terça-feira, 19 de junho de 2012

"Skinheads voltaram a atacar no centro da cidade. O alvo foi um casal de homossexuais que estaria praticando atentado violento ao pudor"

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Contava ansioso os minutos para que tocasse o sinal. Já saia de casa pensando na hora do recreio. Durava somente quinze minutos. Esse intervalo de tempo era o que eu tinha para poder vê-lo.
Escolhia minuciosamente a roupa que ia vestir, roubava o perfume do meu irmão mais velho, porque achava que o dele sempre era melhor que o meu. Tentava encontrar a melhor forma para o cabelo. A dúvida de colocar gel, consumia mais minutos do que eu dispunha para encontrá-lo. Sempre fui determinado, mas aquele sentimento havia abalado minhas estruturas e sentia uma insegurança avassaladora.
- Parece que está no mundo da lua! - alguém do grupo sempre dizia, quando estávamos no pátio. Fiscalizava cada perímetro do lugar. Aquele vai e vem de pessoas rindo, conversando, gritando, correndo... a rotina da escola seguia igual, mas para mim era diferente. Vivia em um mundo paralelo.
Foram três anos assim. O tempo que durara o curso. Já tinha dezenove e no último semestre, eu e meus amigos éramos os mais populares e quase todas as garotas queriam ficar com a gente. Nos limitávamos no nosso mundo infinito: escola, pista de skate, festa e discoteca.
Meu coração apertava e a cabeça ficava perdida enquanto os olhos não o avistava. A necessidade de dividir o mesmo ar era tão profunda que não me importava vê-lo nos braços de outra qualquer. E entregado no abraço de qualquer uma era a maneira de permancer no grupo e seguir convivendo com ele.
Não sei como explicar, pois parece tudo muito distante. Não consigo entender que estávamos sempre nos mesmos lugares, tínhamos muitos amigos em comum e nós dois apenas nos cumprimentávamos.
- Você não vai com a minha cara, né? - perguntou enquanto mijava, apoiando o braço na parede. Era a terceira vez que coincidíamos em um banheiro.
- Não...
- Eu sabia!
- Não... não é isso. Pelo contrário, acho você um cara legal.
- Sério mesmo? - perguntou sorrindo, enquanto subia o zíper da calça - Você sempre me olha com cara feia!
- É impressão sua, cara! - respondi nervoso. As pálpebras dele estavam quase fechadas. Havíamos bebido muito naquela noite. Ia dizer alguma coisa, mas chegaram mais três garotos gritando e o som da discoteca me calou, quando abriram a porta.
Duas semanas depois, na festa de Laura, voltamos a nos falar. As garotas com as que estávamos ficando continuaram na sala dançando, enquanto nós dois saimos para a varanda. O que sentia por ele me dava a sensação de familiaridade e intimidade, mas eu tentava entender que isso eram truques do meu sentimento. Não podia demonstrar isso em nenhum momento.
- Cara, pelo jeito a coisa está séria entre você e a Sandra, né?- perguntou enquanto acendia um cigarro.
- Sei lá... a gente se curte.
- No feriado eu e a Paula vamos para a praia. Se vocês quiserem vir. Meu pai já liberou a casa.
Senti um frio na barriga e só de imaginar uma viagem com ele, comecei a tremer. Respondi que aceitava, forçando uma certa naturalidade. Convidei a Sandra para que fôssemos e ela aceitou na hora.

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Quando liguei para Sandra e ela disse que não poderia ir, pois a mãe havia adoecido, entrei em pânico. Não sabia como seria a viagem sem ela. Na hora me senti um pouco egoísta, mas o desejo de estar ao lado dele era tão grande que qualquer reprovação moralista desapareceu na hora. Iria de qualquer jeito. Afinal, eu já havia me comprometido e eles dependiam do meu carro para chegar até a praia.
Buzinei na hora marcada. Fazia calor e eu suava como nunca. Quando ele apareceu no portão com a mochila nas costas, senti uma felicidade nunca experimentada. Aquele sorrisão branco despreocupado, moldurado pela boca vermelha perfeitamente desenhada por Deus.
- Cara, você nem sabe o que aconteceu - disse enquanto apoiava a mão na porta do carro - Eu e a Cris acabamos brigando ontem e ela desistiu de ir. Terei que segurar vela.
Olhei para ele e naquele instante comecei a acreditar de alguma forma que realmente o destino existia. Quando comuniquei que Sandra tampouco iria, ele fez festa e comemorou o fato de que estaríamos "solteiros" na praia. Seriam quatro dias de festa e muitas possibilidades.
Durante a viagem, coloquei Legião Urbana para nos acompanhar.
- O Renato era um poeta, né?
- Com certeza, as letras dele são ótimas. - respondi.
- Gostaria de ter vivido os anos oitenta. Meus pais dizem que foi uma época muito boa para a música e que só tinha fera.
- É verdade. A Legião marcou uma geração...
E estendemos a conversa sobre música e citamos as bandas e os artistas que se destacaram nos anos oitenta, época que nós ainda éramos bebês. Depois falamos sobre cinema e futebol. Naquelas duas horas que durou o trajeto, descobrimos que tínhamos muitas afinidades.
- Pô, cara! Nós nos conhecemos há tanto tempo e não nos conhecíamos! - disse ele exaltado - Sempre achei você um pouco arrogante.
Dei risada e não soube o que responder.
Quando chegamos ao nosso destino, fiquei gratamente surpreso em descobrir que a casa estava em frente a praia. Tínhamos cerveja e comida para quatro dias. Apesar de ser véspera de feriado, não havia muito movimento na cidade. Era tarde e decidimos ficar em casa. Na televisão, uma partida de futebol e o melhor de tudo era que torcíamos para o mesmo time.
Enquanto ele preparava sanduíches, coloquei algumas latas de cerveja em um balde com gelo e sal. Pouco tempo depois estávamos sentados no sofá assistindo o jogo. Era tudo perfeito e para completar, o Flamengo ganhara de dois a zero do Fluminense.
- Você pode escolher o quarto que quiser - falou - Eu vou dormir no dos meus pais.
Me acomodei no que estava ao lado e embora estivesse cansado da viagem e um pouco bêbado, não conseguia pregar o olho. O cara pelo qual eu estava apaixonado há três anos estava a poucos metros da minha cama. Tantas noites em branco pensando nele, com a sensação de uma distância cruel e injusta. Agora estávamos ali, pertos um do outro. Isso já era muito, mas meu coração queria mais...

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Duas noites depois aconteceu o primeiro beijo e consequentemente uma noite de paixão. O silêncio incômodo do dia seguinte, a viagem de volta com poucas palavras e o processo difícil de assimilar a situação. A dúvida, o medo e o terror de ficar longe dele. A indiferença e a falta de notícias eram motivos para uma angústia sem fim.


Passaram algumas semanas e ele me ligou. Marcamos um encontro. Apareceu ao lado de outra garota e lamentou que eu e Sandra já não estávamos mais juntos. Ele agia como se nada tivesse acontecido.
Três meses depois, por ocasião de outro feriado, me convidou para que fôssemos a praia. Quando frisou que seríamos só nós dois, gozei de tanto êxtase.
Eu o amava como a mim mesmo. E sabia que era recíproco. O processo de auto aceitação para ambos foi difícil. Depois de dois anos, decidimos revelar para nossas famílias e amigos o que todos suspeitavam. Ainda assim foi um choque e só tornei a sentir o amor dos meus, alguns meses depois. Acabaram se acostumando com a ideia e os que não aceitavam, respeitavam. Foi difícil romper preconceitos e tabús. Demonstrar que éramos felizes juntos e que não prejudicávamos ninguém. Quando nossos pais aceitaram a realidade, deixaram de sofrer. Perceberam o quanto foram egoístas por terem criado tantas expectativas sobre a gente.
- Eu te amo, cara! - me disse pela primeira vez, depois de quatro anos, enquanto eu estava lendo uma revista na casa dele. Surpreso, olhei em seus olhos e disse que também o amava.
Notei o quanto éramos diferentes da maioria das pessoas nesse momento. Pois éramos namorados há tanto tempo e sabíamos que nos amávamos verdadeiramente. Todos os gestos e atos demonstravam isso. O olhar, o sorriso e o respeito dissipava a carência das palavras. Estávamos crescendo juntos. Já não lembrava da vida sem ele.
Alguns anos se passaram e a nossa relação teve altos e baixos. Surgiram outras paqueras e mal entendidos. Mas nunca perdemos o amor que tínhamos. A base da nossa convivência era a liberdade. E às vezes eu chegava a pontos que ele não acompanhava e vice-versa. Esses eram os momentos mais difíceis. Os mais felizes era quando nos reencontrávamos. Estávamos em constante evolução. Voávamos como os pássaros em perfeita harmonia e assim como eles, de vez em quando um perdia a sintonia, entrando em outra corrente. Mas sempre voltávamos para nós.
Quando chegamos aos trinta, nos encontramos de forma definitiva. Já não havia ansiedade, apenas pequenos sonhos e éramos tão livres que sabíamos que o cumprimento deles ou não, jamais afetaria a nossa felicidade. Estar ao lado do outro era suficiente. Éramos imperfeitamente perfeitos em nossos planos, acertos e erros.

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Nunca esquecerei daquele dia. Ele se repete uma e outra vez na minha cabeça e nos meus pesadelos. Acordo assustado pela noite e não consigo voltar a dormir. Tenho a sensação de não haver descansado desde então. Tenho medo de tudo.
Sai do escritório às oito da noite e fui direto para o hospital. Queria conhecer o pequeno Matheus que acabava de nascer, trazendo com ele a alegria de outra vida que chegava. Fui contagiado pela empolgação da sua voz, quando me ligou.
- Nosso primeiro sobrinho! - dizia - Ele é lindo, parece muito com a minha irmã!
Durante o trajeto, tive um problema com o carro e somente depois de duas horas, pude chegar. Já sabia que a visita seria para o dia seguinte, mas mesmo assim fui até o hospital para pegá-lo e irmos para a nossa casa.
Parei na rua de trás, onde pude estacionar.  Liguei avisando que já estava ali. Cinco minutos depois ele veio correndo com aquele sorriso lindo de felicidade.
Não sei... quiçá eu tivesse permanecido no carro, a história seria diferente. Talvez se vivêssemos em outra sociedade, eu ainda o teria comigo.
Abri a porta do carro e sai ao seu encontro. Nos abraçamos efusivamente e ele acabou me beijando. A rua tinha pouca iluminação, era tarde e não passava ninguém.
- Vocês devem morrer, seus viados filhos da puta! - lembro dessa voz até hoje, carregada de ódio. Senti uma pancada na cabeça e minha vista se escureceu.


Quando voltei a abrir os olhos, me contaram o desfecho daquele dia fatídico. Estive em coma durante quinze dias. Ele já não estava. Fora expulso deste mundo hediondo e levou consigo toda a minha vida.

Voltei a morar com a minha família, pois não tinha (e ainda não tenho) forças de regressar àquela casa. Meses depois, arrumando uns livros, encontrei uma folha de jornal. Desdobrei e vi no rodapé dela uma nota que me entristeceu ainda mais, cuja manchete era:

"Skinheads voltaram a atacar no centro da cidade. O alvo foi um casal de homossexuais que estaria praticando atentado violento ao pudor."

                                                                                                               fim



O Grupo Gay da Bahia  faz a contagem de homicídios motivados pela homofobia através de notícias publicadas na imprensa. Segundo o levantamento, em 2011 ocorreram 266 homicídios - um recorde desde o início dos levantamentos na década de 1970. De acordo com o GGB, foi o sexto ano consecutivo em que houve aumento desse tipo de crime. 


Atrás de cada número existe o fim de uma vida, o fim de uma história. 

A relação é que a cada um dia e meio ocorre uma morte. O Brasil é um país relativamente perigoso para homossexuais

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Gracias a la vida, de Violeta Parra


 Uma das letras mais bonitas da inesquecível Violeta Parra. Sem dúvida uma das maiores artistas das Américas, de todos os tempos. A história pessoal dela é tão incrível quanto o talento que tinha para compor letras e músicas.
Um ano depois de compor "Gracias a la vida", música que é uma verdadeira reverência à vida, a cantora chilena se suicidou, aos 49 anos.



Gracias a la Vida

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto

Gracias a la vida, gracias a la vida
 

domingo, 17 de junho de 2012

Façam como Pepê e Neném: sejam vocês mesmos


As gêmeas Potiara e Potiguara têm a solidez de diamante, resistiram as adversidades típicas que podem enfrentar as pessoas afrodescendentes que nascem na periferia e que perderam a mãe sendo ainda bebês. O contexto e as condições inóspitas em que cresceram não são nenhuma novidade para nós brasileiros. Vemos essas histórias como as delas se multiplicarem por milhões no nosso extenso território geográfico.
Lembro que a dupla fez muito sucesso e que estava presente em programas de televisão de grande audiência. Todo mundo no Brasil sabe quem são Pepê e Neném. Duas figuras carismáticas que encantam pela simplicidade.
Há anos não sabia nada delas até assistir o programa da Marilía Gabriela, no SBT, na semana passada. Pude conhecer um pouco mais sobre a biografia das duas que se infundem e confundem e se opõem a qualquer tentativa de definição simbiótica. São iguais em muitas características.
Revelar a homossexualidade no Brasil é um ato de coragem. Sabemos que existe um infinito número de artistas que carregam consigo o estigma da dúvida sobre sua sexualidade. Muitas vezes a incerteza pode proporcionar algum benefício, mas essa vantagem é assumida por covardia e egoísmo. Pepê e Neném assumiram serem lésbicas e vendo a entrevista que concederam ao Danilo Gentili, depois de terem sido "trend topic" no twitter e um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, percebi que elas estão felizes por terem assumido essa outra característica tão importante da identidade delas.
O apresentador de "Agora é Tarde" nem sempre é feliz em suas perguntas e muitos convidados acabam sofrendo pela falta de traquejo dele. Mas precisamente essa entrevista, que ele fez com as gêmeas cariocas, foi espetacular.
Pepê e Neném se mostraram espontâneas e confortáveis. Riram muito e fizeram rir. A naturalidade da "conversa" foi positiva e o ex-integrante do CQC esteve muito bem. Não mostrou pitadas homofóbicas e tampouco espetacularizou o assunto.
As garotas de riso fácil e sotaque carioca de morro merecem parabéns pela ousadia de serem o que são, abertamente.
Apesar de não apreciar o que elas cantam, reconheço que as duas são donas de grandes vozes e que deveriam ser exploradas em outros gêneros. E como no Brasil a música está em coma, pois nunca existiu uma geração tão ruim musicalmente, torço para que Pepê e Neném tenham sorte na escolha de repertório e que estejam bem assessoradas, pois não há dúvida do potencial que elas têm.

                                            Agora é Tarde (TV Bandeirantes), 13/06/2012

A paixão é o exato oposto ao amor


Existe um provérbio chinês que diz:

"Quando o olho não está bloqueado, o resultado é a visão. Quando a mente não está bloqueada, o resultado é a sabedoria e quando o espírito não está bloqueado, o resultado é o amor."


Ser transformado em amor, isso é amar a Deus. Que mérito teria se cumprimentasse somente aos que te cumprimentam? E se amasse somente aos que te amam? Você tem de ser amor total, como o Pai celestial é todo amor.
Quanto mais se ama os outros, mas pode fazê-lo sem eles. Quanto mais se ama os outros, mas pode fazê-lo com eles.
Só existe uma necessidade. Essa necessidade é amar. Quando alguém descobre isso, é transformado. Quando a vida se transforma em oração... a espiritualidade se traslada aos nossos atos.
Quando se sabe amar é sinal de que chegou a perceber as pessoas como teus semelhantes. Ninguém é melhor ou pior que você. O amor de verdade é um estado de sensibilidade que te capacita a se abrir para todas as pessoas e à vida.
Você não pode exigir  que ninguém te ame. Não seja exigente e solte os apegos,  assim você poderá reconhecer quantas pessoas te amam como você é, sem te exigir nada, e começará a saber o que é amor.
Quando se ama alguém de verdade, esse amor desperta o amor ao teu redor. Você se sensibiliza para amar e começar a descobrir a beleza e o amor em tudo.
Somos analfabetos na expressão de sentimentos.
Até que não veja as pessoas como inocentes, não saberá amar como Jesus.
O amor é: eu estou do teu lado, não estou contra você.
O amor verdadeiro é algo impessoal, pois se ama quando o "eu" programado já não existe.
O que ama, termina sempre por viver no mundo do amor, porque os demais não tem mais remédio que reagir pelo que lhe impacta.
Amar é como ouvir uma sinfonia. Ser sensível a essa sinfonia. Significa ter um coração sensível a tudo e a todos.
Deus é o Pai, mas um bom pai que ama na liberdade, e que quer e propicia que seu filho cresça na força, sabedoria e amor.
O egoísmo é exigir que o outro faça o que você quer. Deixar que cada um faça o que quiser é amor. No amor não pode haver exigências nem chantagens.
O amor desinteressado existe, é o único que se pode dar o nome de amor.
Amar significa ver o outro claramente como é.
O amor não é desejo, não é fixação. A paixão é o exato oposto ao amor.
Cada um vai procurando-se a si mesmo, porque se não nos encontramos a nós mesmos, não poderemos chegar aos demais. 
                                                                                      Anthony de Mello

sábado, 16 de junho de 2012

Aumenta a delinquência e a xenofobia na Europa

Em circunstâncias extremas de medo, o ser humano perde o civismo e procura atacar o inimigo como forma de defesa. Se analisarmos a história da humanidade, vemos que a violência sempre foi a maneira de expressar a insatisfação com a realidade. O capital sempre foi o responsável pelas guerras de poder, camuflado de alguma ideologia convincente que acaba ampliando o número de adeptos a medida que a situação vai se estreitando.
Na Alemanha, a depressão econômica mundial de 1929 fez com que a República de Weimar  fosse perdendo popularidade devido as adversidades consequentes da crise financeira. Não foi difícil convencer os alemães a colocar o poder nas mãos de Adolf Hitler, em 1933. Um dos maiores vilões da nossa era, acabou com a vida de mais de seis milhões de pessoas com o respaldo da metade da população que acreditava que os judeus eram os responsáveis de todas as mazelas sociais.
Os países da União Europeia estão enfrentando outro desafio pela frente que é não repetir os erros do passado em circunstâncias similares a década de trinta, embora o contexto político seja diferente daquela época.
A delinquência na Grécia aumentou desde a quebra, em 2010. Desde então, os assaltos armados a casas aumentou mais de 100% e os homicídios 5%. Paralelo a este tipo de violência, o número de suicídios cresceu vertiginosamente. Somente neste ano foram registrados mais de 150 casos. O ambiente é caótico e talvez por isso o partido nazista Aurora Dourada venha ganhando a simpatia dos gregos.
Com uma polícia sem recursos e desmoralizada pelos cortes salariais, a violência na rua tem aumentado. Os nazistas tem organizado patrulhas nos bairros para diminuir a insegurança e essa atitude tem sido aplaudia pelos gregos. É comum vê-los agredindo verbalmente e fisicamente os imigrantes. Atualmente, o berço da civilização não é lugar para gente de fora. Até turistas já foram vítimas desses atos.

                                          Grupo racista ataca a imigrantes na Grécia

Na Espanha, o número de ocorrências de violência subiu levemente em comparação ao ano passado. A segurança é um dos quesitos que garante a qualidade de vida dos cidadãos, mas com o aumento da crise econômica, o número de pobres vem aumentando a cada dia, criando um cenário propício para uma previsão pessimista.
O desemprego entre os jovens na Europa faz com que a criminalidade aumente, principalmente nos países periféricos.  Os governos perdem autoridade moral, diminuem gastos com a segurança pública e os mais frágeis acabam ficando mais desprotegidos.
Dizem os mandatários europeus que amanhã será um dia crucial para determinar o futuro da Europa, pois haverá eleição na Grécia. .Segundo as medidas que forem tomadas pelo novo governo grego, o país poderá realmente cair e derrubar Irlanda, Portugal, Itália e Espanha. E isso seria multiplicar negativamente o que acontece por aqui e afetaria como um tsunami os outros países do mundo.
Talvez a interpretação do calendário maia de que 2012 seria o apocalipse não deveria ser tão desconsiderada.  Mas podemos olhar de forma positiva,  pois não teríamos que nos preocupar com a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

De Madrid al cielo - Plaza Mayor

Os madrilenses são orgulhosos de sua cidade. Existe uma expressão popular que diz "De Madrid al cielo" (De Madri ao céu) que é repetida reiteradas vezes pelos filhos desta terra e também pelos que aqui chegam e se apaixonam a primeira vista.
Madri é uma cidade que seduz, encanta e acolhe a pluralidade sem preconceitos. Poderíamos mudar o "i" pela "e" e seria "madre", que em espanhol significa mãe. Mas a origem da palavra que dá nome a cidade não tem nada a ver com isso e não sei se essa associação foi feita alguma vez.
"De Madrid al Cielo, y en el cielo, un agujerito para verlo" (De Madri ao céu, e no céu, um buraquinho para vê-la) é a frase completa que ficou popular no final do século XVIII, quando o rei Carlos III investiu em melhorias e no embelezamento da cidade e que significa que mesmo morto precisaria de um "buraquinho" no céu para continuar vendo e desfrutando da Vila e Corte. Embora tem gente que afirma que a frase foi dita pela beata Maria Ana de Jesús, o certo é que o mais provável é que o autor fosse o entremesista Luis Quiñones de Benavente na obra "Baile del invierno y el verano" (Baile de inverno e o verão), cujo quarto verso diz:
 "Pues el invierno y verano/En Madrid sólo son buenos/Desde la cuna a Madrid/Y desde Madrid al cielo"
 (Pois o inverno e o verão/Em Madri só são bons/Do berço a Madri/E de Madri ao céu)


Um dos lugares mais emblematicos da capital espanhola é a Plaza Mayor (Praça Maior) que está no centro da cidade, perto da "Puerta del Sol" (Porta do Sol) e "Plaza de la Villa" (Praça da Vila). Desde que cheguei aqui, sempre morei a um quilômetro desse lugar que eu adoro. Costumo dizer em forma de brincadeira que é o quintal da minha casa.
É uma praça retangular, rodeada de todos os lados de edifícios de três andares, sendo a sua entrada apenas possível através dos nove pórticos. Tem 129 metros de comprimento e 94 de largura. Existem ao todo 237 varandas ao longo de toda a praça.
Tive a oportunidade de trabalhar alguns dias em um dos restaurantes ubicados no local. Assim pude comprovar a diversidade de gente que visita Madri, não somente estrangeiros, mas também espanhóis procedentes de várias partes do país. Apreciava o deslumbre dos visitantes. Aos domingos, os colecionadores de selos negociam em suas barracas e durante todos os dias do ano, vários artistas expõem suas pinturas, fazem caricaturas, tocam música, cantam, interpretam, dançam, etc. Há também os que fazem estátuas vivas. Inclusive há um casal de brasileiros, conhecidos como "pareja de barro" (casal de barro) que sempre estão por lá.

                                        A história da Praça Maior

A Plaza Mayor é o maior símbolo de Madrid de los Austrias. Inicialmente era a Plaza del Arrabal, que  estava fora das muralhas medievais, onde se comercializavam todo tipo de produtos de forma irregular.
Em 1561, as cortes foram transferidas para Madri e Filipe II a partir de 1580 começou a transformação do lugar com obras que não foram finalizadas até 1619, quando já estava Filipe III. A ideia era remodelar o local e regularizar o comércio.
A Casa de la Panaderia, o primeiro edifício, construído em 1590  é o único que resistiu aos três incêndios, sendo o mais grave ocorrido em 1790. Até então todos edifícios tinham cinco andares.
Em 1848 foi colocada a estátua equestre de Filipe III no centro da praça.
Ao longo dos séculos, esse local que é visita obrigatória de qualquer turista que vem a Madri, foi palco de inúmeros eventos públicos e históricos. Desde corridas de touros a execuções.
Quando os réus eram condenados a morte por enforcamento, a execução era feita em frente a Casa de la Panaderia; se fosse por faca ou machado, era feita em frente a Casa de la Carniceria; e se fosse no garrote, era em frente ao portal de "pañeros".

                              "Auto-de-fé", obra de Francisco Ricci (1683) - uma cena da Inquisição

Também foi usada pela Igreja na época da Inquisição para realizar " Autos-de-fé", onde mandava os hereges para a forca ou fogueira. Um desses eventos foi imortalizado pelo pintor Francisco Ricci com sua obra mais significativa "Auto de fe" (1683), que se encontra atualmente no Museu do Prado.
No mesmo lugar onde a Santa Igreja condenava à morte, também transformava gente em santo. O padroeiro da cidade de Madri, São Isidro, foi canonizado neste local em 1622.
Durante as festas do padroeiro madrileno que acontecem no dia 15 de maio, a Plaza Mayor é cenário para shows. Ao longo do ano também alberga alguns festivais e feiras, sendo a mais importante a que acontece no final do ano, por conta das festas natalinas.



                             Plaza Mayor na época da guerra civil (1936-1939), protegida por saco de areias

                 Pórtico visto da calle Toledo, cuja imagem foi usada para a capa do meu livro "O Teatro dos Anjos"


                                                   Eu e minha amiga Telma Mallet

Brasil no es "país carioca"

ca.ri.o.ca
s m+f (tupi kariuóka) 1 Pessoa natural ou habitante da cidade do Rio de Janeiro. 2 Variedade de arroz. 3 Variedade de feijão. adj 1 Pertencente ou relativo à cidade do Rio de Janeiro. 2 Que tem pintas na pele. 3 Designativo do café misturado com água. 4 Qualificativo de uma raça de porcos domésticos.
O termo "carioca" é de origem tupi e significa "casa de homem branco". No dicionário da Real Academia Espanhola, carioca são as pessoas que nascem na cidade e província (estado) do Rio de Janeiro. 
Foi adotado oficialmente como gentilício aos cidadãos naturais do Município de Rio de Janeiro em 1834, quando houve a separação da província. Atualmente, as pessoas que nascem no estado do Rio de Janeiro são fluminenses e cariocas são aqueles que nascem na capital. Todos cariocas são fluminenses, mas nem todos fluminenses são cariocas.
Jornalistas espanhóis e de outros países de língua espanhola, usam a expressão "país carioca" como sinônimo para Brasil. Para não empobrecer um texto é bom evitar a repetição de palavras, por isso os profissionais que trabalham com a escritura recorrem aos sinônimos para não tornar a redação cansativa. Como são responsáveis pela informação, deveriam entender que essa expressão não é correta. Seria a mesma coisa se disséssemos "pais sevilhano" para se referir a Espanha ou "país napolitano" a Itália. Esses profissionais deveriam investigar um pouco mais sobre o que estão escrevendo e corrigir esse erro. Eu mesmo já enviei alguns e-mails para as redações de alguns jornais que usam copiosamente "país carioca".
Devido ao emprego dessa expressão ser recorrente, é normal encontrar pessoas que digam que sou "carioca" em vez de brasileiro. Como os argentinos que utilizam "galego" para os espanhóis. É transmitir uma falsa realidade, perpetuar um conceito equivocado. É reduzir em vez de ampliar.
É estranho ler "el carioca Caetano Veloso", "el carioca Neymar", "la carioca Xuxa", etc.  Espero que descubram outra definição que não reduza um país continental como o Brasil a uma única cidade, mesmo ela sendo uma das mais maravilhosas do mundo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Como estará Gabriel Garcia Márquez?

Nos últimos dias tenho lido em vários portais de notícias a mesma informação sobre Gabriel Garcia Márquez e, embora alguns sejam mais reservados com as palavras, outros expressam claramente o que se lê nas entrelinhas: Gabo estaria doente de Alzheimer.


No artigo "Se apagou a memória de Gabo?" do jornalista Édgar Artunduaga, publicado no portal colombiano Kien&Ke, foi lançada a dúvida. O escritor Plínio Apuleyo Mendoza, amigo de Garcia Márquez, revelou sua preocupação com o estado de saúde de Gabriel. Conta que não se falam há cinco anos e que um dos filhos, Rodrigo, disse que é necessário que se vejam pessoalmente para que ele possa reconhecê-lo, pois somente pela voz não é possível.
Mendoza conta que a última vez que conversaram, Gabriel esquecia de certas coisas e reiterava perguntas como "Quando você chegou? Onde está hospedado?". No entando, quando foram almoçar e a lembrar de coisas muito antigas de 30 ou 40 anos, a memória lhe funcionava perfeitamente.
Gabriel completou no último dia seis de março, 85 anos. Seu último livro foi lançado em 2004, "Memórias de Minhas Putas Tristes", traduzido para vários idiomas e publicado nos cinco continentes.
É considerado o personagem mais ilustre de Colômbia. Em 1982 ganhou o prêmio Nobel de Literatura e um de seus livros mais famosos, "Cem Anos de Solidão" é considerado um dos mais importantes da língua espanhola.
A família ainda não confirmou qual é exatamente a situação do escritor, mas torço para que esteja bem dentro do possível. Somos muitos os que sentimos falta das opiniões e críticas de Gabo.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Espanha: quando o sonho se torna um pesadelo


A imigração faz parte da história da humanidade. Entrar em outro país à procura de uma vida melhor é o sonho de muitos que estão insatisfeitos com os lugares onde vivem. Geralmente o que leva as pessoas abandonarem a terra natal para ir à uma terra estrangeira é o fator econômico, apesar de haver uma lista ampla de outros motivos.
Foi na época da ditadura franquista que Espanha começou a se desenvolver, baseada no crescimento da indústria e do turismo. Com a morte de Franco em 1975, o país transitou da ditadura à democracia e o novo regime foi consolidado na década de 80, com a integração europeia. Em 1992, dois grandes eventos marcaram um antes e um depois no país ibérico. A Expo de Sevilha e as Olímpiadas de Barcelona projetaram Espanha internacionalmente, aumentando ainda mais o turismo. Quatro anos depois, no início do governo de José Maria Aznar, o então ministro de Economia, Rodrigo Rato, baixou impostos e enxugou a máquina estatal. Em 1998, com a aprovação da lei do solo, que permitia privatizar e edificar em terrenos rústicos, iniciou-se o boom do tijolo. O crédito barato permitiu que grande parte da população espanhola pudesse realizar o sonho da casa própria.
Quando cheguei em Madri em 2001, existia uma enorme oferta de emprego. Os espanhóis não queriam trabalhar na construção civil. Faltavam também empregadas domésticas, garçons, cozinheiros, jardineiros, funcionários em supermercados, etc. Postos de trabalho que não exigiam muita qualificação e que podiam ser ocupados por qualquer pessoa. Com a grande oferta e falta de demanda, a imigração era algo mais que necessária, era imprescindível. A partir daí, vieram pessoas de todos os lugares do mundo.
Ao longo dos anos morando aqui, pude conhecer gente de várias nacionalidades. E independente dos pontos de origem e culturas, o desejo delas era o mesmo: trabalhar e ter uma vida digna. Deixando de lado a realidade paralela dos que estavam ilegais e eram explorados por empresários escravistas, Espanha parecia o lugar ideal para começar uma vida nova. Um país incrivelmente lindo em muitos aspectos, como a geografia, história, cultura, gastronomia, etc. A integração com a sociedade espanhola não é difícil e apesar de alguns conflitos gerados entre o choque de culturas, é possível conviver em paz e harmonia. O balanço é  positivo, quando olhamos desse ângulo.
Durante uma década o país gozava de pleno emprego. Era a sinfonia da orquestra entre construtores e banqueiros. Qualquer um que entrasse em um banco solicitando crédito para comprar uma casa, saia com dinheiro para o apartamento, a mobília e até para a viagem de lua de mel. Usando uma expressão de moda no Brasil que eu acho engraçada: "os imigrantes pirava".
Com a abundância em terra espanhola, muitos dos que estavam aqui convenceram os seus para que se mudassem para cá. Era comum que as pessoas vendessem o que tinham em seus países e viessem apenas com as malas. Faziam empréstimos e investiam no sonho espanhol. Famílias inteiras vinham com a esperança de uma vida melhor. A moeda nova, o euro, tinha força e "iria substituir  o dólar". Educação e saúde de qualidade grátis para todos. E independente das condições, trabalho não faltava.
Nos últimos anos, o número de residentes estrangeiros na Espanha passou a ser de  5.251.094, segundo o censo que é realizado baseado nos registros feitos nas prefeituras. Acredito que esse número ultrapassa os seis milhões, pois muitos são os que não fazem a inscrição e vivem de forma clandestina.
Há quatro anos, com o início da crise econômica mundial, a bolha imobiliária estourou na Espanha. Não resistiu ao sistema que fabricava ilusão. A especulação foi apenas um dos pequenos fatores para que isso acontecesse. O mercado da construção civil desapareceu, deixando milhares de desempregados de forma direta e milhões de forma indireta. O desemprego começou a ser um problema e as pessoas ficaram sem poder cumprir com o compromisso da hipoteca.


A atualidade é cruel quando comparamos com as perspectivas oferecidas há dez anos. Mais de um milhão de casas vazias, milhares de construções pela metade e mais de duzentas famílias são despejadas diariamente de seus lares, por incumprimento com a dívida. O número de pobres e desempregados aumenta a cada dia e as medidas tomadas pelo governo são técnicas e dacronianas. São mais de 5 milhões de pessoas sem trabalho, cerca de 24% da população ativa.
A situação é ainda mais dramática para os que vieram com tantas esperanças e que agora se veem obrigados a voltarem com menos do que tinham. São vários os casos de pessoas que não tem dinheiro nem para comer e menos ainda para comprarem uma passagem de avião. O projeto social de retorno voluntário adotado pela Espanha que oferecia o bilhete aéreo e 400 euros não tem fundos para a demanda que existe e esse benefício já atingiu a cota de 2012.
O estado de vulnerabilidade de milhões de pessoas é explícito. Ficam estampadas no rosto de muitos, a agonia e a tristeza de verem um sonho se transformar em pesadelo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Antonio Banderas e Penélope Cruz entre os possíveis "amantes pasajeros" de Almodóvar

                                    Banderas, Almodóvar e Penélope Cruz, na cerimônia do Oscar de 1.999

"Los Amantes Pasajeros" é até agora o título do próximo trabalho de Pedro Almodóvar, cuja estreia está prevista para a primavera europeia de 2013. A notícia de que Antonio Banderas e Penélope Cruz possam integrar o elenco vem sendo comentada há alguns dias. Seriam mais dois nomes de peso no elenco do filme que já conta com Hugo Silva (meu vizinho), Lola Dueñas, Paz Vega, Javier Câmara, Cecília Roth, Carlos Areces, Guillermo Toledo, Raúl Arévalo, Antonio de la Torre, Miguel Ángel Silvestre, Blanca Suárez e José María Yazpik.
Almodóvar volta ao gênero cômico, depois de histórias escuras como "Os Abraços Partidos" e "A Pele que Habito". Segundo conta o irmão Augustín Almodóvar, "Los Amantes Pasajeros" será um filme com cores almodovarianas e humor escrachado como o que caracterizou as primeiras películas, nos anos 80. O roteiro narra o "drama" de um grupo de passageiros que viajam em um voo intercontinental e que por um problema no avião, sentem a morte de perto e começam a confessar seus segredos. A rodagem começará daqui a algumas semanas e se a agenda de Antonio Banderas permitir, já que ele está envolvido em um projeto com o diretor Carlos Saura, para interpretar seu conterrâneo, Pablo Picasso, essa seria a sétima vez que o ator malaguenho atuaria sob direção de Almodóvar. E também por questão de calendário é que Penélope Cruz ainda não confirmou presença, já que assinou contrato para atuar  em "The Conuselor", dirigida por Ridley Socott, cujo elenco está composto pelos atores Javier Bardem, Cameron Diaz, Brad Pitt y Michael Fassbender.
Com certeza os fãs devem torcer para que esse encontro seja possível, afinal os três (Antonio, Pedro e Penélope) ainda não coincidiram em nenhum trabalho e provavelmente seria um grande acontecimento cinematográfico.

                             Hugo Silva, entre os que estão confirmados no elenco do novo filme de Almodóvar

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Mariano Rajoy e o gol de Espanha

Conscientes sobre o poder das palavras, o ser humano tenta usar as melhores para transmitir uma informação. No caso dos políticos, essa estratégia é usada de forma estudada, mas dependendo da seriedade da situação, o tiro pode sair pela culatra. Perde credibilidade perante a sociedade e acaba dando um prato cheio para os seus rivais.
O governo de Mariano Rajoy negou até a véspera de que Espanha não necessitaria ser resgatada. Uma semana antes já era o assunto mais comentado na mídia, repercutindo nas conversas de bares e praças.
Ontem finalmente aconteceu o que era esperado, mas que foi negado pelo primeiro ministro até o último dia.
Para não reconhecer que mentia, decidiu mudar a palavra "resgate" por "linha de crédito". E como líder cumpriu o papel de tentar convencer a opinião pública de que Espanha não está no fundo do poço como Grécia, Irlanda e Portugal. E que os espanhóis comuns não serão afetados de forma negativa. Disse que era o melhor que poderia ser feito. E como bem disse Alfredo Pérez Rubalcaba, líder do PSOE (partido socialista espanhol que está na oposição) : "O governo quer fazer nós acharmos que ganhamos na loteria".  E realmente existe uma grande diferença em obter dinheiro como prêmio de algum concurso e um empréstimo. O primeiro é bônus e o segundo é ônus que será pago pelo suor e sofrimento dos trabalhadores.
Mentir  não é uma conduta inaudita na classe política. Embora isso acabe gerando impopularidade, às vezes é necessário omitir e ocultar a realidade para não dar margens às especulações, principalmente quando se trata de economia. Mas para Mariano Rajoy e toda a equipe do Partido Popular, distorcer a realidade e negar o inegável é uma prática comum.
Antes de assumir o poder, dizia que não iria comprometer a educação, a saúde e que não faria nenhuma reforma trabalhista que prejudicasse o trabalhador. Grande mentira. Cortou verbas das áreas fundamentais que garantem o mínimo de qualidade de vida da população. E mexeu nas leis do trabalho, beneficiando principalmente os empresários, provocando um forte desequilíbrio entre os direitos dos trabalhadores e  privilégios dos patrões. Baixou de 45 para 20 dias de indenização por cada ano trabalhado ao empregado demitido por justa causa. Ampliou os critérios que justifiquem uma demissão. Uma delas é que se o trabalhador estiver afastado por motivos de saúde por mais de nove dias em um período de dois meses, ele pode ser mandado embora legalmente.
Se o caos não fosse pouco, com o resgate ou "linha de crédito" para os bancos, o IVA, que é o imposto sobre qualquer produto que consumimos, irá subir. Os funcionários públicos sofrerão redução de alguns benefícios e possivelmente a idade mínima para a aposentadoria deixará de ser aos 65 anos para os 67 ou 68.
A cada dia mais de 200 famílias são despejadas e o número de espanhóis que entram para a linha de pobreza aumenta. E infelizmente, as medidas tomadas pelo governo parece beneficiar sempre os mesmos, enquanto aumenta o peso da engrenagem para o povo sustentar.


Mariano Rajoy tem a consciència tranquila e está contente com a "ajuda" que conseguiu para Espanha. Hoje viajou até Polônia para acompanhar o jogo de estreia de "La Roja" ("A Vermelha", expressão usada para se referir a seleção espanhola de futebol) contra Itália, afinal "eu mereço"- dizia. O resultado da partida ficou no 1 a 1. Como vemos na foto acima, Rajoy comemorou com euforia o primeiro gol na Eurocopa, assim como fez com o resgate europeu. O futebol pode ser uma boa analogia da economia.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Brasil, um país cristão... e hipócrita!

Estudos realizados pelo Centro Pew de Pesquisa dos Estados Unidos revelou que o Brasil é o segundo país com maior número de cristãos do mundo, perdendo apenas para a terra do Tio Sam.
A principal mensagem da religião cristã é a importância do amor divino sobre todas as coisas. É o ponto comum em todos os ramos do cristianismo.
A Bíblia é o livro sagrado que pode ser dividido em duas partes: Antigo e Novo Testamento. A primeira parte conta a criação do mundo, as tradições judaicas, as leis, a vida dos profetas e a vinda do Messias. No Novo Testamento, escrito após a morte de Jesus,  fala sobre a vida do Messias, principalmente.
Assim como advogados e promotores usam a mesma constituição para defender ou acusar, muitos líderes religiosos usam a sua própria interpretação da Bíblia para determinar o que é certo ou errado. É compreensível que um livro que foi escrito por vários homens de diversos contextos sociais e de épocas diferentes tenha muitas contradições. Mas essas questões incumbem apenas aos que professam a mesma fé, não deveria afetar outros segmentos da sociedade, principalmente quando se trata de um país laico.
Mas infelizmente a realidade não é bem assim. Os fundamentalistas cristãos impõem aos seus seguidores suas normas e tentam sobrepor suas condutas aos demais cidadãos. Fomentam a segregação entre as pessoas, o ódio explícito a outras expressões religiosas e a todos os demais que não são seus súditos. Além disso tentam interferir na criação de leis que tentam proteger os grupos que são considerados minorias. Isso é inadmissível em um estado democrático. Nenhuma instituição religiosa deve pretender legislar para um país. Nenhuma nação desenvolvida mistura religião e estado.
O que é realmente lamentável é o tempo que eles gastam nos veículos de comunicação perpetuando no subsconciente coletivo ainda mais a homofobia. Ditam que os homossexuais sejam marginalizados e que é ultrajante exigirem qualquer direito.
Os espetáculos esdrúxulos que são dados por bispos nos canais de televisão, com ofensas pessoais, exarcerbação de egos e as tentativas de defenderem e ampliarem seus rebanhos são mesquinhos que contradizem o amor de Jesus.  Não vêem aos seus fiéis como seres humanos e sim como cifras.
Segundo contam, Jesus Cristo foi um revolucionário que contrariava as leis vigentes da época, estava ao lado dos marginais e defendia a paz, a harmonia e principalmente o amor. Provavelmente se ele nascesse hoje no Brasil, seria crucificado pelos mesmos que usam o seu nome para conquistarem poder e dinheiro.
Os dogmas cristãos instaurados pelas religiões empurram os que não se encaixam em suas regras à marginalidade e contribuem para que os mesmos sejam castigados pela sociedade. O Papa, número um da dinastia católica dita aos governos que a constituição seja uma réplica da Bíblia.
Sinto-me a vontade em criticar essas instituições que transgiversam sobre o que elas condenam. A hipocrisia das frases que dizem que não são contrárias aos homossexuais e sim a prática da homossexualidade é subestimar a inteligência de qualquer pessoa com um pouco de discernimento. É colocar os cidadãos uns contra os outros. 
Sei que existem cristãos que exercem a caridade e o amor e estão desintoxicados de qualquer manobra política e essas pessoas merecem todo o respeito, pois não tentam ferir a dignidade de ninguém.
A hipocrisia da sociedade brasileira é uma característica explícita que serve de matéria de estudo para inúmeros sociólogos internacionais. Trata-se de um moralismo duplo, pois usa o dedo para apontar os vizinhos em nome de Jesus Cristo, mas esquece do princípio fundamental do cristianismo que contraria de forma constante e natural: ame o próximo como a ti mesmo.

O Brasil é um país cristão... e é considerado o lugar mais violento do mundo.
O Brasil é um país cristão... e se cometem 50 mil homicídios a cada ano.
O Brasil é um país cristão... e a corrupção em todas as esferas é outra grande característica.
O Brasil é um país cristão... e é o epicentro de assassinatos de pessoas LGBT.
O Brasil é um país cristão... e com a maior desigualdade social entre brancos e afrodescendentes.
O Brasil é um país cristão... e as pessoas andam com medo pelas ruas.

Poderia ser citadas inúmeras mazelas sociais que existem nesse território gigante chamado Brasil. E muitos iriam apontar a responsabilidade para qualquer outro lugar. Citariam políticos,  Lucífer, Belzebú e outros demônios copiosamente, mas não assumiriam nunca sua parte de culpa.
O brasileiro é cristão para criticar e cercear os direitos individuais alheios, mas não para viver em paz consigo mesmo.


As igrejas continuam perpetuando o preconceito e o ódio contra a imagem que vemos acima. Contribuem de forma direta e indireta para que essa foto seja desagradável de se ver.


Para muitos brasileiros, o menino caído no chão é apenas um estorvo na calçada. Seria mais agressivo vê-lo adotado por um casal homossexual.


O beijo entre duas pessoas do mesmo sexo é repugnante e a população não aceita que isso seja exibido na televisão.


Em pesquisas recentes, grande parte dos brasileiros é a favor da pena de morte... e somos o segundo país com maior número de cristãos.


Facebook e Google: próximos do fim?

O especialista em gestão estratégica Eric Jackson prevê que o Facebook e Google desaparecerão no máximo em oito anos. Antecipa que a popularidade que tem hoje já começa seu declínio.
O estudo do experto se baseia na velocidade de desenvolvimento atual da indústria tecnológica e, de acordo com sua base científica, em breve, ambos gigantes da internet cairão no anonimato. Em cinco ou oito anos, Google e Facebook estariam entrando para a história, não por problemas econômicos e sim pela perda de popularidade entre os usuários.
Algo similar ao que aconteceu com MySpace, que começou a perder tráfego pela incapacidade de se adaptar a novas formas de intercâmbio com a explosão dos smartphones.
Segundo explicou Jackson, a teoria da ecologia da população e ecologia organizacional, estabelecida por um grupo de sociólogos dos anos setenta, o sucesso de uma companhia depende mais da lógica de desenvolvimento da indústria que das decisões que tomam seus executivos.
Nesse sentido, o experto afirmou que a longo prazo, a viabilidade das empresas em internet depende do momento de seu nascimento. As mudanças significativas da internet foram de três gerações:  web 1.0 produzido entre 1994 e 2001, protagonizado por Netscape e Yahoo!; Web 2.0 o geração social, entre 2002 e 2009 com Facebook, LinkedIn e Groupon; e a geração celular, desde 2010 e que inclui aplicativos como Instagram.
Quando acontecem mudanças, as gerações anteriores não podem adaptar-se a elas e começam a desaparecer do mapa da rede, manifestou Jackson em um artigo publicado pela revista Forbes.


As estatísticas também revelam que as propagandas na rede social mais famosa do mundo já não são tão eficazes como antes. Segundo uma pesquisa realizada entre os dias 31 de maio e 4 de junho nos Estados Unidos com mais de mil estudantes, 80% revela que nunca se motivaram a comprar algum produto oferecido pelas publicidades que aparecem nas páginas do Facebook e que 34% dos usuários passaram menos tempo conectados, nos últimos meses.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

"one lunatic one ice pick": snuff-movie

Em 2000 quando assisti "Tesis", primeiro filme de Alejandro Amenábar, fiquei impressionado com a temática "snuff-movie". Desconhecia essa expressão e aprendi assistindo o longa: se trata de gravar a tortura e o assassinato de alguém. Parecia terrível e pensei comigo mesmo se existiria alguém no mundo que era capaz de fazer isso realmente. Ainda era um pouco ingênuo, talvez. A realidade pode ser mais cruel do que a ficção.
O jornal britânico "The Sun" publicou na sexta-feira passada que Luka Rocco Magnotta havia enviado a gravação de como torturava e matava dois gatos com uma nota que dizia que "da próxima vez, as vítimas não serão animais". O periódico alertou a polícia canadense que não fez nada para prendê-lo, pois os psiquiatras consideraram que era muito difícil que ele cumprisse a promessa.
Erick Newman Clinton é o verdadeiro nome do canadense que antes de usar Luka,  havia adotado outros em várias ocasiões diferentes. O ator pornô que atraiu a atenção do mundo inteiro tem um passado bastante controverso, com vários sinais que delatavam o seu desequilíbrio mental. 
Procurado por várias associações protetoras dos animais por postar vídeos na internet onde torturava e matava gatos, era autor de várias páginas webs onde fazia apologia a necrofilia, discriminava judeus e chineses e embora tenha mantido relações sentimentais com homens, mulheres e transexuais, rotulava-se como garoto de programa, rechaçando de certo modo a homossexualidade. Defendia também a supremacia branca. 
Magnotta estava morando havia quatro meses em um bairro de Montreal, no edifício onde a polícia encontrou na terça-feira passada o tronco de um homem dentro de uma mala. Nesse mesmo dia era entregue na sede do Partido Conservador, em Otawa, um pacote com um pé humano. Horas depois, em uma agência de correio na capital canadense, encontravam uma mão dentro de outro pacote que estava destinado ao Partido Liberal.
Quando os agentes entraram no apartamento do psicopata, encontraram o colchão encharcado de sangue, um pé e uma mão amputados. Mais tarde identificaram a vítima. Tratava-se do estudante chinês Lin Jun, de 33 anos, que fazia intercâmbio na universidade de Concórdia, em Montreal. Inicialmente a informação era de que eram amantes, mas os familiares do chinês disseram que Lin estava divorciado, mas tinha relação com outro homem na China. 
O vídeo com o título "um lunático um picador de gelo", que se tornou um grande viral na internet, provavelmente é a coisa mais terrível e horripiliante que foi lançada na rede até agora.
Lin Jun está  nu  e é visto amarrado e deitado na cama enquanto o assassino apunhala seu abdômen com um picador de gelo. A vítima é vista depois com a garganta cortada e lentamente o psicopata corta várias partes do seu corpo com uma faca. Depois de decapitá-lo, começa a desmembrar o resto do corpo. Luka ainda brinca com membros decepados e ainda os esfrega na sua virilha. Corta uma parte da coxa e com um garfo faz menção de comê-la. Depois ele vira o cadáver de bruços e lhe introduz uma garrafa no ânus, como se fosse um vibrador. Tudo isso ocorre durante onze minutos, ao som da canção de American Psycho, um filme sobre assassinatos em série.


A foto de Luka foi divulgada em todos os meios de comunicação e as autoridades canadenses pediram ajuda à Interpol. Na segunda-feira passada foi detido em uma lan house, em um bairro de Berlim. Seu companheiro de assento no avião que o trouxe para a Europa, disse que ele chorou durante toda a viagem. Quando chegou na França, adotou o pseudônimo Tramell, que é o nome da protagonista do filme "Instinto Selvagem", personagem interpretada por Sharon Stone que cometia crimes sexuais usando um picador de gelo.
Ele continua preso na Alemanha e provavelmente será extraditado para o Canadá nos próximos dias.
É bom saber que há um psicopata menos convivendo camuflado na sociedade. Quantas pessoas com o perfil do esquartejador estarão soltos pelo mundo?

Rodrigo Santoro, o príncipe do Brasil


Em alusão ao filme "Heleno", encontrei o título acima em uma manchete no portal do jornal espanhol "El País". Depois de ler a informação, a curiosidade fez eu navegar na internet e conhecer um pouco mais a opinião que a imprensa internacional tem sobre Rodrigo Santoro e pude constatar que além de ser visto como galã, também é reconhecido pelo talento.
Desde que assisti "Bicho de Sete Cabeças", comecei a prestar mais atenção nele. Logo veio "Abril Despedaçado", "Carandiru", "A Dona da História", etc. 
Rodrigo, aos 36 anos de idade, já integrou o elenco de vários filmes nacionais e também internacionais. No Brasil já é um ator popular e consagrado, afinal, iniciou a carreira na televisão aos 18 anos e participou de várias novelas e séries. Eu só pude vê-lo nas séries "Hilda Furacão", "Hoje é dia de Maria" (uma das melhores obras da teledramaturgia brasileira de todos os tempos) e "Som & Fúria" (todas na TV Globo). 
A minúscula participação no filme "As Panteras Detonando" teve grande repercussão apenas no Brasil, pois para Hollywood era ainda apenas um figurante entre milhares. No mesmo ano, em 2003, fez outra participação em uma produção estrangeira, desta vez, no cinema inglês, no filme bem conceituado "Simplesmente Amor".
Em 2006 apareceu na série de maior sucesso mundial da última década: "Lost" (da rede de televisão americana ABC). Apesar de que queríamos vê-lo mais tempo, a personagem que interpretava teve vida curta na ilha misteriosa. Mas a partir daí, a carreira internacional foi ganhando corpo e seis anos depois, Rodrigo Santoro vem conquistando espaço cada vez mais. E 2012 está sendo um ano importante para isso.
Participou do filme "Hemingway & Gellhorm", do canal HBO, que foi exibido no último dia 28. Esteve ao lado dos atores protagonistas Nicole Kidman e Clive Owen, na apresentação do longa no Festival de Cannes.
No dia 03 de agosto chega aos cinemas brasileiros o filme  "O Que Esperar Quando Você Está Esperando", no qual faz par romântico com Jennifer López. O elenco conta também com Anna Kendrick, Joe Manganiello, Chace Crawford, Cameron Diaz, Elizabeth Banks e Chris Rock, sob a direção de Kirk Jones.
E ainda para este ano, já tem um acordo com a distribuidora Screem Gems para levar para os Estados Unidos o filme brasileiro "Heleno", que produziu e protagonizou no ano passado.
Para 2013, está prevista a estreia de "300: Battle of Artemisia", onde voltará a interpretar o Rei Xerxes. Segundo o próprio ator, o filme será  o prelúdio de "300". E também "Last Stand", ao lado de Arnold Schwarzenegger.


Indubitavelmente a indústria cinematográfica americana é a maior do mundo, por isso torço para que Rodrigo Santoro possa realmente consolidar seu nome nesse mercado tão difícil de entrar, principalmente para atores estrangeiros que não tem o inglês como idioma nativo. Dificilmente vemos obras de arte produzidas por Hollywood, mas muitos bons atores aproveitam essa grande vitrine e o retorno econômico para produzirem cinema independente, onde não há um compromisso fundamentalmente capitalista. E Santoro já demonstrou que essa também é a sua tendência.











Comercial  do perfume francês Chanell nº5, que protagonizou com Nicole Kidman. É considerado o mais caro da história até a data de hoje,  segundo o site Business Insider. Só o cachê da atriz australiana foi responsável por uma fatia de US$ 3 milhões do orçamento.






domingo, 3 de junho de 2012

A última conversa de Che Guevara

O ex-general boliviano Gary Prado Salmón, o homem que capturou o guerrilheiro em 1967 conta hoje como foram as suas últimas horas e sobre o que conversaram antes de entregá-lo para ser fusilado.
Prado está em uma cadeira de rodas desde 1981 por um  disparo supostamente acidental de outro oficial no meio de uma operação. O militar é um dos acusados de ser parte de um suposto complô em 2009 contra o presidente Evo Morales. Desde então, não pode sair de Bolívia e está em prisão domiciliar, embora continue trabalhando como professor universitário.

"Ernesto "Che" Guevara"parece que foi ferido e capturado por tropas do Exército em um sangrento combate ocorrido a uns sete quilômetros ao norte da localidade de Higueras, na Bolívia.", contava o jornal espanhol ABC no dia 10 de outubro de 1967. O homem que havia levado a cabo tamanha ação e que fora encarregado de vigiar o lendário guerrilheiro até levá-lo a seus superiores foi então o capitão Gary Prado Salmón.
Transformado em um dos militares mais respeitados das Forças Armadas Bolivianas, o ex-general de 73 anos, contou em uma entrevista realizada pela fundação Instituto Prisma, como foram as últimas horas de Che, sob sua vigilância e as conversas que mantiveram antes de que fora executado.
Prado Salmón, que tinha então 28 anos e dirigia a companhia Ranger, era um dos 1.500 homens que o Exército havia destinado a combater a guerrilha de Guevara, que lutava na montanha e na selva para derrubar a ditadura militar do general René Barrientos. "Os guerrilheiros estavam andando em um território que não conheciam, com atitudes estranhas - conta o ex-general - Che passava horas do dia tentando que seus combatentes aprendessem quechua, em uma zona onde se falava guarané. De que lhes serviriam o quechua se os camponeses falavam guarané ou castelhano?"
Foi possivelmente esse mesmo desconhecimento de terreno que  fez Che fracassar um ano e meio antes no Congo, embora ele não parecia enxergar assim, ao julgar pelas conversas com Prado Salmón:" Saiu dececpcionado de África porque não pôde fazer nada. Quando esteve preso comigo e eu lhe perguntei como havia sido em África, ele respondeu que lá, eles ainda estavam todos pendurados nas árvores. Que tinham sido problemas tribais e não ideológicos."
Depois de fracassar no Congo - "não houve um só rasgo de grandeza nessa retirada", escreveu em seu diário de 1965 - Guevara foi para Bolívia com o objetivo de seguir apoiando os movimentos revolucionários além de Cuba. Mas fracassou um vez mais; e desta vez, fora a última.
"Abandonaram o Che. Foi um abandono total - garante Prado Salmón - Segundo as versões que circularam, Che  incomodava muito em Cuba, pela atitude um pouco prepotente e violenta." No dia 8 de outubro de 1967, Guevara foi encurralado e ferido de bala na perna esquerda durante o combate de Quebrada del Yuro. Prado e a sua companhia o capturou pouco depois com outros guerrilheiros bolivianos como Simeón Cuba e os trasladaram a La Higuera, onde foram reclusos na escola. 
"Durante as horas que esteve sob a minha responsabilidade, depois de ser capturado, e até que o entreguei ao comandante da divisão, tivemos várias conversas", conta o general já aposentado, que se encarregara de ir "durante toda a noite, a cada uma ou duas horas, para ver como estava, o que precisava, dar-lhe cigarros, café e comida".
Foi nesses encontros que Prado aproveitou para lhe fazer algumas perguntas, em uma conversa que, segundo o ex-general, transcorrera tranquila e com alusões a Fidel Castro:


–Prado Salmón: «O que veio fazer na Bolívia? O senhor não soube que já havíamos tido uma revolução e que fizemos a reforma agrária?».
–Che: «Sim, eu soube. Já havia vindo aqui... estive na Bolívia em 53. Mas tinha muito para fazer».
–Prado Salmón: «Claro, mas deixe que nós fazemos. Uma coisa que não gostamos é que venham gente de fora para dizer o que temos de fazer».
–Che: «Sím, talvez nos equivocamos».
–Prado Salmón: «Bom, mas quem tomou a decisão de vir à Bolívia? O senhor?».
–Che: «Não. Não foi eu... foram outros níveis».
–Prado Salmón: «Mas que outros níveis? Fidel?
–Che: «Outros níveis…», respondeu sem querer dizer nada mais. 

Conta o ex-general que desde a terceira ou quarta conversa, "pegamos um pouco mais de ritmo, ele viu que nós o tratávamos com respeito e com tranquilidade". Em um momento dado, Che quis saber o que iriam fazer com ele. "O senhor vai ser julgado", respondeu sem saber realmente que ele seria executado. "Até então - conta - todos os prisioneiros que tínhamos capturado estavam sendo julgados em Camiri, como Regis Debray e Ciro Bustos. Ninguém tinha sido executado, estavam sendo cumpridas todas as normas".
Conta Prado que teve de explicar para Che que ele não seria julgado em Camiri, mas sim em Santa Cruz, o que ao seu critério "levantou-lhe o ânimo", porque era ali onde se realizavam os juízos militares: "O senhor foi capturado pelo pelotão da Oitava Divisão, e a sede da corte marcial está em Santa Cruz", lhe contou.
 Contudo, o então presidente René Barrientos e o alto mando militar tomaram a decisão de executá-lo. Não desejavam que um eventual juízo desencadeasse uma onda mundial de manifestações a favor do famoso guerrilheiro. Por isso não foi levado a Santa Cruz.
"Depois de informar ao Che que não iriam lhe julgar em Santa Cruz, me ordenaram sair para continuar com as operações militares e, quando voltei, já estava morto", confessa. Segundo conta, Che Guevara lhe havia deixado "dois relógios Rolex" para que os outros soldados não os roubassem, como já tinha acontecido em uma ocasião. "Quando soube que o haviam executado e as relações com Cuba se normalizaram, mandei os relógios para a família dele", conclui.


O corpo de Che Guevara não foi encontrado até 1997, três décadas depois, em um pequeno povoado de Vallegrande, no leste da Bolívia. Estava em uma fossa comum com outros seis companheiros de luta.

É claro que essa é a versão do homem que o capturou. Fica a critério de cada um acreditar ou duvidar se tais conversas ocorreram realmente e se essas foram as palavras e informações que trocaram. 

Uma bomba na casa de Madonnna


Vi essa manchete no portal de notícias do jornal espanhol "El País" e me chamou a atenção. Logo de início percebi que se tratava de uma metáfora.

Li a crônica atentamente que começava dizendo que o último cigarro que fumara Madonna fora nos seus anos loucos de juventude, logo se corrige e diz que foi no video clip de "Girl gone wild", de seu último disco.
Em março deste ano, a filha Lourdes Maria Ciccone, de 15 anos, foi flagrada fumando por um paparazzi. As fotos deram volta ao mundo e um mês depois, em uma entrevista concedida a NBC, Madonna dizia:"Não aprovo que ninguém fume ao meu redor. O cigarro daquele vídeo era apenas um acessório. Essa é a diferença. Minha filha já fazia isso antes, ninguém pode me culpar por isso. - e acrescentava - Talvez eu tenha que ser uma mãe um pouco mais rígida." Por muito que tenha pagado a manicure, pedicure e spa semanal desde os oito anos de idade, nem o tratamento mais caro podia remover o mesmo que sofrem todas as mães do mundo: a revolução hormonal. O irmão "bocudo", Christopher Ciccone, anunciara havia dois anos ao "Daily Mail": "Lola é uma bomba, só é uma questão de tempo que exploda. E duvido que minha irmã, que é uma maniática do controle, saiba suportar." 
Quando a artista anunciou que a filha a acompanharia na turnê que começou na terça-feira passada em Tel Aviv, a imprensa entendeu que seria como pianista, vocalista ou bailarina. Afinal, Lola estudou na escola de arte de Nova Iorque (a que inspirou a série Fama). Mas o anúncio ocultava outros motivos, revelados em uma entrevista radiofônica:" Ainda é uma criança, tenho que mantê-la vigiada. Minha filha está em uma fase que procura invisibilidade, embora irá ajudar a vestir ou maquiar na turnê." Talvez por isso, Madonna aceitou a sugestão do pai de Lola, Carlos León, de incorporar uma dublê da adolescente para evitar-lhe o stress de ser perseguida. 
Com o espírito exibicionista, Madonna, de 53 anos, modelou a filha em público como sua maior fã. Sempre baixo uma disciplina draconiana. Semanalmente, seus quatro filhos assistem religiosamente a Cabala e podem ver televisão uma hora e meia no máximo. Seguem uma dieta macrobiótica estrita. Inclusive obrigou a Guy Ritchie a assinar no divórcio a quantidade de doces admissíveis para as crianças. Tampouco deixa que Lola ponha todas as peças de Material Girl, a marca que as duas desenham juntas, principalmente as mais atrevidas. "O colégio não úm clube noturno. Vai ao colégio ou a um clube?", perguntava à filha diante as câmeras na apresentação da grife. Permite que escreva em um blog, mas edita pessoalmente todas as entradas "para lhe motivar a escrever cada vez melhor". Madonna controla tudo ao seu redor, e o que não funciona, ela joga fora. Mas não contava com algo tão mundano como a adolescência rebelde derivada do seu próprio DNA, que poderia desmoronar o mundo que criou à sua medida.