é feriado nacional em sua Jamaica natal.

Elis Regina, uma das maiores intérpretes da música popular brasileira foi encontrada morta no dia 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos. A versão oficial da causa de sua morte foi por overdose de cocaína , embora familiares, amigos e o namorado Samuel Mac Dowell resistiram em aceitá-la. O primogênito da estrela declarou, anos mais tarde, as dúvidas que tinha sobre a morte da mãe.

Leandro formava dupla com o irmão Leonardo e era um dos cantores mais queridos da música sertaneja. O Brasil rezou pela saúde do artista desde que o diagnóstico de um câncer raro no pulmão fora anunciado. A doença fulminou sua vida em dois meses e no dia 23 de junho de 1998, o país se sensibilizava com a sua morte.

Grande poeta, grande trovador. Renato Russo foi a voz de uma geração no comando da Legião Urbana. Faleceu no dia vinte e dois  de outubro de 1996, em consequência de complicações causadas pela AIDS. Ninguém é insubstituível, mas o vazio deixado pelo cantor na nossa música é perceptível até hoje.

Diana, a Princesa de Gales não era especialmente bonita e tampouco muito expressiva, mas gerava uma grande atração nas pessoas no mundo inteiro. Aproveitou sua grande popularidade a favor de causas humanitárias. Quase quinze anos depois de sua morte, ainda exerce grande fascínio e interesse nas pessoas. Lady Di morreu em um acidente automobilístico no dia 31 de agosto de 1997, em Paris. O funeral dela foi visto por quase três bilhões de pessoas, sendo um dos eventos de maior audiência da história da televisão.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Cauã Reymond, quando a beleza passa a ser coadjuvante

O Brasil é um celeiro de excelente atores. Apesar de eu considerar a beleza uma qualidade subjetiva e não colocá-la por cima de outros critérios, principalmente quando se julga o talento de um profissional, reconheço que no nosso país a combinação entre esses dois adjetivos não é algo frequente. Mas Cauã Reymond, assim como Rodrigo Santoro, Ana Paula Arósio e outros poucos artistas, é especialmente bonito e demonstra uma grande evolução em sua carreira.
Sei que surgiu na televisão depois de desfilar por passarelas internacionais, mas nunca pude acompanhar nenhum trabalho dele na telinha. Mas sim assisti oito, dos onze  filmes em que ele atuou. Estou desejando assistir "Reis e Ratos", a história parece interessante e o elenco é formidável.
Acredito que quando um ator possui uma beleza que seduz a maioria das pessoas, o seu trabalho acaba sendo mais exigido e simplesmente por ser bonito, gera uma grande discriminação. Li e ouvi algumas críticas sobre ele e vejo que as negativas estão baseadas fundamentalmente no preconceito. Não posso julgá-lo pelas novelas que participou, mas sim pelo trabalho dele no cinema.
Quando me simpatizo por um ator, e hei de confessar que por ele inicialmente foi pela beleza (eu o acho lindo), acabo prestando mais atenção na sua vocação. Não me deixo enganar por impostores.
Existem atores medíocres que sob um ótima direção faz um grande trabalho, mas aí o mérito acaba sendo do diretor. Mas como nem sempre a boa química entre ator e direção acontece, percebemos facilmente quem é realmente bom. Um ótimo exemplo é a "Eva Perón" interpretada por Madonna, em "Evita", de Alan Parker. Foi sem dúvida o melhor papel da rainha do pop no cinema. É difícil avaliar o talento de alguém por um único papel, pois não temos outras referências para comparar.
Um bom ator é aquele que é lembrado pelos personagens que representou. Mesmo que sejam papéis coadjuvantes. E nesses dez anos de profissão, já podemos dizer que Cauã veio para ficar e só irá se ele quiser.
Por isso digo e reitero que quando Cauã Reymond atua, o belo rosto desaparece para dar passo ao talento que possui. Torço para que continue crescendo como artista e presenteando a seus admiradores essa brilhante capacidade de dar vida a personagens tão diversos.
                                                           Tito (Ódiquê/2004)

                                                       Bruno (Falsa Loura/2007)

                                                Léo (Se Nada Mais Der Certo/2007)

                                                                   Murilo (Estamos Juntos/2011)

                                                                   Tiago (Meu País/2011)
                                                  Hervê Gianini (Reis e Ratos/2012)