segunda-feira, 19 de março de 2012

Fibromialgia, a doença incompreendida


São mais de 200 manifestações catalogadas, relacionadas a fibromialgia. O mais incômodo é a dor difusa pelo corpo de forma constante. Existe muito preconceito em relação a essa síndrome, inclusive de médicos. Eu ouvi de uma, há quase um mês, de que essa doença não existe.
É difícil determinar as causas, talvez por isso o tratamento seja tão complexo e nem sempre efetivo. São várias as pessoas que associam a  fibromialgia com o estado emocional, provavelmente há casos onde o estresse acabe desencadeando a doença e, em consequência das dores, pode acabar potencializando uma profunda depressão.



A fibromialgia é a doença dos incompreendidos, pois ela não mata e não deforma e, como a dor é invisível aos olhos dos demais, leio relatos de fibromiálgicos que sofrem com a indiferença dos seus e com os julgamentos frívolos que recebem. Como não é possível diagnosticar de forma precisa através de exames, muitos doentes são taxados de preguiçosos e outros adjetivos pejorativos.
A fibromialgia existe e é física. A crise que estou sofrendo foi desencadeada pelo frio, igualmente o que ocorreu no ano passado por essa época. Emocionalmente estou bem, sou uma pessoa espiritualista e conservo a plenitude da minha felicidade, apesar de tudo.
Cada caso é único, portanto o diagnóstico e o tratamento devem ser determinados exclusivamente pelos médicos.
O único que posso dizer aos que aqui chegaram e padecem deste mal é deixar de lado o pessimismo.  Seguir o tratamento médico e aceitar a situação exatamente como ela se apresenta, pois essa é uma forma de evitar maiores sofrimentos emocionais. “A dor existe, mas o sofrimento é opcional.” Uma vez que aceitamos a realidade, devemos usar de forma veemente a fé para a nossa própria recuperação. Não importa qual seja a sua religião ou crença, mas o modo positivo de enfrentar as adversidades contribui muito para obtermos bons resultados. A nossa mente é o nosso maior tesouro, o segredo é aprender a utilizá-la para o nosso próprio benefício.
Para os que somos vítimas dessa síndrome, não podemos nos permitir o papel de vitimistas. Aliáis, o vitimismo não é bom em nenhuma circunstância.  
Aguardo a minha recuperação para poder voltar às minhas responsabilidades e retomar minha vida social, mas enquanto isso não ocorre, a minha maior responsabilidade no momento é com a minha saúde.
Agradeço a preocupação dos meus amigos e a compreensão pela minha ausência. A minha dor é exclusivamente física e apesar da intensidade, ela não arranha em nenhum momento a felicidade que sinto dentro de mim.

sábado, 17 de março de 2012

Elis, sempre Elis!

Se estivesse viva hoje, Elis Regina estaria comemorando 67 anos. A vida dela foi tão fugaz como um suspiro e tão intensa quanto ao brilho de uma grande estrela, que mesmo morta, continua brilhando.

A música e a voz dela fazem parte da minha existência lúcida. Desde criança já nutria uma grande simpatia por canções que escutava no rádio, como "Romaria". Na adolescência pude mergulhar no imenso universo de seu trabalho e até hoje escuto seus discos com o mesmo prazer do início. Não a idolatro, pois não tenho ídolos. Apenas agradeço a existência de Elis Regina, que perdurará e transcenderá várias gerações, algo que ocorre de forma natural com os grandes artistas.
Se estivesse em São Paulo, iria neste sábado lá na feirinha da Benedito (Calixto), em Pinheiros. Lá acontecerá "A Tarde de Elis", no projeto "O Autor na Praça", onde será feita leitura da biografia da inesquecível cantora, além de exposição das capas dos discos dela e como não, audição das músicas que foram interpretadas por ela.


sábado, 10 de março de 2012

Eis que surge outra Adele (Emeli Sandé)



Posso afirmar que o Reino Unido pariu três grandes vozes femeninas nos últimos dez anos: Amy Winehouse, Adele e Emeli Sandé.
Se não fosse pela decisão de Emeli dar prioridade à sua educação, talvez Adele teria se visto obrigada a adotar outro nome artístico. É que Emeli Sandé (Adele Emeli Sandé) era Adele Sandé, antes da cantora homônima surgir.
Filha de pai zambiano e mãe inglesa, Sandé sempre quis cantar, mas seguiu o conselho dos pais em formar-se em outra área. Estudou medicina, com um grau intercalado em neurologia, na Universidade de Glasgow. Seu empresário, Adrian Syke, a esperou desde os 16 anos.
Compaginou os estudos com a composição de músicas para artistas como Cheryl Cole, Susan Boyle, Alexa Dishon, entre outros.
Em 2009, estreou como cantora ao lado do rapper Chipmunk, cantando “Diamond Rings”, música escrita pelos dois. Depois esteve ao lado de Wiley com a canção “Never Be Your Woman”, ambos hits estiveram na lista dos dez mais tocados no Reino Unido.
Seu álbum de estreia, 'Our Version Of Events', lançado nos últimos dias aqui na Europa, foi recebido pela crítica musical britânica como obra-prima. Ganhou o prestigioso Prêmio da Crítica dos BRIT Awards e a mídia especializada diz que será a voz de 2012, assim como Adele foi a de 2011.
Profecias a parte, o certo é que o álbum de estreia de Emeli alcançou o topo de vendas, desbancando Adele que esteve durante 22 semanas com “21”.
“Our Versions Of Events” é realmente um grande disco de soul e R&B. Emeli, além de ser boa pianista, tem uma grande voz. “Breaking The Law”, “Daddy” e “Heaven” são os três temas, dos 14 que compõe o álbum, que estou adorando escutar.
É um grande regalo para os amantes de Soul, que tenham surgido nos últimos tempos, vozes singulares como as de Adele e Emeli Sandé. Torço para que ambas continuem construindo a nova geração deste gênero tão especial. A diferença de idade entre as duas é de quase um ano, Emeli nasceu no dia 20 de maio de 1987 e Adele no dia 5, de 1988.
Espero que continuem surgindo grandes talentos como Emeli e que nem tudo que é comercial, seja ruim.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Feliz aniversário, meu querido amigo!


Quero contar uma história de amor, das infinitas histórias de amor que tenho na minha vida. Embora não tenho a preocupação de como muitos possam interpretá-la, quero esclarecer que o meu conceito sobre o amor é diferente da forma como ele é pregado, muitas vezes. Não tem nada a ver com romaticismo, pois o amor romântico é carregado de apego e sofrimento. Não é livre, o amor romântico é uma verdadeira prisão.
Há trinta e cinco anos, no dia 16 de fevereiro de 1977, vim para este mundo. Poucas horas depois, o Felipe chegou. Demoramos 13 anos para nos encontrar e quase 22 para a gente se conhecer bastante bem. Embora não queria me prender a rótulos e etiquetas, é necessário usar algum conceito conhecido para definir como começou a nossa história de amor... primeiro nos tornamos amigos e a convivência foi curta, durou poucos meses, depois desaparecemos um da rotina do outro.
Alguns anos depois, quando tínhamos 18 anos, nos reencontramos. Estávamos em época de descobertas, e além de amigos, fomos amantes. Isso não durou quase nada, foram encontros esporádicos. Não havia nenhuma pretensão. Ainda éramos livres.
Nos anos seguintes,  nos cruzavamos de forma casual no centro de Santos, onde trabalhávamos.  Talvez tenham sido duas ou três vezes. Ainda não éramos tão importantes um para o outro.
Mas aos 23 anos, nos reencontramos outra vez. E aí começou uma história que mudou as nossas vidas... nos apaixonamos e nos amamos, éramos um do outro. Ele era a minha metade e eu era a metade dele (era o que acreditávamos, ingenuamente).
Sai do Brasil e vim morar com ele na Espanha. Durante muito tempo estávamos presos um ao outro. Existia uma dependência mútua. Acreditávamos que aquilo era o verdadeiro amor. Tínhamos orgulho de estarmos juntos. Era uma bonita história romântica... com todas as alegrias e tristezas que uma relação desse tipo pode oferecer.
Com ele, aprendi a falar outro idioma. Minha felicidade estava nas mãos dele. E me sentia a pessoa mais feliz do mundo. Obviamente condicionei o meu bem estar a ele e o terror de perdê-lo me tornou uma pessoa insegura. Éramos ainda muito jovens e cometemos infinitos erros um com o outro... os meus foram cometidos pelo medo pavoroso de não estar ao lado dele.
Fomos tão felizes quanto infelizes. Rimos tanto quanto choramos. Viajamos a outras cidades, a outros países. Conhecemos culturas diferentes, provamos sabores diversos. Houve muito
desejo, muito apego, paixão e quando saíamos da personagem que havíamos desenhado um para o outro, houve raiva, desentendimento, lágrimas e dor... muita dor!
Cinco anos depois de uma convivência continuada, a felicidade de outrora havia se tornado uma grande tristeza. Éramos incapazes de poder continuar sorrindo, estando juntos. O choque entre o que desejávamos com a realidade que vivíamos, gerou muito sofrimento. Ficamos perdidos... não podíamos enxergar a dor um do outro, pois a própria de cada um, nos cegou totalmente.
Acabamos nos tornando vítima um do outro. Exercíamos de forma recíproca o papel de réu e juiz. Até houve júri popular. Permitimos a entrada de advogados, promotores, testemunhas e de um público que assistia empolgado a transformação de uma “relação perfeita”, em um verdadeiro desastre. Apesar do interesse mórbido de alguns, também teve dor por parte de aliados de cada um (nossas famílias e amigos).
Entrou outra pessoa nessa relação, formando um verdadeiro triângulo amoroso, onde os três pontos estiveram ligados diretamente um ao outro. E esse ser,  pelo qual nutro um profundo amor, felizmente faz parte das nossas vidas até hoje.
A luta pelo fim da estagnação provocou um desequilíbrio profundo dentro de mim (acredito que neles também).
Eu e o Felipe nos afastamos em 2006, por circunstâncias da vida. Eu tinha um namorado e ele, outro. Ele foi para Áustria, eu permaneci em Madri. A distância e o amadurecimento serviu para eu enxergar que o meu amor por ele nunca iria acabar... é verdadeiro e incondicional, assim como é o meu amor por todos os seres.
Ao longo desses anos, sabemos que esse sentimento é real. Já não existe amor romântico, estamos livres dessa prisão. O que temos agora é infinitamente melhor. Não há desejo e nem apego, não temos necessidade de provar nada um para o outro. Não precisamos da aprovação e nem do reconhecimento... não tentamos em nenhum momento, impressionar um ao outro. Já não há julgamentos, existe apenas a consciência de que não precisamos um do outro e a partir daí, surge o amor!
O verdadeiro amor liberta. Nele não há necessidade de perdão. O passado não importa realmente. O que vale é o presente e nele existe a satisfação de que eu me amo, e por conta desse amor próprio, pude me reconciliar de forma sincera e plena com meu eterno amigo, Felipe Márquez!
Continuo morando na Espanha e ele, atualmente, na Alemanha. Desconhecemos nossos destinos, mas tenho a plena certeza de que ele é uma dessas pessoas que estará sempre comigo, independente da distância de do tempo. 
E hoje, em um dia tão especial, quero lhe desejar muita paz, saúde, amor e alegrias!


Grande beijo no coração!

domingo, 26 de junho de 2011

Santos, sempre Santos!


Não há palavras para expressar a alegria de ver o Santos conquistando a Libertadores. Já somos tricampeões!
Assisti o jogo ao vivo, em plena madrugada, cuidando que qualquer manifestação de emoção fosse silenciosa para não incomodar os vizinhos. Mas quando terminou, acabei soltando um grito e pulando de felicidade. Os Meninos da Vila conseguiram o título na raça e tem mostrado um futebol bonito. Neymar não é uma estrela apenas no Brasil, já é um dos jogadores mais comentados pela imprensa internacional. 
Parabéns ao Santos e a todos os santistas espalhados pelo mundo!

domingo, 12 de junho de 2011

Entre Valentim e Antonio


Estudos científicos revelam que o escaneamento dos cérebros de pessoas apaixonadas mostra uma grande semelhança com indivíduos portadores de uma doença mental. Amar é pura loucura.
É óbvio que existem diversos conceitos sobre o amor, mas esse que une duas pessoas desconhecidas de forma imediata, que muitas vezes chamamos de paixão, é pura insanidade. Quantas coisas não fazemos quando estamos apaixonados, fugimos do próprio sentido da razão e perdemos o juízo de forma literal.  Mas acredito que não há nada mais prazeiroso nessa vida que estar louco de desejo e ternura.
Independente dos conceitos que foram criados e estabelecidos para o amor romântico, pois esse assunto é bastante complexo e rende infinitos debates, é certo que hoje, em um país com quase duzentos milhões de habitantes, não se fala ou se pensa em outra coisa. Afinal, hoje é dia dos namorados no Brasil.
Nos países anglo-saxões a data é comemorada no dia 14 de fevereiro, dia da morte de São Valentim, o bispo que morreu por continuar celebrando casamentos, contrariando a proibição do Imperador Cláudio II (Roma antiga), que em época de guerra, acreditava que os solteiros eram melhores soldados. Desprezando o pragmatismo e enaltecendo o romanticismo, o religioso foi condenado à morte e tornou-se o santo do amor e da amizade. Essa data festiva foi estendida a outros países da América do Sul e também da Europa latina, no século passado.
No Brasil, o dia dos apaixonados também está pautado de alguma forma por um santo católico. A ideia trazida de Portugal (que atualmente se rendeu a Valentim) que comemorava essa data por ser um dia anterior ao de Santo Antonio (13 de junho), o santo casamenteiro , que era português.
O certo é que hoje no Brasil, milhões de casais trocam presentes, reiteram juras de amor e lotam motéis. E também, milhões de solteiros inconformados vêem como a solidão dos corações acaba especialmente potencializada. Não tenho dúvida de que até os agnósticos de plantão, motivados pelas circunstâncias comerciais estabelecidas, não descartam a hipótese de virar alguma imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo, para colocar a esperança para cima.
É muito bom estar com alguém e viver uma história de amor. Mas não devemos condicionar exclusivamente a nossa felicidade a este fato. Sou e somos milhões de solteiros que desconhecemos a tristeza de estarmos sozinhos. 


terça-feira, 31 de maio de 2011

Nada como sentir na pele

"Apesar de tudo, ainda acredito na espécie humana"
(Anne Frank, menina judia assassinada pelos nazistas)

Hail Mott!!!

Venho neste espaço denunciar algo muito triste e revoltante que ocorreu a minha pessoa e gostaria de fazer alguns apontamentos.
Resolvi escrever este aritgo por vários motivos, mas o principal é o de tirar dúvidas a respeito de uma agressão homo/transfóbica por mim sofrida no ultimo sábado, quando retornava tranquilamente de uma festa de aniversário. E também por acreditar na enorme importância das pessoas que sofrem este tipo de violência tornarem-se portadoras do proprio grito de justiça. Na midia em geral, geralmente este tipo de assunto é apresnetado por terceiros, por maus jornalistas que têm o hábito de distorcer a realidade e pior, coisificar os individuos, como se fossemos coisas, meros pedaços de carne, usados como materia para noticia. Espero não ser injusta com ninguém.

Peço desculpas por ter demorado mais de uma semana para publicar este relato, mas se demorei tanto foi pelo fato de que sofri uma terrivel pressão psicológica, a qual foi capaz de fazer fugira as palavras. E por que trata-se de um tema que não se pode apresentar com exatidão, mesmo usando todas a palavras do mundo.

Voltava apressadamente por volta das 4 horas da manhã junto a alguns companheiros, de uma festa de aniversário que havia ocorrido no Largo da Ordem, centro histórico curitibano e espaço de socialização de jovens que não têm acesso as boates e clubes de classe média, Corríamos pois um colega nosso se apresentava embriagado –nada demais, acredito- e nos dirigíamos a algum hospital ou procurávamos um modo de minimamente colocá-lo num ônibus e despachá-lo para casa em segurança. Foi nesse momento que, ao ver ao longe a aproximação de algumas pessoas, me adiantei para pedir socorro. Não sabia mas quem vinha pela rua escura (estávamos na altura do Cemitério Municipal) era meu algoz. Tinha o sangue nos olhos, as faces retorcidas pelo ódio, o ímpeto de descontar sua ira contra um alvo mais fraco.

A cena que seguiu sinceramente gostaria de esquecer. Aos gritos de “vou bater num viado, começando por esse aqui”, veio na minha direção. Tentei fugir, mas ao virar as costas senti o peso do primeiro chute, covarde, nas costas, e meu corpo caindo na calçada. Neste momento, só pensei em seguir a Cartilha : defender a cabeça e os pontos vitais, enquanto gritava pedindo por socorro e clamando misericórdia por parte dos agressores (foram 3 pelo que me contaram, na ânsia por me defender só conseguia enxergar um deles), pedia perdão desesperadamente pelo crime que havia cometido- o crime de ser “viado”, ao mesmo tempo em que jurava minha improvável inocência- por ser “trans” trajava vestimentas do “sexo oposto”, “escandalosas”, como diria a minha mãe (afinal a culpa é sempre da vítima).

2 dias depois, ainda sem rumo , transtornada pelo choque da violência e sem saber para onde me dirigir e o que fazer, fui a faculdade e lá encontrei com alguns amigos, que, indignados pela situação resolveram me acompanhar na via crucis burocrática. Passamos, em primeiro lugar, na PRAE (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis) da UFPR, que não tomou rigorosamente providência nenhuma. Apesar de não estar devidamente matriculada neste semestre, o que foi pedido a instituição UFPR, não era nada além de um atendimento humanitário a alguém que precisava de um apoio simples. Como meus amigos também estão inscritos no que se convencionou como segmento LGBT, temíamos discriminação ou mesmo truculência por parte da policia quando fossemos a delegacia (o que de fato aconteceu). Mas até mesmo a isto a instituição se negou, alegando problemas burocráticos.

Não teríamos conseguido sequer registrar o Boletim de Ocorrência se não fosse a presença do professor Pedro Bodê, cujo nome faço questão de incluir no meu relato, juntamente com meus sinceros aplausos e minhas Moçoes de Louvor. O atendente do 1º teve a falta de humanidade de se negar a nos atender e registrar o caso, alegando que não poderia fazê-lo a menos que reconhecesse o agressor. Ora, não é função da Polícia investigar? Estamos pagando pesados impostos, para que as instituições façam “corpo-mole” ajudando na fuga desse tipo de criminoso, que, alias, faz o serviço sujo do sistema, tirando os ‘viados’ de circulação? Fico pensando nos inúmeros casos de travestis que alem de terem que se contentar com a imposição da prostituição como ganha-pão, ainda ficam a mercê de atentados deste tipo, surras com extintor, pauladas de desconhecidos, tiros, assassinados. E sempre a culpa é delas que “aprontam”.

Em meio a vociferações, ameaças simbólicas e abusos de poder, só fmos atendidos na delegacia quando entrou o professor, junto com um advogado ligado a Comissão de Direitos Humanos. Ai só faltou o delegado nos oferecer cafezinho...

Ora, sabemos que estes casos costumam ficar impunes no nosso pais. Mas na minha concepção, e posso estar muito enganada. Ao me permitir fazer a queixa os policiais não estaria me prestando nenhum favor, pelo contrário, além de serem pagos com dinheiro do contribuinte (mal pagos, muitas vezes, façamos a justa ressalva) ainda teriam com meu relato a oportunidade de prender um provável futuro assassino ou genocida homofóbico, caso houvesse vontade política. Foi pensando nisso, que numa espécie de “dever cívico” de denunciar um maníaco perigoso (vai que, em vez de um ‘viado’ ele pegue o filho de um Policial Civil, por engano), que me dirigi a delegacia.

No outro dia fui com meus amigos e o advogado fazer o exame de Corpo de Delito. Mais uma vez tive que deslocar pessoas, pois tinha medo de ser discriminada, ou de ouvir comentários “carinhosos” como aquele que teve de ouvir um colega nosso, agredido a anos atrás, da boca de uma enfermeira- “agora, vê se aprende”; ou talvez até algo pior, já que no recinto do consultório o médico teria acesso ao meu corpo. Mas tudo transcorreu como de praxe. Minha suposta identidade de gênero em momento algum fora respeitada. “’nome social’, o que é isso, mesmo?” . Mediram com uma régua os meus ferimentos, com o mesmo grau de humanidade e com o mesma objetividade científica que se mede uma rua ou um pedaço de carne. Mas, como disse, fora apenas um exame de rotina.

Só não entendo por que ate agora nem o SUS nem o IML conseguiram me garantir acesso a um raio-X do nariz, que creio ter sido fraturado. E agora permitam voltar a minha subjetividade. A uma semana que não consigo me olhar no espelho. Meu nariz torto é um símbolo, uma marca de que a “Milicia Heteronormativa” conseguiu fazer seu trabalho infame no meu corpo. Meu rosto é um aviso muito claro aos meus companheiros: “Cuidado, você pode ser o próximo”. Se o objetivo desse verdadeiro grupo de torturadores era me atingir psicologicamente e moralmente, acertaram em cheio. Tenho medo de sair a noite e até durante o dia. Deixei de freqüentar alguns eventos na faculdade, com medo de ser novamente agredida, ou me expor a alguma chacota por parte de algum colega homofóbico, politicamente correto o bastante para não destilar seu preconceito na minha frente. Cada hora do relógio, depois que o sol se põe é como um lembrete de que outro agressor, ou o mesmo, pode estar se aproximando. Ainda hoje pela manhã, quando voltava do supermercado, me vi correndo em direção a um grupo de estudantes, pois tive a sensação de estar sendo seguida por um individuo suspeito.

Vejo-me ainda mais revoltada com a situação, pois a menos de uma semana do caso de violência a que fui submetida, o Kit contra a Homofobia (que prefiro chamar de Kit anti-hipocrisia) fora cancelado pela President@ Dilma. Tenho longas criticas a fazer ao material, mas essa negativa me negaria, como profissional da educação de explicar aos meus alunos assustados o porquê da violência e a crise que sua professora estaria sofrendo. É terrível e assustador vivermos num pais no qual bandidos armados e comcerteza da impunidade, se vêm no direito de espancar outros cidadãos por motivo absolutamente torpe e não podemos sequer falar sobre a assunto por ser um “tabu” e as “criancinhas”, estudantes secundaristas criadas assistindo BBB (algumas delas serão futuramente espancadas sem saber o motivo) ,não podem discutir ‘homofobia’ em sala-de-aula.

Apoio e vejo a importância vital de se criar estatísticas cada vez mais apuradas sobre o campeão mundial de homofobia (Brasil) , mas preciso desabafar. Uma coisa é ler números frios num pedaço de papel. Outra totalmente diferente é sentir o coturno pesado do agressor, no exato momento em que desfigura violentamente o nosso rosto. Uma coisa é ter acesso a trabalhos acadêmicos que tentam explicar a motivação homofóbica de tais crimes. Outra é sentir a dor das correntadas nos braços enquanto nos agachamos junto a parede, em posição fetal, implorando por socorro e torcendo e rezando para que os agressores não puxem facas ou revólveres para “terminar ali o serviço” .

Felizmente para mim, meus companheiros acorreram em meu auxilio, me levaram a um posto de gasolina, onde recebi os primeiro cuidados, onde meu rosto foi limpo, onde tentava desesperadamente limpar meus cabelos claros tingidos de vermelho pelo sangue que jorrava de um ferimento profundo na cabeça- a população LGBT é a única que não sabe como será recebida em casa depois de um avento deste tipo e não queria deixar minha mãe preocupada. Muitos não tem essa sorte. Muitos não voltam para casa.

Espero que meu relato sirva de alerta as autoridades (mais um) você sabe onde está seu/sua filho(a)? Estaria ela ou ele procurando alguma alvo frágil para descontar sua raiva, ou sendo espancado covarde e inocentemente, simplesmente por ter um “comportamento” que alguns acham que tem o direito “divino” de punir ? E espero que as autoridades façam alguma coisa para impedir que casos destes continuem acontecendo. Seja como for aprendi da pior (ou melhor) e mais dolorosa maneira a minha grande lição sobre o que é homo/lesbo/transfobia: literalmente na ‘base do porrada’. Espero que o caro leitor ou seus próximos não precise passar pelo mesmo sofrimento.








De acordo com o último relatório do Projeto de Monitoramento de Assassinatos de Pessoas Trans, que controla o número destes tipos de crimes em 42 países, de janeiro de 2008 até dezembro de 2010, no Brasil foram cometidos 227 homicídios dos 539 registrados.
Não queremos que o governo faça propaganda de "opção sexual", queremos que apenas garanta os direitos básicos de cidadãos que são marginalizados por uma sociedade hipócrita e cruel.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não acredito no Deus deles....

No Brasil, o que prevalece é o interesse pessoal na maioria dos políticos. O brasileiro não tem uma ideologia política e é incapaz de se identificar com seus representantes. Votam aleatoriamente sem mesmo conhecer as propostas dos candidatos. Temos eleições a cada dois anos, e mesmo antes de chegar a urna outra vez, o brasileiro não recorda do seu último sufrágio.
Sou petista de coração, pois a ideologia e as políticas adotadas por governantes deste partido  são as que me sinto mais identificado. Fiz de forma voluntária, campanha para a presidenta Dilma Rousseff, pois ela era a única candidata que poderia substituir o ex-presidente Lula. Até agora, acompanhando a forma dela de governar, estava plenamente satisfeito. Mas ontem, acabei tendo uma decepção.
Posso entender as articulações políticas e também o cenário de outra crise inventada pela imprensa. Mas usar como moeda de troca, um kit educacional que promove o respeito à diversidade, no país onde mais se cometem crimes contra as pessoas homossexuais, é inconcebível. Que a presidenta se torne refém da bancada de fundamentalistas do Congresso é preocupante para todos que desejam que o nosso país avance nos Direitos Humanos.
O kit anti-homofobia, desenvolvido pelo MEC e avalado pela UNESCO propunha reduzir nas escolas o bullying contra os homossexuais, evitando assim, que pessoas, cuja orientação sexual seja diferente do que é estabelecido como normal ( o que é ser normal?) não tenham que abandonar os estudos.
É na escola onde aprendemos o senso comum de civismo. Uma boa educação garante um cidadão civilizado e, logo, uma sociedade melhor.
Suspender o kit anti-homofobia significa um grande retrocesso. Quem ganha são os que se dizem cristãos; “defensores da família, moral e bons costumes” e que não se envergonham sequer de expressar de forma explícita suas atitudes e argumentos homofóbicos.
É inadmissível que tenhamos que ser pautados pelos dogmas religiosos dessa gente fanática e principalmente CANALHA. Porque os valores cristãos são opostos do que eles fazem cotidianamente.
Se conseguiram suspender o kit, fica mais difícil de crer que a PL 122 seja aprovada.
Confio nos valores humanos da presidenta Dilma Rousseff, sei que apesar do ambiente gris que ronda Brasília nessas últimas semanas, ela fará uma auto-crítica e irá procurar alguma forma de respeitar o voto de todos aqueles que viram nela, a esperança de viver num país menos preconceituoso.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Santos, bicampeão paulista 2011

Não há palavras para descrever a alegria e a emoção de ver o Santos conquistar mais um campeonato paulista. Não tem explicação, essas coisas apenas se sentem.
Parabéns aos meninos da Vila Belmiro que jogaram com superioridade. Destacar apenas a genialidade de Neymar seria uma injustiça com o resto da equipe. Todos brilharam individualmente e em grupo, fizeram um bom trabalho. Muricy tem exercido o seu papel com muita sabedoria, desde que entrou no Santos, tem feito uma diferença bastante visível.
Agora é só esperar o jogo de quarta-feira para continuar sonhando com a Libertadores!


Hino do Santos

Sou alvinegro da Vila Belmiro
O Santos vive no meu coração
É o motivo de todo o meu riso
De minhas lágrimas e emoção
Sua bandeira no mastro é a história
De um passado e um presente só de glórias
Nascer, viver e no Santos morrer
É um orgulho que nem todos podem ter
No Santos pratica-se o esporte
Com dignidade e com fervor
Seja qual for a sua sorte
De vencido ou vencedor
Com técnica e disciplina
Dando o sangue com amor
Pela bandeira que ensina
Lutar com fé e com ardor
Composição : Carlos Henrique Roma Em Julho De 1957


sábado, 7 de maio de 2011

STF reconhece união gay no Brasil

Dia 05 de maio de 2011, dia histórico não somente para a comunidade LGBT, mas também para toda a sociedade brasileira. O Supremo Tribunal Federal aprovou por unanimidade a união civil de homossexuais.
O STF exerceu com exatidão o papel real que lhe corresponde: defender a justiça. E assim foi. Estávamos cansados da omissão do legislativo, afinal, são poucos os políticos que se atrevem a defender uma causa considerada tão polêmica, visando sempre seus próprios interesses eleitorais. Também estávamos esgotados de ver nossos direitos negados, pautados por fundamentos religiosos.
Ontem, acompanhando a votação ao vivo, acabei me emocionando, como disse minha amiga Lídia, com a aula de Direito que foi dada ali, na Suprema Corte. Os direitos humanos foram defendidos de forma clara. Das inúmeras frases dos discursos dos ministros, a que adorei ter ouvido foi dita pelo Ministro Celso Mello, onde expressava que a teologia moral é respeitável, mas não pode interferir nas decisões adotadas por juízes e autoridades.
A equiparação de direitos dos casais heterossexuais aos homossexuais não afeta negativamente a ninguém. Qualquer crítica é meramente construída em questões morais concebidas por fatores religiosos. Em um Estado de direito laico e  democrático, nenhuma bíblia deve pautar a justiça.
Estou feliz com a decisão do STF. Contente em ver que meu país está evoluindo. Para que uma nação possa ser respeitada, ela deve, antes de qualquer coisa, respeitar a si mesma.
Parabenizo e agradeço a todos os militantes LGBTs, pois sem eles, permaneceríamos marginalizados e não teríamos nossos direitos reconhecidos. Ainda há um longo caminho pela frente, essa é só uma das inúmeras vitórias que precisamos para vivermos de uma forma mais justa e digna.

domingo, 1 de maio de 2011

Todo sentimento...

Às vezes existem sintonias entre duas pessoas que até pouco tempo eram desconhecidas, que acabam impressionando. Não há explicação para tantas afinidades e empatia. Como dizia Nelson Rodrigues, "Deus está nas coincidências". Talvez realmente estamos todos destinados a entrarmos e sairmos das vidas de pessoas que aparecem ao longo do nosso caminho e provavelmente há uma estrutura realmente estabelecida para que isso aconteça. Não sabemos.

"Todo sentimento
Precisa de um passado pra existir
O amor não:
Ele cria como por um encanto
Um passado que nos cerca,
Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio
Com alguém que a pouco era quase um estranho,
Ele supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica..."
 
(Benjamin Constant)


sábado, 16 de abril de 2011

Maria Gadú: outra joia da nossa MPB

Há exatamente um ano, estava no Brasil, apresentando o livro “O Teatro dos Anjos”. Foi durante a minha estância na minha pátria querida e idolatrada, que escutei finalmente o primeiro disco de Maria Gadú, através do meu amigo Eluane.
Mesmo morando em outro país, sempre estou antenado à atualidade brasileira, e como bom amante da música que sou, já sabia sua história e havia ouvido algumas canções através do You Tube.
Gadú surpreende. Seu aspecto físico revela certa rebeldia.  Quando a vi pela primeira vez, pensei que seu estilo fosse agressivo. Quando a escutei, veio a surpresa. A doçura de sua voz nos convida a momentos mais singelos. É calmo ouví-la. A beleza de sua voz é embriagadora.
Mas a sensibilidade dessa moça se equipara à grandeza de sua voz. Quando descobri que o disco era totalmente autoral, foi inevitável não admirá-la de forma imediata. Principalmente quando ouvi “Dona Cila”, composta pela cantora quando ainda era uma adolescente. Apesar da pouca idade, a letra dessa música demonstra a maturidade emocional que ela possui. Lidar com a morte das pessoas que amamos não é fácil. Ela soube transformar sua dor em pura poesia, característica intrínseca dos grandes artistas.
Essa canção feita para a avó, um mês antes de seu falecimento, tocou fundo a minha alma. Uma linda homenagem para a mulher que a inspirou a cantar e, que também era cantora, lírica, mas que infelizmente perdeu a voz pela ingestão de um produto químico. Ficou a frustração de não realizar alguns sonhos, entre eles, cantar em um teatro municipal e desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, como baiana. Desejos que são cumpridos no clipe da música, onde a atriz Neusa Borges interpreta a protagonista da história: Dona Cila.
A impossibilidade da realização dos sonhos, que sempre são próprios, acaba causando uma grande insatisfação em todos nós. Conviver com essa frustração é um grande exercício para nossa própria evolução e equilíbrio. Nem sempre conseguimos o que queremos. Mas a vida em si é muito mais ampla do que qualquer desejo. Ganhamos e perdemos constantemente. Acredito que dona Cila deve estar bem orgulhosa de ver que sua neta, Maria Gadú, entrou no rol dos grandes artistas da nossa música popular brasileira. Cada indíviduo é único e exclusivo, mas o amor é o elo que faz com que sejamos a extensão das pessoas que amamos.
Dedico essa canção à minha saudosa avó Madalena... “Oh meu pai do céu/limpe tudo aí/vai chegar a rainha/precisando dormir...”



sexta-feira, 8 de abril de 2011

O professor de Aristóteles


Outra vez. Quando já não recordava o professor de Aristóteles, ele veio como uma flecha e fez o cupido sorrir. O órgão que impulsa o sangue acelerou e desde então não descansa em paz. É festa, é confusão, um tumulto incoercível de sensações.
A razão faleceu, mas a moral ainda resiste. O egoísmo se confunde com o altruísmo. Pura bagunça. Onde irão parar esses pensamentos ansiosos por um único destino? Parece que não existem outras portas e o uniteralismo desse desejo indica não haver fim. Um oceano doce de mares salgados.
O que não daria por poder tocá-lo e vê-lo sorrir. A felicidade é a moeda de troca nesses devaneios ousados, alheios à realidade. A puerilidade é essência pura nesse retrocesso aos anos adolescentes.
Como alguém pode estremecer e liberar zilhões de vibrações com um simples olhar? Essa força respalda e é a própria expressão em si mesma da existência de Deus.
Nessa espécie de montanha mágica que é o seu corpo, a luz que o seu riso produz ilumina até as trevas da noite em suas matas. Tê-lo nos braços com o dente da paz é a ilusão que exerce o papel de combustível para mover as pernas que caminham contrárias à tirania do tempo. O despotismo do relógio.
Não houve atração igual. Não há necessidade de comparar. Algo dessa proporção não conhece limites e não entende de escalas matemáticas. É multiplicar infinitamente de forma simultânea a dividir.
A compreensão da situação de Osment (by Spierlberg) vem de forma exata, agora. Talvez encontre o que busque, submergendo ao reino da vida. Mas se encontrar, a coroa será recíproca nessa angústia de felicidade?
A minha selva já tem um rei.

terça-feira, 5 de abril de 2011

"The Rose" interpretada por Aoi Teshima

Alguns dizem que o amor, é um rio,
que afoga a relva macia.
Alguns dizem que o amor, é uma navalha,
que deixa a sua alma sangrando.
Alguns dizem que o amor, é uma fome,
uma necessidade dolorosa que nunca acaba.
Eu digo que o amor, é uma flor,
Em você ele é somente uma semente.

É o coração, receoso de quebrar,
que nunca, aprende a dançar.
É o sonho, receoso de acordar,
que nunca, aproveita a chance.
É o único, que não pode ser pego,
por quem não pode, parecer entregar.
E a alma, receosa de morrer,
que nunca, aprende a viver.

Quando a noite houver, sido solitária,
e a estrada, longa.
E você pensar que o amor é somente,
para o afortunado e para o forte.
Apenas lembre-se que no inverno,
distante sob a neve amarga,
encontram-se as sementes que amam o sol.
E que na primavera se tornam rosas.





domingo, 3 de abril de 2011

Jair Bolsonaro, perfil de um ditador


Espero que um dia a homofobia cause tanta indignação como o racismo no Brasil. E seria ingenuidade ou até mesmo ignorância acreditar que as diferenças étnicas vivem em plena harmonia na sociedade mais miscigenada do planeta. Discriminar alguém pela sua cor de pele só passou a ser politicamente incorreto quando isso tornou-se um crime. Isso não significa que esse comportamento deixou de existir. Enquanto a desigualdade de oportunidades existir entre brancos e negros, não podemos considerar esse problema erradicado. Ainda há um longo caminho pela frente. E que por mais longo que seja, é bem menor que o percurso que as pessoas homossexuais tem de caminhar para conseguir o real respeito à sua cidadania. 

Há muito tempo, Jair Bolsonaro me produz muita indignação. Mas, parafraseando o grande Marthin Luther King, “o que me preocupa não é o barulho dos ruins e sim o silêncio dos bons”, vejo com consternação a normalidade que é colocar no patamar inferior, o coletivo LGBT. Qualquer pessoa pode humilhar e diminuir os gays publicamente sem nenhuma punição. O deputado do Partido Progressista (não consigo entender realmente o conceito que essa gente tem de progresso), ao longo de sua vida militar e política, sempre teceu ofensas e comentários pejorativos às pessoas que não se encaixam ao seu padrão arcaico e encerrado. Machista, homofóbico, racista, enfim, uma pessoa que por muitas virtudes que poderia ter, não merece nenhum tipo de respeito. Mas infelizmente existe um número expressivo de pessoas que se identificam com ele. Foi eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro em 1988, dois anos depois deputado federal e continua exercendo esse cargo há mais de 20 anos.
A primeira vez que ouvi falar desse sujeito foi em 2003, quando ele empurrou e chamou de vagabunda a atual Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT), na época, deputada federal eleita pelo Estado do Rio Grande do Sul, no Congresso Nacional, diante das câmeras. O incidente repercutiu no país inteiro, mas não houve nenhuma penalização por esse comportamento. 


Mulheres, índios, gays, negros e todas as pessoas com ideologia esquerdista  sempre foram alvos do homem que defende abertamente a Ditadura Militar no Brasil. Mas parece que a ideia de que os homossexuais possam conquistar os seus direitos correspondentes como todos cidadãos, tira o sono do deputado que parece viver uma eterna prisão de ventre.
Poderia especular sobre a perseguição dele aos homossexuais, baseado nas teorias de Freud, mas nunca quis me aprofundar sobre isso. Os complexos que ele esconde dentro de sua mente retrógrada não me interessam. O que importa mesmo é que a sociedade brasileira que pretende avançar nos direitos humanos faça a sua parte. É inadmissível ter uma pessoa que está para servir à população, ataque as minorias, ignorando completamente que uma nação é construída por uma diversidade de pessoas e que todas elas, independente da religião, gênero, sexualidade, classe social e idade, merecem igualmente serem respeitadas.
No ano passado, numa tentativa desonesta, o homem que carece de valores básicos humanos, conseguiu levar à imprensa a ideia derturpada do projeto do kit educacional anti-homofobia e pró-diversidade, taxando-o de forma pejorativa como “kit gay”.  A ignorância e o deputado são sinônimos. Está mais do que demonstrado que não se pode fazer apologia à nenhuma condição sexual, porque se assim fosse, não existiria a comunidade GLBT. É impossível fomentar orientação sexual, cada um tem a sua. Não é uma questão de educação, como acredita esse deplorável ser.  O deputado acéfalo defendeu a violência como forma corretiva. Aconselhou a todos os pais de homossexuais a agredirem fisicamente os filhos para os “endireitarem”.  Mais triste que ver esse homem vomitando palavras incoerentes foi ler nas notícias, semanas depois, que um pai matara seu próprio filho, no interior paulista, pelo rapaz assumir sua condição sexual.  E é mais lamentável ver a passividade das pessoas que são contrárias à suas ideias.

Foi necessário ele ter expressado sua opinião racista à uma pessoa famosa para que ganhasse o repúdio de muita gente. Infelizmente a homofobia no Brasil não é considerada um crime como é o preconceito racial. Se assim fosse, esse homem estaria preso, merecidamente. A sexualidade humana não pode ser fomentada, é algo inerente a cada indíviduo. É própria. Agora o respeito sim, pode e deve ser inserido no código de ética de todo mundo.
Respeito opiniões que divergem das minhas desde quando as mesmas não contribuam para o preconceito. A discriminação não é um mero fato de opinar, é uma violência. 
Eu assinei uma petição pública para que o dito cujo seja penalizado pelo seu comportamento.  Qualquer pessoa que se sinta ofendida ou solidária aos ofendidos, deixo o endereço para que possam firmar e divulgar. 

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N8333

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O fim da luta

No dia 29 de março, recebi inúmeras mensagens informando sobre a morte de José Alencar. Estava no trabalho e não tinha como ver a notícia. Fiquei triste, pois me lembrei de uma entrevista que ele concedeu, onde dizia que sua maior alegria seria chegar em casa e dizer à sua esposa que estava curado.
O homem de origem humilde que se transformou em um dos maiores empresários do nosso país, foi vice do  presidente mais popular da nossa história, o Lula. E, apesar de algumas divergências ideológicas entre eles, exerceu seu papel como um verdadeiro político. O afeto que havia entre os dois era visível e a admiração recíproca também.
Lembro bem da última campanha presidencial, mesmo doente, Alencar foi um dos maiores militantes de Dilma. Não deixou-se abater pelo câncer e tampouco encerrou-se ao seu drama, demonstrou que, mesmo em um momento extremamente delicado de sua vida, a preocupação pelo destino do Brasil era uma das suas maiores causas.
Não nego minha insatisfação quando ele, na condição de presidente em exercício, não assinara o decreto que instituiria o Dia Nacional de Combate à Homofobia, alegando questões de princípios partidários. Mas na condição de ser humano, não escondo a solidariedade que sentia por ele. O câncer é uma doença cruel que mata milhões de pessoas a cada ano no mundo inteiro. Vê-lo lutando de forma incansável me despertava naturalmente a torcida para que ele ficasse bem.
Foi uma das peças fundamentais para a eleição e reeleição de Lula. Contribuiu muito para a vitória de Dilma. Foi o homem que soube estar. E com certeza, um dos políticos que entrará para a nossa história com uma avaliação bastante positiva.