segunda-feira, 25 de junho de 2012

Rafinha Bastos e o tombo do menino mimado

Os critérios são sempre subjetivos, pois quando se trata de relações humanas, especular matematicamente é sempre um grande risco. Mas independente da sensibilidade homo sapiens, a física é a lei que rege o universo e essa sim, é exata e imparcial. Ação e reação. Não falha.
Há mais de um ano, o jornal americano "New York Times" publicou uma pesquisa que revelava que Rafinha Bastos era a personalidade mais influente do twitter. Quais seriam os critérios?
A pesquisa feita não levava em conta apenas o número de seguidores, e sim o quanto se fala da pessoa no twitter e, principalmente, o quanto suas mensagens são retuitadas.
O impacto no protagonista foi o mesmo que sente o menino que arranca risada nos demais, quando tenta ser engraçado em cima do mais fraco da classe. A popularidade induz a continuar agindo na mesma linha. O céu não tem limites e o sofrimento alheio é indiferente. "Chora, tua lágrima é combustível para o meu poder".
Não é dificil ser polêmico quando se tem tanta visibilidade. Esquecer que existem certas responsabilidades quando você tem o poder de comunicar é uma atitude ingênua, típica dos que acreditam serem os donos do mundo. O poder é algo "imaginário", Rafinha!
"Ae órfãos! Dia triste hoje, hein?", escreveu no Twitter no dia das mães, no ano passado.
Em seu DVD, o "comediante" fez uma piada sobre a aparência dos rondonienses. "Eu acho todo mundo bonito. Isso é efeito colateral de uma temporada de shows que eu fiz em Rondônia". No mesmo material, está outra "piada" pela qual é processado pela Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo, onde diz que foi usar uma camisinha com efeito retardante e acabou tendo que internar o pênis na Apae. "Tá completamente retardado hoje em dia".
Curiosamente o DVD recebe o título de "A Arte do Insulto", onde ele conta que é contra filas preferenciais. "As pessoas na cadeira de rodas...Ah, fila preferencial. Adivinha, amigo? Você é o único que tá sentado. Espera quieto, cala essa boca."
"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia... Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço."- outro comentário "engraçado" que gerou polêmica.
Rafinha Bastos faz rir as pessoas que como ele, são medíocres de valores morais.  Não há comédia nas tentativas de humilhar os outros. É como o adolescente na escola que procura popularidade, impondo sua crueldade sem escrúpulo sobre o mais vulnerável. Muitos riem porque preferem que o alvo seja o outro. "Antes ele do que eu".
Mas o calcanhar de Aquiles de qualquer pessoa soberba que se considera poderosa é achar que todo mundo é fraco.
A frase sórdida que usou para tentar fazer graça sobre Wanessa Camargo, que estava grávida, não lhe causaria nenhum outro problema se ela fosse uma pessoa comum e não a mulher de Marcos Buaiz. Essa polêmica e o desfecho da história, todo mundo conhece.
Em entrevista concedida a Marília Gabriela, Rafinha diz não estar arrependido de nada. Que não pede desculpas porque isso atentaria contra a vida e o trabalho dele. Banhado em lágrimas revela que o que lhe preocupa é a repercussão negativa que afeta a sua família. Ora... ele tem família e tem sentimentos. Esse trecho da entrevista mostra um rapaz especialmente egocêntrico e egoísta. Mostra um ser inflado de orgulho de tolo.
A estreia de seu programa na Rede TV foi um fiasco e ainda não houve um programa que desse 1 ponto de audiência.
O menino mimado descobriu que não é tão engraçado e que a influência que tem é realmente "imaginária". Isso lhe causa tristeza. Até o faz chorar. É necessário tempo para assimilar que não tem a capacidade dos grandes, em insultar sem ofender, e  que isso realmente é uma arte, mas que ele ainda não domina.

9 comentários:

Matheus disse...

Eu sou fã do Rafinha e fui vítima de bullying Senhor Dirceu Cateck, você acha que os fãs do Rafinha são mal educados, insensíveis.
Vou te falar a minha opinião: eu sou fã do Rafinha, assisto o SNL, e como qualquer fã tem coisa que eu curto mais tem coisa que curto menos, mas sou fã dele

DIRCEU CATECK disse...

Matheus, não generalizo, mas acredito que boa parte seja assim.
Grande abraço!

Matheus disse...

Dirceu, teve outro comediante que está na televisão mais precisamente no Agora é Tarde chamado Leo Lins que fez uma piada que envolvia a cidade de Campos dos Goytacazes-RJ e ele disse que era o lugar das pessoas mais feias. Para vc ver a piada e seu contexto entre no blog http://comedianteleolins.blogspot.com.br/
Ele fez piada sobre a cidade de Campos dos Goytacazes e ninguem enche o saco dele por causa dessa piada mas enchem o saco do Rafinha com a piada sobre Rondônia porque para os blogs, portais de notícia é sinonimo de audiência.
Dirceu se vc comentar de um comediante vc tem que falar de um outro que faz piada com este mesmo tema.
Muito obrigado por ter me respondido

Vini DLuca disse...

Cara, tem umas coisas que são exageradas.

A piada do estupro é uma piada ruim, simlpes. A idéia dela eu entendo, mas ela foi mal escrita.

A piada de Rondônia eu já vi em uns 3 shows dele e sempre é uma cidade diferente, quando eu vi o show deles aqui em Natal a cidade usada foi "Fortaleza" por ter uma fama entre algumas capitais do NE que tem gente feia. Sacou?

Já vi palhaço de circo fazendo essa piada há 10 anos atrás, é uma piada velha mesmo. É igual a fazer um show em SP e dizer que torcedor do Corinthians é flanelinha, aqui seria o ABC, no RJ seria o Flamengo.

O que eu acho é que pegaram o cara pra Cristo, Rafinha é um cara que tem ótimas piadas e, consequentemente vai errar em escrever algo.

O engraçado é que 85% das pessoas que chamam ele disso e daquilo acham o Louis C.K. (cara que eu sou muito fã) genial, mas o humor do Louis é tão cáustico quanto do Rafinha. É o cara que ri muito com "Family Guy", que tem um humor 500x mais incorreto do que o do Bastos.

Matheus disse...

Concordo com o comentário do Vini DLuca, todos humoristas fazem piada com este assunto e quase ninguém enche o saco e aí só processam e criticam o Rafinha e outros por muitos deles estarem em ascensão na mídia e nos meios de comunicação e para eles é importante falar do Rafinha pois é sinonimo de audiência e dinheiro.
Qualquer um clica em uma matéria que tem o nome Rafinha Bastos inclusa tanto que tinham sites que sem assunto polêmico, estes republicavam uma notícia velha do Rafinha Bastos pois sabiam que as pessoas clicariam e dariam audiência.
É que para mim eu sou a favor do humor sem limites desde que não há agressão, mutilação, dor e sofrimento de alguém.
Mas se vc critica alguem que faz uma piada sacaneando um Estado vc tem que falar de outros que usam este tipo de piada para garantir que vc esteja falando do Rafinha no blog não por audiência(pelo Rafinha ter sua influencia na Web, que existe sim, Dirceu)e sim pelo que ele falou não importando sua posição social.

DIRCEU CATECK disse...

Respeito a opinião de vocês, embora eu penso de outra maneira. Não gosto do culto a esse tipo de humor que fere a dignidade dos demais. E às vezes não é o conteúdo em si da piada, mas sim a forma como ela é contada. E quando critico o Rafinha não é tanto pela questão regional, mas sim por outros fatores. Tentar fazer rir sobre determinados temas sensíveis como o estupro ou de pessoas excepcionais não é cômico, é outro tipo de violência.
Não sou a favor de nenhum tipo de censura, mas todas as pessoas que tem certa visibilidade deve ser mais responsável e ter bom senso.

Matheus disse...

Eu não sou fã do Pânico, eu era, mas passou a apelar muito para o humor de apelação física em que envolve mutilação e dor aí parei de assistir. Mas com o Rafinha a humilhação ou a exploração dos temas são feitos de maneiras diferentes não mostrando por exemplo um velório, mas fazendo uma dramatização. Alguns casos desta exploração passam dos limites como a Casa dos Autistas (quadro do Comédia Mtv em que foram satirizados os autistas fazendo uma dramatização em que os autistas eram interpretados pelos atores do Comédia com eles gritando, urrando) isto não precisava ser feito.
Muito Obrigado Dirceu por estar participando deste enriquecedor debate

DIRCEU CATECK disse...

Obrigado a você, Matheus. Debates são sempre enriquecedores, pois quando temos a mente aberta, ampliamos nossas perspectivas.
Um grande abraço!

Astronova disse...

Amigo, um ponto final para esse assunto
1 - Piadas não devem ser levadas a serio independente do tema, quando você ri de loiras ou portugueses você esta ridicularizando eles? Acha certo rir de portugueses e se ofender com piadas de brasileiros?

2 - Não existe piada de mal gosto, as pessoas é que possuem gostos diferentes, o humor do Rafinha não foi feito para toda a população, ele possui um publico alvo para essas piadas, é por esse motivo que ele possui um Twitter, onde as pessoas que gostam das suas piadas o seguem, e também possui um programa, feito especialmente para o seu publico alvo, esse tipo de humor desperta o SENSO critico nas pessoas, principalmente nos jovens, é ai que entra a religião mídia para divulgar as piadas de forma sensacionalista para pessoas que desconhecem ou não gostam do humor do Rafinha, porque a mídia vai contra a liberdade de expressão, alem de ganhar muito bem por divulgar as coisas como polemica

3 - A comédia do Rafinha agrada aqueles que sentem sensações repulsastes que muitos de nós brasileiros sentimos vivendo nessas situações hipócritas, aonde presenciamos claramente abundante conteúdo cultural de baixo nível intelectual e político.

4 - Liberdade
Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.
Benjamin Franklin

Ao criticar o Rafinha você esta tirando a liberdade dele, o irônico é que as pessoas geralmente não se preocupam com a liberdade alheia, o Rafinha tem a liberdade de fazer a piada, você tem a liberdade de não ver, imagine se fosse obrigado a ver algo que não gosta, eu sou ateu, sou a favor da liberdade religiosa, entendeu esse ponto?
Negar a liberdade dos outros é um comportamento que faz parte do jeitinho BRASILEIRO, somos ditadores?

5 - Amigo, você não é o público do humor politicamente incorreto, porque insiste em ver o conteúdo deles ou se preocupar com noticias manipuladoras? Com o tempo, esse tipo de comédia será normal e as pessoas não vão mais se ofender com isso, então porque se ofender hoje? Os americanos fazem esse tipo de comédia a muito tempo, vivemos no tempo da internet e da informação, onde cada um pode escolher o que quer ver, escolha o que você gosta e seja feliz do seu modo, deixe-me ser feliz também

Não existe assunto intocável, tudo é discutível e criticável

Eu sei que você tem boas intenções, não era necessário "atirar pedras" no Rafinha
Se você tiver algo a dizer eu adoraria conhecer seu ponto de vista sobre o meu ponto de vista, abraço